Tem dias na sua vida que você sabe muito bem o que você fez. O dia 20 de janeiro de 1991 é um deste dias. Eu estava no Rio de Janeiro (nunca pensei que moraria aqui anos depois), estava cansado pra caramba, depois de uma noite no Maracanã com um belo show do INXS no Rock in Rio II. Acabei acordando tarde, na casa do Edson na Urca, e depois de devorar um café da manhã/almoço, sai para o Maracanã mais uma vez para o meu segundo dia no Festival.
Confesso que estava puto de não ver Robert Plant e ter que agüentar mais um show do chato do Billy Idol, mas era foda estar no Rock in Rio (festival que minha mãe não me deixou ir em 85 porque era novinho).
20 de janeiro de 1991 era o dia do Guns. Os caras iriam dominar a cena. Banda no auge, discos de sucesso, etc. Mas um pouco antes, mais precisamente dois shows antes, uma banda da Califórnia mostrou como uma noite pode ser histórica.
Acredito que os quase 100 mil malucos que compraram ingresso para aquele dia não compraram pelo Faith No More. A MTV ainda pegava em UHF em São Paulo, o sinal lá em casa era uma merda, os caras tocavam pouco na 89 e na 97FM, não tinham nenhum grande hit até aquele momento,etc. Na idéia original, os caras seriam um esquenta para Plant e Guns. Na época pré–internet e de dureza extrema, era difícil saber o que iria ver naquele 20 de janeiro.
Mas quando os caras entram no palco, Mike Patton mostrou com se escreve a história. A bando tocou alto (mesmo com a limitação de som) e Mike fez uma das maiores (se não a maior) exibição que vi de um band leader. O cara dominou o palco do Maracanã como se estivesse em um pequeno clube de LA. Destruiu tudo, cantou, correu, se jogou no chão, escalou as torres de iluminação, destruiu tudo e deixou 100 mil pessoas chocadas com que acabaram de ver. Ai foi foda para o Guns, que fez um belo show mas que pareceu burocrático sob o impacto de um furacão duas horas antes.
Nascia ali, em 20 de janeiro de 1991, 10 dias antes dos meus 19 anos, a lenda Faith no More e o amor incondicional do Brasil com a banda.
Um pouco depois deste show histórico, eles voltaram para uma turnê pelo Brasil e voltei a ver a Banda no Olympia, em São Paulo, o show foi bom demais, com os caras fechando com War Pigs do Sabbath, o único problema agüentar a abertura da banda “heavy” do Menudo Robby Rosa (nunca vi alguém ser xingado tanto quanto o Menudo, ele saiu antes do fim). Em 1995, mais um show, no Monster of Rock., abrindo para o Ozzy (este eu não vi).
Bom, ontem os caras voltaram ao Rio. Quase 18 anos depois da porrada no Maracanã, eles tocaram para um Citybank Hall, com 60% da capacidade. Não dá pra negar que os caras estão mais velho. Roddy Buttom parece que saiu de um happy hour meio bêbado e foi tocar teclados na banda do bar. Mas, e daí?
A cozinha continua perfeita com Mike Bordin destruindo as baquetas e Billy Gould acabando com o baixo (que estava batendo forte no peito de todo mundo). O som do Citybank é o melhor do Rio e ontem estava especialmente alto e muito bem equalizado.
Com a casa armada e platéia entregue, coube a Mike Patton, vestido de vermelho como o próprio demônio, dar show. Ontem ele não escalou nada, mas dominou o público como pouco dominam. Cantou em português, desceu no público, usou todos os tons possíveis de sua voz, foi Julio Iglesias e Iggy Pop juntos. Não tem como você não ser dominado pelo cara.
E com o jogo ganho desde o primeiro acorde, a galera fez a festa. Uma hora e meia de show que terminou com Falling into Pieces (só para o público do Rio)> dava pra ver que não estava ensaiado, dava pra ver que estava quebrado, mas também dava pra ver que os caras estavam com muito tesão de estar naquele palco tocando e se divertindo. E é isso o que vale no Rock, é isso que faz um show ser bom. Diversão!
Set List: Midnight Cowboy From Out of Nowhere Be Aggressive Caffeine Evidence Surprise (You e Dead) Last Cup of Sorrow Ricochet Easy Epic Midlife Crisis Caralho Voador The Gentle Art of Making Enemies King For a Day Ashes to Ashes
Vi " A todo Volume' (It might get loud in) há cerca de um mês, no cine Leblon, dentro do Festival do Rio. Desde que li sobre o documentário queria muito ver o filme. Não é todo dia que você encontra três guitarristas sensacionais (Jimmy Page, The Edge e Jack White) juntos trocando experiências sobre guitarras, músicas, etc e ainda tocando. Os caras mostram alguns truques solos e depois se encontram numa sala para uma Jam deliciosa.
