Sinais de Fumaça
   Encontros

A EMI está colocando no mercado um DVD com o programa da TV Globo de 1988 com Paralamas e Legião tocando juntos.

Eu lembro bem daquele programa (exibido em 3 de setembro de 1998). Eram duas das minhas bandas preferidas tocando juntos, dividindo o mesmo palco. Imperdível!

Porra! Não tinha vídeo cassete, não tinha como gravar aquele programa mas algumas imagens ficaram a retina e o especial inteiro foi parar numa TDK 90 do gravador de mesa lá de casa.

O áudio era uma merda, mas tranqüilo! O que valia era ouvir os caras tocando juntos, lado a lado, olho no olho. Não tinha como não ficar chapado na frente da televisão. Já vi mais de 30 shows do Paralamas (alguns antológicos), vi o Legião 6 vezes, todas sensacionais mas o show do III no Ibirapuera foi especial e mágico (um dia escrevo sobre isso) mas não vi os dois in loco dividindo o mesmo palco. A chance era esta. E foi bem legal.

Naquele dia, o programa pode ter sido um pouco truncado, Renato tava com febre e com a voz meio detonada, o roteiro meio froxo, com uns buracos, com certeza, a apresentação dos Paralamas foi melhor, mas isso não tem a mínima importância. Era Paralamas e Legião. Herbert e Renato. Só isso vale desembolsar 50 reais para rever esta história.

Lembro que depois do programa  achei que faltou interação, queria ver mais os caras tocando juntos, mas não tinha como não ficar babando com “Ainda é cedo” e ‘Nada por mim”.

Na primeira, Renato dá um toque pro Herbert levar o ritmo e fica improvisando sobre os acordes. Quem viu um show do Legião sabe que muitas vezes “Ainda é Cedo” durava mais de 10 minutos com Renato cantando de Cartola a Doors. Desta vez a improvisação foi curta só com “Jumpin’ Jack Flash” e delciosa.

Na segunda era só os dois, Herbert na guitarra e Renato soltando a voz. Mesmo detonado, com febre, o cara emociona. “Nada por mim” é uma das melhores músicas de corno do planeta. Com 15 anos não tem como você não querer cantá-la a pleno pulmões.

Para mim este é o encontro entre os dois maiores letristas do rock Brasil. Eu acho que o Herbert escreveu mais que o Cazuza, Renato era simples, direto e traduzia a alma de qualquer adolescente, com certeza o maior da minha geração.



Escrito por Sinais de Fumaça às 18h48
[] []


 
   Virada Cultural

A última vez que gritei: ‘ toca Raul!” foi no mês passado no show do Kraftwerk. Fazia tempo que não gritava isso. Quando era moleque era uma maneira de sacanear algumas bandas durante o show. “Toca Raul” é um grito de liberdade em alguns momentos.

Quem vai estar em Sampa neste fim de semana para a Virada Cultural tem a obrogação de ir até à Estação da Luz para ouvir a discografia de Rauzito completa em shows antológicos. Vai ter Os Panteras tocando o primeiro disco do cara, vai ter Leno relembrando o primeiro trabalho que Raul produziu. Vai ter Edy Star interpretando “Sociedade da Grã-ordem Kavernista apresenta sessão das 10”. “Kri-há, Bandolo” com Nasi e “Panela do Diabo” com Marcelo Nova. Este último foi o único que eu vi com Rauzito vivo, em 1989 (se não me engano) no Olympia. Ele tava gordo, quase não se mexia mas era Raul e isso bastava.

Quando você tem 11 anos e descobre Raul isso te marca. Eu ouvi pela primeira vez numa fita cassete de um amigo que trazia “A arte de Raul Seixas”.

Não tinha como aquilo não me afetar. Como um cara tinha a coragem de misturar tudo e deixar tudo tão legal?

Tinha forró, baião, romântico, rock, tudo na mesma panela, tudo no mesmo caldo e tudo absolutamente genial. Raul me ensinou que você não precisa ter uma cara só, um som só, um estilo só. Você pode misturar tudo, pode gostar de várias coisas, de coisas opostas e isso foi sensacional. Raul me ensinou que existe beleza em outros ritmos, em outras coisas que não rock e que é possível se emocionar com isso. Foi ouvindo Raul que percebi que a música é universal.

