Sinais de Fumaça
   Suado na Marina

Quando a escalação do Tim Festival saiu escolhi os dois shows que gostaria de ver. Gossip e Paul Weller. Para a minha sorte deixei para comprar os ingressos na última hora. Meus dois shows foram cancelados. Não veio ninguém para o lugar do Gossip e não teria o mínimo saco para ver Roberta Sá e Arnaldo Antunes no lugar de Weller. Cheguei até em pensar em não ir este ano. Comprei o Planeta Terra e já estava satisfeito em ver Jesus & Mary Chain e Kaiser Chiefs, mas não consigo ficar fora do festival, rock n' roll é a minha cachaça e dois dias antes do Tim comprei ingressos para National e MGMT e para a noite de sábado (este mais por insistência da Pepa que queria ver o Gogol Bordello).

E ainda bem que ela insistiu! Sábado foi inesquecível. Mas antes da loucura vamos ao bom e velho rock n' roll. O National tem um belo disco "Boxer" e é bem verdade que pouco vai acrescentar na história da música, mas isso pouco importa. A banda fez um belo show, com peso e garra. Lembra Joy Division com nuances de Arcade Fire, o show foi "orgânico", com o tesão que uma boa banda de rock tem que ter. Gostei pra cacete. è bom ver um show assim, simples, direto, cheio de peso e sensibilidade. Show de banda.

 

Na sequência veio MGMT. Seus maiores sucessos têm uma pegada mais eletrônica, a cara do novo rock. Não me agrada tanto. O Show foi tranquilo e a platéia era da banda. Músicas com "The Youth", "Electric Feel" e "Time to Pretend" levantaram a tenda e "Kids", fechou a noite em grande estilo. Show ganho e platéia suada e feliz. Mas ficou uma pergunta: Por que o guitarrista de apoio que a banda trouxe ao Brasil não está tocando em uma banda de Heavy Metal. Ele tem visual de metaleiro, pose de metaleito, toca com metaleiro, mas esqueceu o pedal de distorção em casa e acabou no MGMT.

No fim da sexta, ainda deu tempo de curtir o Village com o Instituto tocando Tim Maia Racional. Foi interessante, pena que a improvisação do Mc eram chatas demais. Não precisava.

 

No sábado, abri mão do Klaxons e Neon Neon. Pelo que ouvi o show da outra banda e Gruff Rhys foi muito bom, mas optei em chegar mais tarde com dois objetivos. Ver o show do Gogol Bordello (por quase imposição da Pepa) e acompanhar a performance do DJ Dan Deacon. Eu não sou fã de música eletrônica mas lí muito sobre os shows "interativos" deste maluco de Baltmore, principalmente a apresentação no Coachella e vi alguns filmes no you tube e fiquei com muita vontade de ver.

 

Quando os ciganos do Gogol entraram no palco, logo depois dos primeiros acordes, agradeci a Pepa por me levar. O show dos caras é farofa e sensacional. Energia pura, do palco, sensacional! Eugene Hütz é uma figuraça. O que os caras fizeram no Tim foi empolgante. Um show de punk cigano, músicas cheias de energia, uma banda se divertindo com tudo, gente dançando, pulando, suando pra cacete . Teve e gente cantando (que porra de idioma era aquele?), muita cerveja voando, backing vocal bizarras, um violinista (Sergey Ryabtsev) engraçado pra cacete, um front man de primeira e som pra lá de bizarro, trash e deliciosamente bom. Uma catarse coletiva. Um show que você lamenta quando acaba mas deixa a tenda sorrindo.

 

Não deu muito tempo para se recuperar do Gogol. Saímos em busca da tenda do Dan Deacon. Chegamos no fim do Juniors Boys (dizem que foi bom) e esperamos a mesa do Dan ser colocada no meio da galera. Quando o gordinho começou a mexer nos nos seus aparelhos a brincadeira começou pra valer. Ele brigou com o cara a luz, que insistia não iluminar a mesa, abandonou o som e meteu bronca. Tudo resolvido começou a interatividade. Concurso de dança, com direito a Barbara abrindo a pista, roda, corrida, túnel de quadrilha, etc. O gordinho criava a coreografia e voltava para mesa. Bits, vocais distorcidos e muita energia. Depois de dançar, correr, participar da "quadrilha' e pular muito, passei a acompanhar a performance de Deacon a lado do DJ, vendo ele comandar a galera e operar seus controles, foi sensacional. Sai suado e feliz. Valeu a noite. Se o Tim prometia ser morno, o sábado fez ele ferver e muito.



