O Oscar é uma das festas mais chatas da história da humanidade. Os números musicais do Oscar só não são mais chatos que tratamento de canal sem anestesia ou vasectomia a seco. Mas já faz um tempo que o bolão do Oscar movimenta o dia da festa e deixa o espetáculo muito mais interessante.
Ontem, em casa, fui derrotado pela gloriosa Barbara Bassanesi, eterna lanterna da competição, por dois míseros pontos. Maldito documentário de curta metragem. Como a Academia pode escolher Freeheld e não premiar Sari's Mother? Isso é incompreensível. Sari's Mother é muito melhor, mais bem fotografado, mais bem dirigido, com o roteiro muito mais bem resolvidos. Esta escolha equivocada da Academia tirou meu bi-campeonato, meu quatro título em 5 anos.
O que me deixou infeliz não foi a derrota mas a constatação que apenas eu votei com a paixão. O problema é que cada vez mais as pessoas de casa tem adotado a tática do Oscar de resultado. As pessoas tem abdicaram do Oscar ofensivo, aquele Oscar mágico, que mexe com o coração e votam com a razão. Veja o exemplo de ontem: nenhuma mulher votou em Juno como melhor filme (embora fosse o queridinho delas e um filme feito para agradar as mulheres). Elas reprimiram os sentimentos e preferiram jogar ma retranca elegendo Onde os fracos não tem vez. O filme dos irmãos Coen é um filme de homem, feito para os homens, que não tem a mínima chance de agradar uma mulher. Mas em nome da vitória a qualquer preço, em nome da conquista acima de tudo, por uma breve sensação de vitória fugaz, elas deixaram o sonho morrer. Uma pena!
No carro, um destino vendado e indeterminado. 10 minutos depois, paredes vermelhas e uma deliciosa surpresa. Brusquetas, quiabo com camarão semicozidos, robalo com purê de milho doce, raviolis de cogumelos com paçoca, pato com frutas, tortinhas de frutas vermelhas e uma deliciosa bandejinha de doces, tudo acompanhado de um delicioso vinho italiano e da melhor das companhias. com vários sabores, o presente de aniversário foi degustado, aos poucos, em agradáveis horas no Jardim Botânico.
Eu tenho duas das 55 milhões de cópias vendidas em Thriller vendidas em todo
planeta. Uma um velho vinil que repousa em São Paulo junto da minha coleção,
outro um Cd com alguns bônus lançado muito tempo depois.
Neste quarto de século, Michael deixou de ser o rei do pop para se
transformar em um ET cinza que come criancinhas. Há mais de uma década ele não
faz uma música boa e está cada vez mais louco, falido e sem direção mas em 1983
ninguém era maior que Michael. Em 1983, ele era imitado em todo mundo. No Brasil
programas de auditório faziam concursos de imitadores com jaquetas vermelhas e
luvas de lantejoulas que reproduziam os passos e trejeitos do astro nos clips.
Muito maior que o mérito musical, Thriller tem o mérito de ter inventado uma
nova linguagem. O vídeo-clip nasceu com Thriller uma obra de 14 minutos dirigida
por John Landis que custou 800 mil dólares. Na sequência vieram clips de Beat
it, Billie Jean e The Girl is Mine.
Confesso que este não é um dos meus discos favoritos mas há 25 anos eu era um
moleque de 11 anos, que acabara de mudar de colégio, que tinha uma vitrola de
malinha e poucos, muito poucos disco. Já começava a ouvir os primeiros ruídos
Heavy mas ainda curtia muito meu disco do Queen e da Blitz.
Acho que foi minha avó que me deu o disco. Lembro que gostei de cara de três
músicas: Beat it, Billie Jean e The Girl is Mine. Thriller eu achava muito
chata, muito melhor no vídeo. Lembro que a guitarra de Eddie Van Hallen em Beat
it me fez (não intencionalmente) gostar de um som que não estava muito
acostumado.
Um ano depois não ouvia mais Thriller, já era apaixonado pelos "Deuses do
Metal" e passava a ouvir ruídos punks e pós-punks nas matines. O disco ficou
esquecido quase no fim da fila de Lps (sempre organizadas por ordem de
preferência) que crescia. Redescobri Thriller em uma liquidação de Cds.
Encontrei Thriller e Off the Wall com bônus quase de graça há uns 10 anos.
Depois de muito tempo me reencontrei com a bela produção de Quince Jones e
cheguei a conclusão que Michael nunca vai fazer um disco como este.