Devo ter uns 10 disco do Raul em casa (mais os CDs). Confesso que já não ouço mais com tanta freqüência mas ainda me delicio (em momentos especiais) com o velho Rauzito. Se estivesse em Sampa daria uma passadinha para recordar alguns dos clássicos do Maluco e gritar sem culpa: “TOCA RAUL!”



Escrito por Sinais de Fumaça às 20h55
[] []


 
   I Can See for Miles

Uma das coisas mais legal do projeto 1001 foi me re-encontrar com sons que há muito tempo não ouvia.

Para quem não sabe o Projeto 1001 é parte do meu DNA nerd que baixou os 1001 discos que você precisa ouvir antes de morrer. Dos 1001, uns 400 eu já tinha, o resto foram baixados e depositados no GGZão (meu I-pod de 120Gb).

No meio de tanta coisa diferente tinha coisa que não conhecia, coisa que eu não gostava, coisa que eu ainda não gosto e muitos re-descobrimentos.

Nesta última semana, a fase não foi das melhores, muito tempo em casa, preso com alguns problemas de saúde, um verdadeiro saco. O bom é que minha companhia nessas tardes não foram os belos modelistos do Cleber Machado e sim o sensacional “The Who sell out”.

Acho que desde que mudei pro rio há 13 anos não ouvia este disco. Tinha em fita, lá em casa mas depois esqueci dele, não mais ouvi. Bom, esta semana me deu vontade de ouvir Who e mais precisamente “The Who sell out”. Acho que foi por causa do livro do Bil Graham que estou lendo: “Minha vida dentro e fora do rock”. As passagens com o Who são deliciosas e fiqueei com muita vontade de ouvi-los.

Que bela redescoberta. Passear pela colagens de anúncios falsos e belíssimas canções. Townshend está no auge da forma, Keith Moon e John Entwistle não deixam você descansar mas é o delicioso vocal de Roger Daltley que hipnotiza. Se você nunca ouviu ou se faz tempo que você não coloca este bolachão na vitrola (sorte de quem tem o bolachão com uma das capas mais legais da história do rock), embarque nesta viagem e se entregue.



Escrito por Sinais de Fumaça às 22h10
[] []


 
   Barulinhos

Demorei um pouco para baixar "It's Blitz!", novo cd dos "Yeah yeah yeahs". O disco vazou faz tempo e está em versão física há mais de um mês mas só agora parei para abrir meu arquivo e colocar no Ipod. Me arrependi de não ter feito antes. Na primeira audição, o disco desceu fácil, logo de primeira. Você já deve saber que as guitarras estão mais domesticadas e que a produção de David Sitek (TV on the radio) caprichou nos sintetizadores e efeitinhos. Com isso, o clima cresce e existe equilíbrio entre faixas prontas para pista e baladinha. Quem, assim como a minha amiga Barbara, ama a Karen O vai curtir até mais já que os vocais estão melhores e bem mais trabalhados. Os sussurros estão gostosos demais. Se você ainda não baixou não perca mais tempo, "It's Blitz!" não é um clássico mas garante bons momentos de diversão.



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h08
[] []


 
   Beijos

Em 1983, eu tinha 11 anos e minha mãe não me deixou ir ao show do Kiss em São Paulo. Quando você é criança você acha o máximo o Kiss. Caras pintados, babando sangue e fazendo música pesada. Pouco saiba da história da banda, queria mesmo era ver como seria o show daqueles malucos. Lembro de comprar uma revista Manchete que trazia fotos dos caras e de um show. A bateria era um tanque de guerra que atirava. Porra, para quem 11 anos isso é demais.

Movido pela frustração de criança fui a Apoteose na última quarta encontrar os palhaços da minha infância. Hoje, confesso que não tenho mais muito saco para o Kiss, quase não ouço mais os caras mas "Dressed to Hell" e "Destroyer" ainda passeiam pelo meu I-pod.