Sai do cinema com muita vontade de escrever sobre o filme. Para amantes de músicas, rock, guitarras, air guitar, etc este é um documentário obrigatório. O processo de crescimento dos três músicos está retratado lá, de forma direta. As primeiras audições, os sons favoritos. a paixão pelo instrumento, as escolas, o crescimento musical, tudo está lá. Três gerações diferentes, três estilos diferentes, três pontes aparentemente distantes mas que se revelam próximas, bem próximas.
Em "A todo Volume" não importa quem toca mais. Não é um concurso. Música não e competição. Você vê isso no processo de composição de cada músico, na técnica, nas características, nas escolhas de amplificadores, pedais, etc. "Sunday, bloody Sunday" teve uma nova compreensão para mim depois deste documentário.
Mas hoje, mais de um mês depois de ver o documentário (que será devidamente adquirido em DVD), o que fica gravado na lembrança são cenas onde se revelam não os grandes músicos, mas os grandes amantes do instrumento. E você percebe isso nas Jam, no respeito entre eles e, principalmente, no brilho dos olhos de Jack White e The Edge quando Page, de cabelos brancos, começa a tocar. O sorriso de criança dos dois valem o filme. O Velho Page destruindo e os dois ali, babando, observando, sabendo do privilégio desta troca.
Este é um momento mágico, só menor que uma cena gravada na casa de Jimmy Page. O velho senhor, o guitarrista do Zeppelin, o homem que criou os riffs mais sensacionais da história, coloca o primeiro disco que comprou, a gravação que transformou sua vida, e acompanha a música tocando air guitar. Sim! Jimmy Page toca Air Guitar! Ele toca air guitar como qualquer um de nós!
Finalmente baixei as fotos da viagem para a Inglaterra para o computador. Foram 7 dias de viagem e um dia muito especial. Em 12 de setembro finalmente conheci Liverpool.
Sou um Beatlemaniaco. Adoro a obra dos caras, mas a primeira vez que fui a Inglaterra não fui a Liverpool. Este ano não poderia deixar de ir. Três dias antes, a Inglaterra comemorava o Beatles Day, com o relançamento de toda obra do quarteto em Cds e o lançamento do Rock Band Beatles. No dia 11, aproveitei a folga e fui mais uma vez a Abbey Road, para cruzar a faixa de pedestre mais famosa do planeta. Desta vez, atravessei a rua descalço uma homenagem a Paul.
Mas o ponto alto da viagem era a ida a Liverpool. Faz alguns anos que ouço da Pepa: Não acredito que você não esteve em Liverpool! Não credito que você não foi a Liverpool! Liverpool é a sua cara! Você tem que ir! Bom, com este estímulo não tinha como não ir.
O sábado amanheceu especial em Londres, um dia sem nenhuma nuvem no céu. Carreguei o GGZão, deixei no shuffle dentro da pasta do Beatles e me mandei de Londres. Cheguei à estação às 9h da manhã, mas não consegui comprar a passagem para o trem de 9h03, resultado, como era fim de semana tive que ficar mais uma hora esperando o trem. Fiquei preocupado porque esta horinha podia fazer falta.
Depois de 2h10 de viagem finalmente cheguei à cidade natal da minha banda preferida. Uma sensação bem parecida como estar em Nova York, no antigo CBGB´s, lar dos Ramones. Da estação fui andando até o pier. Me confundi e acabei entrando primeiro na parte nova do museu, onde vi u filme 3D e uma exposição de Julian e Cynthia e o relacionamento deles com John. Nesta exposição duas coisas bem legais. Algumas letras datilografadas e depois rabiscadas, com os ajustes de John (lago parecido com o que vi em Saitama, no museu John Lennon). O legal disso é observar como a coisa caminhou, como o processo de criação se deu, onde ele foi ajustado, revisto. Dá para entrar um pouco na cabeça dos caras. (olha ai uma boa idéia para a minha próxima tese).
A segunda coisa era uma instalação, no fim da visita, com uma árvore com os galhos espalhados pelas salas. No troco você encontrava cartões e lápis coloridos e um convite para você expor os sentimentos despertados pelas músicas do Beatles. Cada cartão era uma folha (ou fruto) que deveria ser amarrado em algum galho. Lógico que não perdi a oportunidade e deixei minha mensagem nos já carregados galhos da exposição que traziam textos nos mais variados idiomas.
