Vi " A todo Volume' (It might get loud in) há cerca de um mês, no cine Leblon, dentro do Festival do Rio. Desde que li sobre o documentário queria muito ver o filme. Não é todo dia que você encontra três guitarristas sensacionais (Jimmy Page, The Edge e Jack White) juntos trocando experiências sobre guitarras, músicas, etc e ainda tocando. Os caras mostram alguns truques solos e depois se encontram numa sala para uma Jam deliciosa.
Sai do cinema com muita vontade de escrever sobre o filme. Para amantes de músicas, rock, guitarras, air guitar, etc este é um documentário obrigatório. O processo de crescimento dos três músicos está retratado lá, de forma direta. As primeiras audições, os sons favoritos. a paixão pelo instrumento, as escolas, o crescimento musical, tudo está lá. Três gerações diferentes, três estilos diferentes, três pontes aparentemente distantes mas que se revelam próximas, bem próximas.
Em "A todo Volume" não importa quem toca mais. Não é um concurso. Música não e competição. Você vê isso no processo de composição de cada músico, na técnica, nas características, nas escolhas de amplificadores, pedais, etc. "Sunday, bloody Sunday" teve uma nova compreensão para mim depois deste documentário.
Mas hoje, mais de um mês depois de ver o documentário (que será devidamente adquirido em DVD), o que fica gravado na lembrança são cenas onde se revelam não os grandes músicos, mas os grandes amantes do instrumento. E você percebe isso nas Jam, no respeito entre eles e, principalmente, no brilho dos olhos de Jack White e The Edge quando Page, de cabelos brancos, começa a tocar. O sorriso de criança dos dois valem o filme. O Velho Page destruindo e os dois ali, babando, observando, sabendo do privilégio desta troca.
Este é um momento mágico, só menor que uma cena gravada na casa de Jimmy Page. O velho senhor, o guitarrista do Zeppelin, o homem que criou os riffs mais sensacionais da história, coloca o primeiro disco que comprou, a gravação que transformou sua vida, e acompanha a música tocando air guitar. Sim! Jimmy Page toca Air Guitar! Ele toca air guitar como qualquer um de nós!
Finalmente baixei as fotos da viagem para a Inglaterra para o computador. Foram 7 dias de viagem e um dia muito especial. Em 12 de setembro finalmente conheci Liverpool.
Sou um Beatlemaniaco. Adoro a obra dos caras, mas a primeira vez que fui a Inglaterra não fui a Liverpool. Este ano não poderia deixar de ir. Três dias antes, a Inglaterra comemorava o Beatles Day, com o relançamento de toda obra do quarteto em Cds e o lançamento do Rock Band Beatles. No dia 11, aproveitei a folga e fui mais uma vez a Abbey Road, para cruzar a faixa de pedestre mais famosa do planeta. Desta vez, atravessei a rua descalço uma homenagem a Paul.
Mas o ponto alto da viagem era a ida a Liverpool. Faz alguns anos que ouço da Pepa: Não acredito que você não esteve em Liverpool! Não credito que você não foi a Liverpool! Liverpool é a sua cara! Você tem que ir! Bom, com este estímulo não tinha como não ir.
O sábado amanheceu especial em Londres, um dia sem nenhuma nuvem no céu. Carreguei o GGZão, deixei no shuffle dentro da pasta do Beatles e me mandei de Londres. Cheguei à estação às 9h da manhã, mas não consegui comprar a passagem para o trem de 9h03, resultado, como era fim de semana tive que ficar mais uma hora esperando o trem. Fiquei preocupado porque esta horinha podia fazer falta.
Depois de 2h10 de viagem finalmente cheguei à cidade natal da minha banda preferida. Uma sensação bem parecida como estar em Nova York, no antigo CBGB´s, lar dos Ramones. Da estação fui andando até o pier. Me confundi e acabei entrando primeiro na parte nova do museu, onde vi u filme 3D e uma exposição de Julian e Cynthia e o relacionamento deles com John. Nesta exposição duas coisas bem legais. Algumas letras datilografadas e depois rabiscadas, com os ajustes de John (lago parecido com o que vi em Saitama, no museu John Lennon). O legal disso é observar como a coisa caminhou, como o processo de criação se deu, onde ele foi ajustado, revisto. Dá para entrar um pouco na cabeça dos caras. (olha ai uma boa idéia para a minha próxima tese).