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h17
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   No Rio

Das eleições municipais de ontem, a eleição carioca foi sem dúvida a mais prazerosa a ser acompanhada. Apenas 55216 separaram Eduardo Paes de Fernando Gabeira. O candidato do PMDB teve 1.696.195 votos contra 1.640.970 votos do candidato do PV. Percentualmente Paes venceu por 1,66%. Eduardo Paes venceu em 61,68% das urnas,. Suas vitórias mais expressivas foram nas zonas eleitorais que envolvem: Campo Grande-Cosmo-Santa Cruz-Inhoaíba (69,39% - 30,61%) e Campo Grande-Cosmo- Santa Cruz (66,06% - 33,97%). Já Gabeira teve suas vitórias mais expressivas nas zonas: Jardim Botânico-Lagoa (75,86% - 24,14%) e Cosme Velho- Lagoa (75,82% - 24,19%). eduardo Paes teve uma vitória superior a 60% em 18 regiões eleitorais (todas na Zona Oeste), já Gabeira venceu com margem superior a 705 em 14 regiões (13 na Zona Sul, Centro e Tijuca) e superior a 60% em 7 regiões (incluindo uma na Zona Norte e Barra).

3.652.115 eleitores compareceram as zonas eleitorais mas o índice de abstenção foi superior a 20% (927.250 - 20,25%). Percentualmente, a eleição carioca só perdeu para a eleição em São Luiz onde 21,33% dos eleitores não votaram (636.914 eleitores). Esta abstenção foi fundamental para a derrota de Gabeira?

Numa análise fria dos números pode-se dizer que sim. A abstenção foi maior na Zona Sul (255%) reduto de Gabeira e menor na Zona Oeste (17%) região que votou massisamente em Eduardo Paes. Mas eu não acredito. Numa eleição polarizada como este quem se ausentou da votação não demonstra nenhuma consciência política e não foi conquistado por nenhum dos dois candidatos. Pessoas com este perfil tendem mais a votar (obrigadas) em Eduardo Paes que em Fernando Gabeira.

Acredito que Gabeira representava uma proposta mais ousada de governo, uma aposta mais arriscada para a cidade. Quem prefere ficar fora de uma eleição dificilmente arriscaria ou optaria pela ousadia. quem fica fora de uma eleição desta não quer mudanças, não quer transformação, quer conformidade, dependência. Quem fica fora da eleição, quem opta por uma viagem ou um domingo de praia não se importa com política, acredita que políticos são todos iguais, que nada adianta o voto, que tudo vai sempre ser como é. Este tipo de gente não é um eleitor de Gabeira, por mais que os eleitores de Gabeira (em um segundo turno) não tenham mais uma cara de transformação e ousadia. Mesmo assim, não acho que quem prefere intencionalmente ficar fora de um momento como este, se fosse votar, optaria pela aposta de menor risco, e esta aposta era sem dúvida nenhuma Eduardo Paes.

Então porque Gabeira perdeu? Ele não perdeu pelo fator mudança. A pequena diferença ente ele e Paes se deu pelo medo da mudança. É muito mais fácil optar por algo que conhecemos. Geralmente não arriscamos e, quando menor a consciência política, menor a chance do risco. Isso pesou na candidatura Gabeira.  Isso e a ausência de Caetano (que estava em Roma e não votou).



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h05
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   Que troca!!!

A organização do Tim Festival confirmou a participação dos cantores Arnaldo Antunes e Roberta Sá na escalação do evento deste ano. Os dois se apresentam no palco Bossa Mod no lugar do inglês Paul Weller.
As apresentações acontecem em São Paulo, na quinta-feira (23), e no Rio de Janeiro, no sábado (25). O ex-Los Hermanos Marcelo Camelo também toca nas duas noites.
As entradas para o show em São Paulo já estavam esgotadas. Ainda há ingressos para o evento carioca por R$ 140. Você se habilita?



Escrito por Sinais de Fumaça às 17h02
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   Espetinhos de Mao

"Uma vez na China você se depara, a cada e-mail recebido ou a cada telefonema para o Brasil, com a seguinte pergunta: “E aí, já comeu escorpião?...”

Tá no delicioso Braun Café da grande amiga Daniela Brawn, editora chefe do IDG Now e comentarista da rádio CBN. A Marica só não teve coragem de publicar esta foto:

 



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h15
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   Over the Rainbow

Se estivesse em Sampa votaria em Marta no primeiro turno e no segundo dia. Só que há 4 dias, eu decidi que se anularia o voto no segundo. Anularia por um fato simples: A propaganda eleitoral da candidata Marta questiona se o seu adversário Kassab é casado e tem filhos. O que é isso/ que desespero é este?