Deixei a expansão do museu e rumei ao The Beatles Story, na Albert Dock. O Museu segue em ordem cronológica toda a trajetória do quarteto, desde o nascimento de cada um, passando pela escola, casas, formação do grupo, viagens à Alemanha, gravação dos álbuns e a carreira solo de cada um. A capa do Sgt Peppers está lá, em tamanho natural, painéis de Yellow Submarine, uma réplica co Cavern Club e até o quarto branco da gravação de Imagine. Uma visita deliciosa, acompanhada pelo áudio guia muito bom. Quando entrei, estava preocupado com o tempo (afinal, ainda queria fazer um tour pela cidade), mas lá dentro me deixei me perder pelo tempo a aproveitei cada sala.
Chegando a hora de partir, caminhei até a estação meio bêbado, bem cansado, mas feliz pra cacete. Foi uma viagem sensacional, um dia maravilhoso. No trem, com o GGZão quase sem bateria, mas ainda expelindo Beatles pelos fones, agradeci à Pepa, relaxei e me deixei levar mais uma vez por 4 grandes gênios.
O cara morreu em 1996. Foi logo depois do Revolver. Eram 5 da manhã de 9 de novembro de 1966. O beatle estava voltando para casa quando sofreu um grave acidente de carro. Consequência? Esmagamento de crânio para uns, decapitação para outros. A história está toda lá, em A day in the Life.
Sem Paul, mas no auge da fama, os Beatles conseguiram achar um sósia, que está ai até hoje. Parece que os caras não aceitaram a trama e passaram a colocar várias dicas nas capas dos discos. Há 40 anos, Russ Giib, DJ da radio WKNR-FM revelou toda a trama dando as dicas para a revelação da verdade. Não acredita. Veja o final de Revolution 9.
Li muito nestes meses sobre a influência do Mangue Beat. Os 15 anos do movimento pernambucano devem ser comemorados e muito. Eu adoro os discos do Nação e do Mundo Livre. Acho que a galera de Recife foi responsável pelo último movimento da MPB (estas novas cantoras são todas chatas, muito chatas).
Só que até agora não li nada sobre um outro grande disco lançado em 1994. Um disco que tem tanta importância para a música nacional quanto tem os discos dos Pernambucanos. To falando do primeiro disco dos Raimundos, lançado pelo selo Banguela.
Os caras eram feios, sujos, tocavam pesados e tinham a moral de misturar rock com forró, com grandes doses de sacanagem. Nada mais perfeito para os adolescentes. Eu já não era mais adolescente nesta época, vivia os meus 20 e poucos anos, mas cheguei a ver os Raimundos tocando em pequenos lugares em Sampa nesta época. Não dava para negar, energia nunca faltou à banda que chegava com a testosterona no talo e falava para um bando de moleques suados e querendo muita diversão.
Raimundos (1994) foi lançado pelo selo Banguela, de propriedade dos Titãs e teve como produtor Carlos Eduardo Miranda. A maior qualidade do Miranda neste disco foi deixar o peso a e irreverência ali, intactas, fiel. Raimundos tem gosto de novo, de coisa feita por moleques. Hardcore pronto para as massas. Se durante os 90, os caras dominaram o cenário brasileiros (gerando uma porrada de cópias), se eles acabaram depois de uma série de abusos, se no fim eles tocavam para milhares de pessoas em todopaís, o nascimento deste mito nasceu neste disco. Um disco de moleques para moleques de saco cheio e loucos, desesperados, por cerveja, maconha e, se der, uma boa trepada.
O disco é tão foda que abre com uma das melhores músicas dos anos 90 e uma das top 3 dos caras. Puteiro em João Pessoa que é a porrada e fecha com Selim. No encarte diz que a letra a música são dos caras, mas selim é coletivo popular. Em Caraguá, tínhamos a nossa Selim que se referia a mesma idéia de ser o banquinho para ficar bem pertinho da calcinha ou do biquininho de algumas meninas que passavam pela rua.
No recheio da bolacha tem coisas como Palhas do Coqueiro, A Minha cunhada, Carro forte, Nêga Jurema, Be-a-Bá e Cajueiro. Porrada atrás de porrada. Uma estréia sensacional. Se no fim da banda, quando eles dominavam o Brasil, eles se repetiram, esgotaram a fórmula, estavam já quase sem criatividade, viraram crentes e descrentes e acabaram, foi efeito do tempo.
Se hoje não dedicamos páginas dos cadernos de cultura a este lançamento é falta de visão ou preconceito. OS Hoje, 15 anos depois do lançamento de Raimundos,o frescor ainda está lá, no meio daquele pedal de distorção no talo. Não dá para negar a importância que os caras tiveram para a música brasileira.
Há quase dois meses estive envolvido na cobertura do Sportv para a escolha da sede olímpica de 2016. Confesso que sempre fui cético quanto à possibilidade do Rio de Janeiro (cidade onde vivo há 13 anos) ser escolhida.
