Sinais de Fumaça
   Olha o Boi



Escrito por Sinais de Fumaça às 18h59
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   Não me leve a mal

Daqui a pouco a folia começa. Tem bloco pra todo lado, tem desfile na televisão, tem trio-elétrico com um monte de gente pulando atrás, tem até Eugene Pierrobon desfilando de oncinha no Boi da Ilha na quarta-feira, quatro da matina, para a Sapucai vazia (acho que vai chover).

Chegou o Carnaval! Festa profana, os 4 dias onde ninguém é de ninguém, onde tudo é permitido e onde a alegria é obrigação. Prepare-se, encha a cara, coloque a fantasia e sai por ai fazendo festa. Eu nunca fui um grande apreciador mas isso não vem ao caso, todo carnaval tem seu lado divertido e pra mim o lado mais divertido destes 5 dias (hoje incluído) não acontece na rua, na Marquês de Sapucai, na Praça Castro Alves, nas ladeiras de Tiradentes e nem na ala das Onças do Boi. O melhor do carnaval acontece todo dia, a partir de 21h, quando a Rede TV! passa a apresentar o sensacional Bastidores do Carnaval, flash da "concentração" dos Sambódromos de Rio e São Paulo com as "melhores" 'celebridades" contando seus "projetos" e sua emoção para o desfile.

Vamos as explicações das aspas: "Concentração" não é bem o termo, já que eles só tem acesso até p portão de entrada dos Sambódromos, depois, onde a escola se arruma, não pode entrar. "Celebridades" também não é bem o termo já que os entrevistados passam por nomes como Angela Bismark, Adriana Bombom e qualquer capa da Sexy. Já Projetos passam por próximas plásticas, dicas para manter a forma e como vai ser o novo ensaio de nu "artístico" (aquele onde o clitóris aparece só em 95% das fotos).

Por todos estes detalhes, o Carnaval da Rede TV! com Nelson Rubens (o pai do cantor Ovelha) é a maior diversão do país e este vai ficar ainda melhor com a presença de Carla Peres com "repórter especial" (Meu Deus! mais uma aspas!) Salvador. Imperdível! Para alegrar a galera prometo umas fotinhos dos bastidores do Boi da Ilha na quinta. Vai ser sensacional!!!



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h40
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   PQ?

Por que eu preciso de um Ipod de 120Gb?

Muita gente perguntou isso. Muita gente achou loucura comprar um negócio destes.

-Você nunca vai conseguir ouvir tudo que está ai!

- Você vai passar a vida inteira para saber o que tem ai dentro!

- Você é louco!

- Você é um idiota!!!

Ouvi belas frases como estas e continuo ouvindo. O que as pessoas não entenderam até agora é que precisar eu não preciso. Que isso não é um genero de primeira necessidade. Comprei um Ipod de 120Gb porque quero ter a liberdade de ouvir o acorde final da orquestra em "A day in the life" quando eu quiser e de lá passear por Hendrix, Stones, Bowie, Iggy, Clash, U2, REM, Strokes, Franz, e depois voltar para Sinatra e fazer tudo o que minha cabeça mandar.

Ter um brinquedinho como este funciona como a realização de um sonho de menino quando descia para férias em Caragua e deixava meus discos em Sampa. Não tinha como descer com vários discos, um bom aparelho de som, etc. O carro já ia lotado com malas, compras, bicicletas, TV e mis uma tonelada de coisas, espaço para discos nem pensar. Descia com duas caixinhas pretas recheadas com 24 fitas de 90 com o melhor do melhor mas sempre ficava muita coisa.

Bom, eu comprei um Ipod de 120Gb para resolver isso. Para alimentar a minha loucura e me fazer um cara mais feliz.



Escrito por Sinais de Fumaça às 19h22
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   Fitas

Uma das coisas que perdi durante a vida foram quase todas as minhas fitas cassetes. Não sei o que aconteceu, como elas se perderam, mas pequenos tesouros sumiram e não sei onde estão.

Minhas primeiras fitas eram aquelas basfs de 60 minutos, amarelas e pretas, que eu usava em um gravador gradiente e enchia de sons direto da TV. Tinha 10 anos e não tinha como mexer no 3 em 1 de casa. Elas eram recheadas de sons dos primeiros programas de clips. A minha preferida tinhas 3 músicas do Kiss que ouvia junto de um cachorro latindo e um choro de uma criança (provavelmente do vizinho).

Quando ganhei meu primeiro rádio portátil a coisa começou a ficar profissional. Gravava tudo o que a Jovem Pan transmitia, mais tarde a fonte era a 97 e a 89. Amava um programa chamado 89 decibéis. Também gravava disco de amigos e, aos poucos, fui montando uma boa fitoteca.