Não tem como negar que os caras com mais de 35 anos de carreira sabem como fazer um espetáculo. Fogos de artifícios, explosões, chamas, efeitos, tudo estava lá. desta vez a bateria não atirava, ela voava como um foguete. Pena que a chuva cancelou "'Love Gun" e os vôos de tirolesas de Paul Staley e Gene Simmons. O repertório foi bom, baseado no primeiro "Kss Alive". Os caras sabem como montar um set list e não tem como não cantar junto os refrões de "She", "Deuce", "Strutter" e "Shout It Out Loud". O fim da primeira parte do espetáculo com "Rock and Roll All Nite" tem todos os clichês de show de rock, explosões e chuva de papel picado. Tem horas que o clima é tão bom que você se pega num air guitar animado balançando como o trio no palco. Enfim, uma festa preparada para uma legião de fãs pintados, prontos para a diversão. Velhos barrigudos, carecas, moleques cheios de espinhas na cara e um monte de meninas de preto. E todos saíram da Apoteose felizes.

Só que olhando as máscaras brancas mais de perto as rachaduras são bem aparentes. Em duas horas de show são muitas as paradas para a banda respirar, a mobilidade já não é mais a mesma (mas tem que respeitar senhores beirando os 60 equilibrados em saltos plataformas) e por mais que eles se esforcem, por mais que pintem os cabelos e os pêlos dos peitos, o show foi arrastado. Não foi inesquecível, o melhor show da minha vida, mas valeu porque por alguns momentos voltei a ter 11 anos e para isso servem bandas como o Kiss.



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h00
[] []


 
   Tudo de novo mais uma vez

O U2 remasterializou seus discos em 2008, os Stones estão remasterializando seus discos para maio, os Beatles relançam seus discos remastealizados em setembro. Será que alguém tem alguma coisa nova para mostrar? Isso não importa, para fugir da crise, as gravadoras apontam mais uma vez para seu passado.

Velhas obras retrabalhadas, relançadas em belas embalagens, com encartes especiais, faixas bônus, versões originais, fotos, vídeos, brindes, um milhão de coisas para fazer você gastar mais uma vez com uma coisa que você já tem. O pior é que funciona. Em 9 de setembro, lá vou eu comprar mais uma vez a coleção completa do pessoal de Liverpool. Até lá, devo gastar uns reais com uns 4 ou 5 Stones, um dois U2s. Porcos desgraçados!!!



Escrito por Sinais de Fumaça às 15h11
[] []


 
   Impossível de responder

Uma daquelas perguntas que parecem banais mas não são:

- Quais são as 3 maiores bandas do rock?

Esta pergunta me foi feita minutos antes do show do Radiohead pelo amigo Thiago Gouveia. Eu tenho o maior problema para responder isso. As duas primeiras bandas são fundamentais na minha história: The Beatles e Ramones.

A primeira pela inventividade, importância, ousadia, liberdade de escolhas, poder transformador no mundo, por soar única e bela, por ter composto "A day in my life", por ter clássicos atrás de clássico. A segunda porque reinventou o básico, deu um soco na cara do mundo, acabou com o pretensioso rock progressivo, criou a fonte eterna da juventude, se manteve fiel e igual sempre, porque era rápida, furiosa, apaixonante e adolescente.

A terceira, sinceramente, não sei. Não consigo pensar. Pode ser o Led, os Stones, os Smiths, REM, U2, Iron, Motorhead, Nirvana, White Stripes e até o Flaming Lips. Não dá! Adoro muitas coisas, eu ouço muitas coias, eu me apaixono por várias coisas mas Beatles e Ramones são paixões eternas, Beatles e Ramones definiram quem eu sou.



Escrito por Sinais de Fumaça às 19h33
[] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Homem, Portuguese, Spanish, Música, e muita vida


HISTÓRICO



OUTROS SITES
 Bem me quer Mal me quer 2
 UOL
 UOL SITES
 Quizumba
 Sem Fim
 Lua 24 horas
 coisas de nada
 Bem me quer mal me quer
 021
 atonal
 Braun Cafe
 Comes e bebes
 Rio Fanzine
 Jam Sessions
 Gibizada
 Impopular
 Revoluttion
 Popload
 Senhor F
 Strawberry Fields
 Uncut
 Omelete
 Scream & Yell
 Um dia perfeito para os peixes-banana
 Calmantes com Champagne 2.0
 omelete