Durante estes quase dois meses, a equipe do Sportv, da qual tenho orgulho de participar, se preparou para uma grande cobertura. Ontem, para nós, era dia de final de Copa do Mundo, com o Brasil disputando no Maracanã. Ontem, estava pronto às 3 da manhã para coordenar as apresentações de Chicago, Tóquio e Rio de Janeiro (a apresentação de Madrid foi feita dentro do Redação).
Ontem eu passei mais de 12 horas dentro de um controle de transmissão e me senti fazendo parte de uma história. Não sou atleta, o máximo que dá para arriscar é uma peladinha de basquete na Lagoa com os amigos, mas sou apaixonado por esporte, área que escolhi para trabalhar e que estou há quase 20 anos.
Não apoiei a escolha do Rio. Acho que temos outras grandes preocupações antes de fazer uma Olimpíada. Me preocupa se os problemas do Pan 2007 serão repetidos ou ainda amplificados nestes 7 anos. Não temos um sistema de controle eficaz (mas não temos este sistema para nada). Racionalmente, não achava que o Rio seria a melhor escolha.
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Só que não consigo ser só racional, aliás, acho que sou muito mais emoção. Quantas vezes chorei por uma conquista esportiva? Consegui realizar o sonho de ver o Brasil campeão Mundial de Futebol (obrigado Felipão!) no estádio e tive a emoção de ouvir o hino nacional brasileiro em uma conquista Olímpica em Pequim (Grande Zé Roberto!)> Chorei como criança nas duas. Chorei em outras.
E foi esta emoção que foi ditando meu dia ontem. Desde a fria apresentação de Chicago, passando bela apresentação brasileira, pelo magnetismo de Lula discursando em português. Vi a apresentação de Madrid toda (também foi emocionante). Quando a votação começou e o Rio foi avançando pensei: Fudeu! Esta bagaça vai ser aqui. Esperamos mais de uma hora até Jacques Rogge abrir o envelope. Nesta hora, devia ter umas 20 pessoas no controle. Eu, Maroca, Chafi gritando: Ninguém fala nesta porra! Foram segundos angustiantes. Quando o nome do Rio saiu parecia um gol de pênalti em final de Copa no último minuto do jogo (foi muito mais que o apito final do juiz, gol a gente não sabe quando vai acontecer. Pro fim do jogo a gente se prepara).
Ganhamos! Depois de um grito, arruma casa e vamos continuar a transmissão. Feliz mas sem deixar a emoção tomar conta. Tínhamos mais 3 horas de vivo e não dava pra fazer carnaval. Adrenalina lá no alto, mas concentração. Em Copenhage, Lula chorava feito criança. Aqui, na Itapiru, trabalho, muito trabalho. Deixei a lágrimas para a matéria do Bassan no JN, quando o cansaço era grande, a fome imensa, mas a felicidade maior.
Ontem começou um longo dia, que só deve acabar depois da cerimônia de encerramento dos Jogos Para-Olímpicos de 2016. Tenho absoluta certeza que vou ficar indignado pelos rumos das obras, pelos problemas, pela falta de fiscalização. Só que também tenho certeza que vou adorar fazer parte desta História. Vai ser bom demais.
Há 20 anos morria Raul Seixas. Quando era moleque adora Raul seixas. Desde a primeira fita K& que gravei com o disco “A Ate de Raul Seixas”. Acho que minha primeira visão de Raul foi na Globo cantando “Carimbador Maluco” no especial infantil “Plunct Plact Zum”. Mas, foi depois daquela fita TDK de 90 minutos que me apaixonei.
O que mais me encantava na obra de Raul era a mistura que ele fazia entre Rock, Baião, Samba, etc. Não era comum isso. Os tropicalista brincavam mas minha primeira referência desta mistura, com muito mais sarcasmo foi Raul.
Depois desta fitinha comprei todos os disco de Raul. Os primeiros são maravilhosos. Passei dos 12 aos 17 ouvindo muito Raul mas não conseguia ver um show do cara. A chance foi em 1989, pouco antes de sua morte, no Olympia, na Lapa, ao lado de Marcelo Nova. Raul tinha gravado o último disco dasua carreira “A Panela do Diabo” e estava sendo “resgatado” por Marceleza, no auge com o Camisa de Vênus.
O show foi muito bom, apesar de Raul quase não conseguir se mexer, estar inchado pra caramba, quase não agüentava segurar sua guitarra. Mesmo assim, debilitado, ver Raul no palco foi diferente. O cara atraía todas as atenções. Marcelo Nova foi um escudeiro. Naquele palco do Olympia, no dia 2 de junho de 1989, Raul quem brilhou, ele ainda tinha muito daquele artista que revolucionou os 70. Pena que dois meses depois, um dia antes de “Panela do Diabo” chegar às lojas, o pâncreas de Raul não agüentou.