Quando ganhei meu primeiro rádio com dois tape-decks (o máximo da tecnologia) a coisa quase ficou profissional. Montava coletâneas para levar nas férias e para amigos. Brincava muito com sons e passava horas criando sets lits de shows perfeitos. Nesta época também conheci duas lojas que gravavam disco e coletâneas em fitas, um tesouro que permitia algumas extravagâncias, aumentando a coleção.

Entre as fitas que mais amava estavam duas com shows da Legião transmitidas pela 89 (com improvisações do Renato Russo), um show do Paralamas sensacional, duas TDK 90 com vários shows do aniversário da Jovem Pan FM (acho que 1984) com Caetano, Lulu Sanos, Lobão, etc, uma outra TDK 90 com os três primeiros discos dos Ramones (adquiridos depois), uma super-especial com um show do Ira! no Centro Cultural (gravada direto da mesa de som e copiada graças ao operador de som que era meio conhecido meu na época, porque ia ao CCSP quase toda semana) e uma velha basf de 60 que na sua versão final tinha o primeiro disco do Violeta de Outono, uma sequências de sons dos Smiths e, abrindo o lado B, uma gravação a capela de 1984 de uma menina que eu era apaixonado (Ana Laura) cantando uma balada linda.

Hoje, preso no trânsito a caminho do trabalho, me veio a melodia da música e lembrei desta velha fita mas não consegui lembrar da letra. Lembrei que eu e o Ricardo pedalávamos 10 km todos os dias para ir a colônia de férias em Caraguá brincar. Lembrei que me tornei muito amigo da Ana Laura logo no primeiro dia que nos conhecemos. Lembrei que gravamos esta música no apartamento da colônia com quase toda turma super quieta, como se estivéssemos gravando um single profissional. Lembrei que imediatamente aquela música virou hit na colonia e marcou o meu verão de 84. Lembrei que na última vez que encontrei a Ana foi em 87, na estação Tietê do Metrô, por acaso e que conversamos até ela pegar o ônibus para o Jaçanã. Lembrei que ela ficou vermelha quando lembrou da história e que eu fiquei devendo uma cópia da música (não paguei esta promessa até hoje.). Enfim, lebrei um monte de coisas mas da letra não lembrei. Perdi na minha cabeça e agora, infelizmente, vou ter que confirar nos meus poucos neurônios para, quem sabe, um dia reativar alguma ligação dentro da minha cabeça e recuperar esta canção, já que esta fita se foi, perdia no tempo, junto com uma parte gostosa do meu passado.

 



Escrito por Sinais de Fumaça às 19h49
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   RIP

Lux Interior morreu durante as minhas férias. Li com atraso, no jornal, já que passei o último mês longe dos micros. Sei que algumas pessoas sentiram a perda de Lex. Pessoas especais que tiveram a sorte de se deparar com um dos caras mais fantásticos da história do Rock. Cainho, velho amigo de guerra, deve ter colocado uma velha fita no som para relembrar um pouco o maravilhoso som dos Cramps. Este cara vai fazer falta.

Com 13, 14 anos, não tinha grana para comprar discos, não tinha conhecimento para ler revistas em inglês mas amava música e tinha um apetite voraz para descobrir novos sons. Era meio um Obelix no meio de javalis. Nestes banquetes sempre me chamaram atenção os pratos estranhos, com combinações diferentes. Nunca gostei de sons de FM e quanto mais aprendia mais ficava fascinado por sons sujos e simples. Os chefs eram amigos mais velhos, irmãos de amigos, caras com pequenas coleções de discos (quase todos importados). As vezes, uma fita aparecia na roda com discos ou coletâneas de coisas que eram, até aquele momento desconhecidas. Foi numa destas que ouvi uma música do Cramps: "I Was a Teenage Werewolf". Aquele som bateu de primeira, foi devorado como um belo x-burger com muito bacon. A melhor Junkie food de todas. Era bom demais. Não sabia quem era a banda, como os caras eram (não dava para dar um google ou baixar alguma coisa, em MTV existia) mas isso pouco importava. Imediatamente pedi para gravar o disco inteiro daquela banda e tentar encontrar alguma coisa nas revistas da UCBE.

A fita chegou logo com o set list datilografado (coisa de profissional). As primeiras imagens vieram no dia seguinte, quando encontrei um disco dos caras (acho que na Hi-Fi). Depois de um tempo consegui gravar mais dois discos do Cramps e comprei meu primeiro disco dos caras em 1990. Devo confessar que não tenho mais as fitas, o disco ainda repousa em Sampa, junto com a minha modesta coleção, mas tenho a discografia dos caras no computador e, ontem, depois de voltar de férias, coloquei "Songs the Lord taugh Us" e sai chutando tudo em casa (quase me deu vontade de colar um salto alto).



Escrito por Sinais de Fumaça às 21h13
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