A segunda coisa era uma instalação, no fim da visita, com uma árvore com os galhos espalhados pelas salas. No troco você encontrava cartões e lápis coloridos e um convite para você expor os sentimentos despertados pelas músicas do Beatles. Cada cartão era uma folha (ou fruto) que deveria ser amarrado em algum galho. Lógico que não perdi a oportunidade e deixei minha mensagem nos já carregados galhos da exposição que traziam textos nos mais variados idiomas.
Deixei a expansão do museu e rumei ao The Beatles Story, na Albert Dock. O Museu segue em ordem cronológica toda a trajetória do quarteto, desde o nascimento de cada um, passando pela escola, casas, formação do grupo, viagens à Alemanha, gravação dos álbuns e a carreira solo de cada um. A capa do Sgt Peppers está lá, em tamanho natural, painéis de Yellow Submarine, uma réplica co Cavern Club e até o quarto branco da gravação de Imagine. Uma visita deliciosa, acompanhada pelo áudio guia muito bom. Quando entrei, estava preocupado com o tempo (afinal, ainda queria fazer um tour pela cidade), mas lá dentro me deixei me perder pelo tempo a aproveitei cada sala.
Chegando a hora de partir, caminhei até a estação meio bêbado, bem cansado, mas feliz pra cacete. Foi uma viagem sensacional, um dia maravilhoso. No trem, com o GGZão quase sem bateria, mas ainda expelindo Beatles pelos fones, agradeci à Pepa, relaxei e me deixei levar mais uma vez por 4 grandes gênios.
O cara morreu em 1996. Foi logo depois do Revolver. Eram 5 da manhã de 9 de novembro de 1966. O beatle estava voltando para casa quando sofreu um grave acidente de carro. Consequência? Esmagamento de crânio para uns, decapitação para outros. A história está toda lá, em A day in the Life.
Sem Paul, mas no auge da fama, os Beatles conseguiram achar um sósia, que está ai até hoje. Parece que os caras não aceitaram a trama e passaram a colocar várias dicas nas capas dos discos. Há 40 anos, Russ Giib, DJ da radio WKNR-FM revelou toda a trama dando as dicas para a revelação da verdade. Não acredita. Veja o final de Revolution 9.
Li muito nestes meses sobre a influência do Mangue Beat. Os 15 anos do movimento pernambucano devem ser comemorados e muito. Eu adoro os discos do Nação e do Mundo Livre. Acho que a galera de Recife foi responsável pelo último movimento da MPB (estas novas cantoras são todas chatas, muito chatas).
Só que até agora não li nada sobre um outro grande disco lançado em 1994. Um disco que tem tanta importância para a música nacional quanto tem os discos dos Pernambucanos. To falando do primeiro disco dos Raimundos, lançado pelo selo Banguela.
Os caras eram feios, sujos, tocavam pesados e tinham a moral de misturar rock com forró, com grandes doses de sacanagem. Nada mais perfeito para os adolescentes. Eu já não era mais adolescente nesta época, vivia os meus 20 e poucos anos, mas cheguei a ver os Raimundos tocando em pequenos lugares em Sampa nesta época. Não dava para negar, energia nunca faltou à banda que chegava com a testosterona no talo e falava para um bando de moleques suados e querendo muita diversão.
Raimundos (1994) foi lançado pelo selo Banguela, de propriedade dos Titãs e teve como produtor Carlos Eduardo Miranda. A maior qualidade do Miranda neste disco foi deixar o peso a e irreverência ali, intactas, fiel. Raimundos tem gosto de novo, de coisa feita por moleques. Hardcore pronto para as massas. Se durante os 90, os caras dominaram o cenário brasileiros (gerando uma porrada de cópias), se eles acabaram depois de uma série de abusos, se no fim eles tocavam para milhares de pessoas em todopaís, o nascimento deste mito nasceu neste disco. Um disco de moleques para moleques de saco cheio e loucos, desesperados, por cerveja, maconha e, se der, uma boa trepada.
O disco é tão foda que abre com uma das melhores músicas dos anos 90 e uma das top 3 dos caras. Puteiro em João Pessoa que é a porrada e fecha com Selim. No encarte diz que a letra a música são dos caras, mas selim é coletivo popular. Em Caraguá, tínhamos a nossa Selim que se referia a mesma idéia de ser o banquinho para ficar bem pertinho da calcinha ou do biquininho de algumas meninas que passavam pela rua.