Tá lá no Twitter. 5 minutos antes. O cara estava aquecendo e o cara de pau aqui escreveu: epierroBolt está aquecendo! 19s19.
Achei que tinha errado por um centésimo mas quem errou foi o cronômetro de Berlim. O tempo corrigido me deu razão. 19s19. O primeiro a correr abaixo de 19s30. O primeiro a chegar na marca de 19s1. Quando Michael Johnson bateu o recorde dos 200 metros em 1996 eu achava que demoraria muito alguém baixar da casa de 19s30. Bom, até que demorou, mas 11 décimos de segundos é mais um daqueles saltos que só Usain Bolt é capaz de conseguir. O jamaicano é a evolução. Ele está 10 anos a frente de seu tempo. Quando os Jogos de 2016 estiverem sendo disputados, os geneticamente iguais a Usain Bolt estarão na pista. Até lá, vamos nos surpreender com Usain Bolt. Até lá, vamos nos deliciar com o talento e o estilo do homem mais rápido do mundo.
O que se viu hoje no Estádio Olímpico de Berlim foi histórico. Ouso a afirmar que este foi o segundo maior fato esportivo que o velho Estádio viu. A prova de Usain Bolt só não supera as quatro medalhas de ouro de Jesse Owens que fez Hitler abandonar a tribuna de honra, em 1936, quando viu sua tese de supremacia ariana ruir nos pés daquele negro.
Hoje, 72 anos depois, um outro negro fez o mundo se surpreender. Usain Bolt é o maior corredor de 100 metros que o mundo já viu. Ele é maior que os Jesse, que Jim, que Carl, que Donavan, que Green, que Asafa, que Tyson. Seu biótipo desafia a lógica. É grande mais! É magro demais! Sua personalidade desafia a convenção. É descontraído demais! Brincalhão demais!
Bom, para azar da lógica e da convenção, Usain Bolt é assim. Sua prova hoje em Berlim foi perfeita. Não teve a comemoração Olímpica que lhe roubou um décimo de segundo em Pequim. Ele chegou forte, preocupado com Tyson Gay, e esta preocupação nos fez ver o quando o homem pode surpreender.
Em Pequim, Robson Caetano cravou 9s68 para Bolt. Resultado: 9s69. Hoje, ele cravou 9s59. Resultado: 9s58. O negão é foda! Quem tamb=ém deu shw foi o Luiz Carlos Jr. na narração. Foi sensacional.
Há dois anos, ninguém poderia imaginar que chegaríamos tão rápido a casa do 9 ponto 5. Repito: chegamos a casa do 9 ponto 5. Quando era moleque e passava toda terça e quinta a tarde na pista do Ibirapuera treinando, niguém pensava correr abaixo de 9s9. Hoje eu vi um cara correr a 9s58. Foi perfeito demais. Será que estamos perto de ver, quem sabe em Londres 2012, este mesmo jamaicano chegar a 9s4? Se tratando de Usain Bolt não me surpreenderia.
Assisti Loki há duas semanas e adorei. Um documentário muito bem feito. Claro que alguns perguntas ficam sem resposta, claro que a ausência da Rita é sentida, mas a sensibilidade na condução do enredo e a trilha sonora fundamental emocionam. Confesso que me peguei com os olhos cheios d’água algumas vezes.
Adoro Mutantes desde muito cedo. Lembro de uma loja em Caraguá que tinha a capa do Jardim Elétrico e aqueles desenhos me fascinavam. Um tempo depois, a Baratos Afins relanço a obra dosa caras inteira em vinil. A falta de grana me impediu de comprara todos mas quando a discografia saiu em cd eu fui, pouco a pouco, comprando aquelas deliciosas pérolas.
Mas meu primeiro contato com os Mutantes e com a obra de Arnaldo foi “Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe, Desde que Eu Tenha o Rock and Roll”. Era muito louco, muito diferente de tudo que eu ouvia no rádio, aquilo foi como uma porrada na cara. Como era divertido e solto. Acho que tinha uns 11 anos e ouvi na rádio, no meio de um monte de músicas que me pareciam chatas. Consegui gravar “Posso Perder Minha Mulher..” uns doias anos depois, quando a 89FM tocava rock. Nesta época já sabia que os Mutantes tinham tocado numa das músicas que me davam mais medo quando era criança: “Domingo no Parque”. Foui nesta época também que me deparei com “Loki” (o disco). O que parece nonsense para um moleque que mal conhecia música passou a se rum rito de passagem. Posso dizer que a genialidade de Arnaldo me fez ver a música de uma forma diferente. Quando Arnaldo voltou aos palcos com Sean Lennon eu estava lá, emocionado e foi esta mesma emoção que senti ao assistir “Loki” (filme). Se você ainda não viu não perca mais tempo. Vale cada segundo.