Não posso suportar uma atitude destas. Ainda mais de alguém que deveria saber lidar com a diversidade. Em 1989, Fernando Collor de Mello (atual senador da República) atacou e então candidato Luiz Inácio Lula da silva com a história de sua filha "abandonada" e de Lula só fingir gostar de negros.

Hoje, 29 anos depois, é a vez de quem foi agredido perguntar se Kassab tem filho e é casado. Será que esquecemos a História. Será que não aprendemos com os erros? Alguém na campanha de Marta pode acreditar que uma pergunta como esta pode reduzir os 17 pontos de diferenças entre os dois? Outra, será que a candidata não sabe lidar com a ironia? O que ela anda fazendo com o CQC é ridículo. Um político tem que estar preparado para qualquer pergunta. Vide Paulo Maluf.

Atitudes como esta mancham para sempre a história de um candidato e de um partido. Dia 26 de outubro vou aqui no Rio, mas se estivesse em Sampa anularia o voto com prazer.



Escrito por Sinais de Fumaça às 15h40
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   Animal Político

Me assusta da forma rasteira que os analistas políticos observam as eleições municipais. Tudo é muito raso, muito simples. Ontem a noite, durante mais de 6 horas, não ouvi de nenhum analista em nenhum canal uma análise que não fosse a óbvia leitura simplista dos números. Entre os comentaristas, nenhuma voz dissonante, nenhum pensamento contrário, apenas verdades absolutas. Entre elas, a que mais me incomoda é apontar o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, como o maior derrotado do pleito.

Algum analista político consegue acreditar que Solange Amaral era a aposta de Cesar Maia para mais 4 anos de mandato a frente do Governo Municipal? alguém pode acreditar que Cesar Maia realmente entrou na disputada eleitoral deste ano para vencer? Eu não consigo acreditar nisso.

Cesar Maia é um dos mais experientes políticos nacionais e comanda o município do Rio e Janeiro há 16 anos. Seu herdeiro político é seu filho Rodrigo Maia. Depois de 16 anos, Cesar Maia sabia muito bem que seria impossível (com o atual quadro de candidatos e sem a intenção de Rodrigo assumir a prefeitura) continuar comandando a cidade. Por isso, Cesar "apoiou" Solange. O resultado era o esperado e não vai abalar em nada o ex-prefeito, que em dois ou quatro anos vai estar de volta com muita força.

Cesar deixa o comando executivo da cidade, mas a base de apoio do perfeito ainda vai comandar a Câmara Municipal. O DEM, partido do atual perfeito, tem a maior bancada da Câmara com 8 vereadores. Ok, o DEM perdeu 6 vereadores em relação a 2004, mas a base continua sendo maioria nas votações. Onde está a derrota do de Cesar Maia?

Outra análise rasa é voltar as pesquisas pré horário eleitoral. Muita gente busca estes números para as análises finais: Fulano tinha 90% de intenções em julho e agora terminou com 10%. Será que nestes quase 30 anos de retomada da democracia ainda não aprendemos que eleição começa no dia que a programação de TV é interrompida e vai aumentando em interesse a cada semana até a eleição? Tendências de alta e baixa das últimas duas semanas pré eleição só são revertidas com fatos especiais (uma grande denúncia, uma grande declaração de preferência desagradável) do candidatos, etc). Conforme o interesse pela eleição vai tomando conta da conversa das pessoas, conforme as pessoas apolitizadas vão buscando informação já que vão ter que votar mesmo, os panoramas vão se delineando. Antes temos uma pesquisa de popularidade, ficamos sabendo quem é mais "celebridade", 15 dias antes do pleito temos panoramas definidos pelo tempo de TV, pela inserção nos noticiários e pelo bate-papo entre familiares e amigos.

Isso explica a subida de Gabeira e sua ultrapassagem sobre Crivella. O senador sofre com pouco tempo no horário eleitoral e com o altíssimo índice de rejeição. Ele tem cerca de 15% do eleitorado da capital e não consegue romper esta barreira. Quem antes dizia ser Crivela, no memento que o Bispo liderava as pesquisas, afirmava mais pela familiaridade do nome. vale lembrar que Gabeira não roubou votos de Crivela, estes votos foram roubados por Eduardo Paes. Gabeira roubou voto de Jandira, Chico, Molon e, por mais incoerente que pareça, do próprio eleitorado de Paes. O que aconteceu no Rio, com a presença de Eduardo Paes na frente das pesquisas eleitorais, foi a criação de um sinal verde aos eleitores (principalmente a classe média) em votar em outro candidato para tirar Crivela de um segundo turno. Este movimento se deu no momento de crescimento de Gabeira que aglutinou esta tendência.

Por isso, se existiu no Rio um derrotado político, este derrotado foi o Senador Crivella.



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h47
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