No recheio da bolacha tem coisas como Palhas do Coqueiro, A Minha cunhada, Carro forte, Nêga Jurema, Be-a-Bá e Cajueiro. Porrada atrás de porrada. Uma estréia sensacional. Se no fim da banda, quando eles dominavam o Brasil, eles se repetiram, esgotaram a fórmula, estavam já quase sem criatividade, viraram crentes e descrentes e acabaram, foi efeito do tempo.
Se hoje não dedicamos páginas dos cadernos de cultura a este lançamento é falta de visão ou preconceito. OS Hoje, 15 anos depois do lançamento de Raimundos,o frescor ainda está lá, no meio daquele pedal de distorção no talo. Não dá para negar a importância que os caras tiveram para a música brasileira.
Há quase dois meses estive envolvido na cobertura do Sportv para a escolha da sede olímpica de 2016. Confesso que sempre fui cético quanto à possibilidade do Rio de Janeiro (cidade onde vivo há 13 anos) ser escolhida.
Durante estes quase dois meses, a equipe do Sportv, da qual tenho orgulho de participar, se preparou para uma grande cobertura. Ontem, para nós, era dia de final de Copa do Mundo, com o Brasil disputando no Maracanã. Ontem, estava pronto às 3 da manhã para coordenar as apresentações de Chicago, Tóquio e Rio de Janeiro (a apresentação de Madrid foi feita dentro do Redação).
Ontem eu passei mais de 12 horas dentro de um controle de transmissão e me senti fazendo parte de uma história. Não sou atleta, o máximo que dá para arriscar é uma peladinha de basquete na Lagoa com os amigos, mas sou apaixonado por esporte, área que escolhi para trabalhar e que estou há quase 20 anos.
Não apoiei a escolha do Rio. Acho que temos outras grandes preocupações antes de fazer uma Olimpíada. Me preocupa se os problemas do Pan 2007 serão repetidos ou ainda amplificados nestes 7 anos. Não temos um sistema de controle eficaz (mas não temos este sistema para nada). Racionalmente, não achava que o Rio seria a melhor escolha.
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Só que não consigo ser só racional, aliás, acho que sou muito mais emoção. Quantas vezes chorei por uma conquista esportiva? Consegui realizar o sonho de ver o Brasil campeão Mundial de Futebol (obrigado Felipão!) no estádio e tive a emoção de ouvir o hino nacional brasileiro em uma conquista Olímpica em Pequim (Grande Zé Roberto!)> Chorei como criança nas duas. Chorei em outras.
E foi esta emoção que foi ditando meu dia ontem. Desde a fria apresentação de Chicago, passando bela apresentação brasileira, pelo magnetismo de Lula discursando em português. Vi a apresentação de Madrid toda (também foi emocionante). Quando a votação começou e o Rio foi avançando pensei: Fudeu! Esta bagaça vai ser aqui. Esperamos mais de uma hora até Jacques Rogge abrir o envelope. Nesta hora, devia ter umas 20 pessoas no controle. Eu, Maroca, Chafi gritando: Ninguém fala nesta porra! Foram segundos angustiantes. Quando o nome do Rio saiu parecia um gol de pênalti em final de Copa no último minuto do jogo (foi muito mais que o apito final do juiz, gol a gente não sabe quando vai acontecer. Pro fim do jogo a gente se prepara).
Ganhamos! Depois de um grito, arruma casa e vamos continuar a transmissão. Feliz mas sem deixar a emoção tomar conta. Tínhamos mais 3 horas de vivo e não dava pra fazer carnaval. Adrenalina lá no alto, mas concentração. Em Copenhage, Lula chorava feito criança. Aqui, na Itapiru, trabalho, muito trabalho. Deixei a lágrimas para a matéria do Bassan no JN, quando o cansaço era grande, a fome imensa, mas a felicidade maior.
Ontem começou um longo dia, que só deve acabar depois da cerimônia de encerramento dos Jogos Para-Olímpicos de 2016. Tenho absoluta certeza que vou ficar indignado pelos rumos das obras, pelos problemas, pela falta de fiscalização. Só que também tenho certeza que vou adorar fazer parte desta História. Vai ser bom demais.