Em 1982 eu tinha 10 anos e não havia ninguém no mundo que não conhecesse Michael Jackson Naquele ano, o menino prodígio tinha acabado de lançar “Thriller”. Seu melhor trabalho, o álbum mais vendido da história. Junto com o disco (naquela época era disco), Michael inventou o Vídeo-Clip. As tentativas anteriores não existiam, eram patéticas. Michael inventou uma nova linguagem e esta nova linguagem revolucionou a maneira de ouvir (ver) e vender música. Isso influenciou todo mundo. Mesmo quem não gosta de Michael, mesmo quem não gosta da sua música foi influenciado por um estilo que este gênio musical inventou.
O talento deste cara era enorme, mas Michael vai passar para a história por suas maluquices, por neverland, pelo seu apetite por criançinhas, pelos processos, por dormir uma câmera de oxigênio, pela sua cor cinza, pela sua desfiguração gradual, por sua bizarrice. Michael terminou sua história como um freak show.
Agora, se você voltar a fase negra e ouvir “Off the Wall” ou “Thriller” vai perceber que o cara era um músico sensacional. Além de se reunir com os melhores (como o solo de Eddie Van Hallen em “Beat it” ou dueto com Paul McCartney), além da mão de midas de Quincy Jones,Michael cantava como poucos, compunha muito bem e fez músicas sensacionais. Vale ouvir “Thriller”, “Beat it”, ‘Billie Jean”, “Don’t stop ‘til you get enough”, “Rock with you” e “She’s out of my life”. Se você quiser voltar um pouco mais no passado, divirta-se com a fase Jackson Five. O resto dos irmãos Jackson eram patéticos perto do talento daquele menino segurou uma família maluca.
Quando ele tocou no Brasil eu estava no Morumbi. Vi o show no gramado, de perto. Já não gostava mais de Michael (voltei a ouvi-lo muito tempo depois), mas a sensação de poder ver um dos nomes da minha infância me fez enfrentar o programa de índio.
O que vi naquele dia foi um show muito bem feito, ao que a música ficava em segundo plano. Com espetáculo foi impecável, como show de música foi apenas bom. E é a música que faz de Michael o Rei do Pop. Mais que a dança, que a coreografia, que o “moon walk” ou qualquer outro artifício, é o som de Michael que é inigualável.
Para mim, o maravilhoso de Michael vem apenas nos ouvidos. Esqueça a imagem. Por mais forte que seja a luva de lantejoulas, a jaqueta vermelha ou a vontade de dançar e imitar o cara, tente apenas ouvir. Tente ver como atrás de uma produção perfeita tem um cara que é um dos grandes. Um dos caras que fez do R&B universal. Que fez o soul gigantesco. Que conquistou um planta e criou algo novo no pop.
Hoje, Otis Redding e Marvin Gaye tem uma grande companhia. Que a alma de Michael volte a ser negra!
Este foi um show de pau duro! Foi assim que o grande amigo Renato Nogueira definiu o show de ontem.
Eu concordo. Foi um show de Pau duro! Simples, direto e com muita testosterona. Foi aquela trepada que você dá quando ta com o saco cheio, com o tesão acumulado, com fome de sexo. Quando você quer, mais do que qualquer outra coisa, fuder. Apenas fuder.
Uma puta banda no palco tocando alto, muito, muito alto. Foi Assim o Oasis de quinta. Um show de ROCK, como deve ser feito.
Exatamente as 10 da noite, o som pré gravado de “Fuckin’ in the Bushes” anunciava uma banda madura, pronta para dar uma hora e quarenta e sete minutos de porrada.
A primeira pra valer foi “Rock Roll Star”. Porra! Hora de berrar pela primeira vez:
“I'll take my car and I drive real far, To where they're not concerned about the way we are, In my mind my dreams are real, Are you concerned about the way I feel. Tonight I'm a rock 'n' roll star”.
A marra de Liam, os riffs e solos de Noel. Os irmãos Gallangher sabem há muito tempo fazer rock como deve ser feito. Seco, forte como um soco, feroz. Da vontade de pular, de bater, de berrar, de destruir, de explodir no melhor dos gozos.
Este foi um show para machos no cio, prontos para atacar suas parceiras. Foi uma luta de boxe, com cheiro de suor, com cheiro de caça. A presa está entregue, vidrada no palco, pronta e feliz para o sacrifício.
Não tem como não ficar olhando para Liam. Mesmo sem mexer um músculo e apenas tirara as mãos do casaco para tocar pandeiro ou bater palmas, o frontman do Oásis mostra pra você que é ele quem está do domínio.
Quando você se distrai e consegue sair de Liam, é Noel que te acerta, por traz de sua Gibson ou de sua Telecaster. Os solos são econômicos, quase nunca agudos e estridentes. Assim como o irmão, ele quase não se mexe, mas quando Liam está no palco mostra que tem uma força quase igual ao irmão e quando é sua vez de assumir os vocais dá show.
Além dos dois, Andy Bell (baixo), Gem Archer (guitarra), Chris Sharrock (que deu show na bateria) eJay Darlington (teclados) fizeram o papel secundário e seguraram muito bem o clima.
Se “Rock Roll Star” abriu em altíssimo nível, Lyla, pegajosa, falsamente limpinha, manteve a testosterona em alta. Hora de gritar ainda mais alto. Não só eu! Os 8 mil felizardos de estar vendo como se toca Rock:
“Hey Lyla, a star's about to fall, So what d'you say Lyla? The world around us makes me feel so small Lyla, If you can't hear me call then I can't say Lyla, Heaven help you catch me if I fall”.
Depois de duas antigas, os caras entraram no novo disco: “The Shock Of The Lightning” é a melhor de “Dig out your soul”. Ela mantém a aceleração alta e o suor já escorre forte. Pular cansa demais (ainda mais sem beber cerveja).
Mais um passo no passado para “Cigarettes & Alcohol”. “You might as well do the white line, 'Cause when it comes on top. YOU'VE GOTTA MAKE IT HAPPEN”. Seguida pela acelarada e curta “The Meaning Of Soul”.
As próximas duas (“To Be Where There's Life” e “Waiting For The Rapture”) mostram que o Oasis voltou em bela forma. Quem não ouviu “Dig out your soul” ainda precisa baixar, fazia quase 10 anos que os caras não faziam um trabalho tão redondo.
“The Masterplan” (lado B do single de Wonderwall) chega doce. Hora da balada. Mãos para o ar, coro de 8 mil vozes, violão e controle total da platéia que continua a dançar calmamente com “Songbird”.
Os violões dão uma pausa. Volta da distorção com “Slide Away” e uma das mais clássicas e sensacionais músicas compostas por Noel: “Morning Glory”. Prepare-se para o peso que volta a pegar você de frente, como um direto no seu queijo, com uma troca violenta de posição. O comando não é seu, agora é observar a cavalgada e curtir. Quase na lona você ainda tem tempo de pensar: “What's the story morning glory? Well? You need a little time to wake up, wake up, wake up...”
Duas no novo disco: Ain't Got Nothin' e “I'm Outta Time” são intercaladas pela batida largada e despretensiosa (se é que isso é possível se falando dos Gallangher ) de “The Importance Of Being Idle”, de “don’t Believe the Truth”.
Quando “Wonderwall” chega você já está totalmente tomado, contagiado, preso por uma das grandes apresentações de rock que você já viu. Sem grandes recursos cênicos, sem grandes efeitos, apenas seis caras levando um puta som e se divertindo. Da pra ver na cara de Noel a felicidade pela entrega da platéia do Rio.
Nesta hora, você já gozou várias vezes e continua ali, duro, pronto e sem nenhuma necessidade de comprimidos azuis. O tesão está ali, transbordando, o cheio da foda e do suor alimentam as narinas. A batida de violão de Noel é o caminho dos ouvidos para esta viagem. Aquele gemido baixo, rouco, bem no fundo do seu ouvido.
“Wonderwall”serve pra você segurar o gozo, o ritmo diminuiu mas o tesão aumenta exponencialmente. Você se contrai e se prepara a explosão do fim.
Liam anuncia que esta vai ser a última. A bateria de Chris Sharrock começa a marcar o ritmo e prepara a entrada de “Supersonic”. “I need to be myself, I can't be no one else, I'm feeling supersonic. Give me gin and tonic”.
A energia volta. Hora de pular cada vez mais alto, de gastar o que resta de voz, de mandar tudo a merda (afinal estamos em um show de rock) e eles foram feitos para divertir. Em uma hora e vinte é isso que tivemos. A melhor diversão, alta, barulhenta, visceral: “Nobody can see him, Nobody could ever hear him call.”
Refeitos hora do bis, aberto por mais dos clássicos da banda. Piano, guitarra, bateria e finalmente a voz com toda a casa explodindo os pulmões: “Slip inside the eye of your mind. Don't you know you might find. A better place to play?”.
Tem como alguém não gostar de “Don't Look Back In Anger”. Tem alguém não gostar dos versos: “But please don't put your life in the hands, Of a rock 'n' roll band, Who'll throw it all away “?
Não tem como! Nesta hora sou um resto de gente emocionado, quase chorando. Rock é pra isso, é pra você chegar ao orgasmo chorando e sorrindo.
A proxima é “Falling Down”, mais uma do novo disco. Logo depois, a melhor música do Oasis pra mim. Eu sou apaixonado por “Champagne Supernova”. Não tem uma vez que não ouça gritando. Já paguei muito mico no carro, caminhando na praia, na sala de espera de consultório. Simplesmente não consigo não cantar essa música:
“'Cause people believe that they're gonna get away for the summer. But you and I, we live and die. The world's still spinning around, we don't know why. Why, why, why, why?”.
E se alguém ainda tem dúvidas de onde nasceu tudo isso a resposta vem na última música do show que mostra que estava tudo lá, tudo preparado desde os 60, quando os Beatles passaram a não fazer mais shows e se trancaram em estúdio para produzir coisas como “I Am The Walrus”. “I’m teh eggman!” goo goo g'joob. G'goo goo g'joob, goo goo g'joob, g'goo goo g'joob, goo.
Porra! Fim! Uma hora e quarenta e sete minutos de pau dentro!Suor, sorriso, falta de voz, felicidade. É bom demais ver um show como ele deve ser feito. Com muito tesão.
Você lembra do Roxette? Aquela dupla sueca que escreveu pérolas pops e grudentas como "Listen to your heart"? Pois é, quando você acha que se livrou de coisas ruins na vida recebe a notícia que os caras vão voltar? Pra que? Por que? Tá certo que a dupla vendeu mais de 50 milhões de discos no planeta (pobre ouvidos) mas o Roxette é uma das bandas que mais odiei na minha adolescência. Chatos demais, clichês demais, melosos demais. Eles são o melhor exemplo de banda de meninas. Eles, A-Ha, Rick Astley, estas coisas. Tem coisas que deviam ser proibidas e soterradas no passado.
Me assusta como alguns colegas embarcaram no sonho olímpico brasileiro. Eles realmente acreditam que o Rio tem chances de vencer a escolha para sede de 2016. Na boa, só se o Rio der uma de Salt Lake. É uma piada o projeto Rio 2016. O rio só está entre as 4 finalistas porque Dubai não tem condições de sediar os Jogos nas datas escolhidas pelo COI. Dubai teve uma melhor avaliação na fase inicial e foi eliminada porque entre agosto e setembro faz 220ºC de dia. É mais fácil Dubai colocar ar-condicionado na cidade inteira que o Rio ser sede dos Jogos.
Não temos capacidade. Não temos como fazer. Nosso "legado" do Pan é ridículo, nó precisamos "limpar" a cidade para tentar esconder nosso erros. Todos falam que os jornalistas estrangeiros que cobrem a escolha acham que o Projeto é bom e tem grandes chances. Lembro que em 2004 tínhamos um belíssimo projeto, lembro que iríamos para a fase final, que o Rio era a cidade mais bem preparado do hemisfério sul. Qual o resultado? Buenos Aires foi para a fase final e o Rio ficou a ver navio.
Jornalista precisam ter que ter análise crítica. Jornalista precisam pensar. Jornalista precisam deixar de comprar um belo projeto de marketing. Alguém cobriu a passagem do COI por Chicago, Tóquio ou Madrid? Apenas reproduzimos o que ouvimos falar. Apenas comentamos os comentários de outras pessoas. Ninguém acompanha de perto o que está acontecendo. Entrevistamos pessoas que tem interesse de mostrar que podemos vencer e não ouvimos críticos de verdade, especialistas que não estão ligados aos interesses gerais.
Adoraria que os Jogos Olímpicos fossem no Rio, mas isso pra mim cheira a piada. As promessas do Pan não se concretizaram. A vila Olímpica continua sem saneamento básico. A Arena virou casa de shows, o Marcanãzinho quase não é utilizado. O Engenhão vai ter sua primeira prova de atletismo depois de 2 anos. Isso sem falar de Deodoro, Miécimo, metrô, sistema de transporte, despoluição das baías, segurança, rede de hospitias, etc.´
Na boa, vamos ser realistas e imparciais. Nosso dever não é embarcar em ações de marketings é buscar todos os lados. As vezes é mais fácil ficar deslumbrado com um sonho. Um sonho extremamente caro que precisa de eco para ser justificado. Vamos cuidar melhor do nosso dinheiro, vamos ter responsabilidade nos nossos gastos e trazer um pouco mais de análise crítica para quem nos lê, ouve e assiste. Alguém ai se vestiu de verde e amarelo?