Agora 25 anos, eles lançaram uma nova versão, com sete canções a mais: seis
remixes assinados po Kanye West, Akon, Fergie e Will.i.am (todas muito chatas),
e uma faixa inédita retirada das sessões de gravação de origem. Não vou comprar
mas já baixei e posso garantir que 25 anos depois Beat it e Billie Jean
continuam empolgando qualquer pista.
Maior surpresa do Oscar deste ano, Juno, pré-estreou no Brasil este fim de
semana. Uma produção independente, com baixo orçamento, extremamente simples e
bem feita.
Juno conta a história de uma adolescente que engravida aos 16 anos. O difícil
tema (muitas vezes considerado tabu) é tratado com simplicidade (as vezes até um
pouco demais) e muita agilidade. A grande qualidade de Juno é conseguir escapar
de armadilhas fáceis. O filme poderia ser ser uma comédia banal e rasa, cheia de
piadinhas, pronta apenas para divertir, ou poderia, se a roteirista Diablo Cody
quisesse, ser um daqueles dramas insuportáveis americanos, escorregando para uma
história melodramática e para a exploração de sentimentos. Mas Diablo Cody,
pseudônimo da excêntrica Brook Busey (que já foi strip profissional e trabalhou
(de roupa) para Spilberg), soube contar a história com os olhos de uma menina de
16 anos. As vezes tudo é simples demais, outras cheias de dúvidas obscuras,
quase sempre de forma rápida, muito rápida e com um humor peculiar.
O belo roteiro é bem amarrado e conduzido por Jason Reitman (Obrigado por
Fumar). Jason teve o talento de deixar Ellen Page (X-Men e MeninaMá.com) livre
para criar sobre uma base pré-estabelecida de Juno. Eles trabalharam diálogos de
Ellen, nas reações da personagem e chegaram até a trocar idéias sobre a trilha
sonora (que já foi baixada e esta tocando há dois dias no meu i-pod). Esta
independência rendeu uma indicação de melhor atriz para Ellen e faz com que você
se apaixone por Juno logo nos primeiros minutos de um filme despretensioso e
extremamente saboroso.
Sou fã de Fidel e acho que as críticas a Cuba deveriam ser pensadas a partir da nossa realidade. Para a maioria da elite deste país é muito fácil condenar a ditadura Fidel, afirmar que os cubanos não tem liberdade para viajar, deixar o país quando bem desejar, que não podem escolher seu destino mas algumas questões devem ser levantadas: Vivemos nós em uma democracia plena? Temos nós mais conquistas que os cubanos? Damos a todos os nossos cidadãos a mesma liberdade? A grande maioria da população do nosso país vive democraticamente? Temos acesso a tudo que o nosso sistema de bens de consume oferece? Podemos (todos) pensar em viver em outro lugar ao abandonar o Brasil para imigrar? A maioria da nossa população pode pensar e expressar? Damos esta condição a todos?
Condenamos a falta de voto, de sabonete, de vários sabores de sorvetes, de Tvs de plasmas e de carros modernos nas ruas de Havana. Condenamos a falta de possibilidade da população cubana viver como os brasileiros moradores de Ipanema, Leblon, Morumbi e Vila Nova Conceição, mas esquecemos que há muito tempo eles deixaram de viver como os brasileiros de periferias tão próximas a estes nobres bairros.
Este é um longo artigo (com transcrições de artigos da EFE e Folha) pretende não ser opinativo, apenas quero mostrar um pouco da História, mas gostaria de convidar os leitores a pensar se muitas das críticas feitas ao sistema de governo cubano não deveriam serem feitas a maioria dos sistemas existentes. Democracia não se pode comparar a ditadura. Liberdade é a maior das conquistas. MAs estas duas palavras: democracia e liberdade podem ser empregadas em que lugar do mundo? Em que país? O que aconteceu em 2000 nos EUA foi democrático? O Mundo não é tão claro quanto parece e ele pode ser muito mais escuro se você não for parte de uma elite terceiro mundista.
Transformações para o Bem e para o Mal
Chega ao fim a Era Fidel. Nascido em uma Revolução, o Governo de Fidel inspirou gerações. Em quase 50 anos, Fidel Castro teve um governo com grandes conquistas sociais mas sem democracia. É visível os avanços de Cuba nas áreas de educação, saúde, redução de miséria e emprego assim como não se pode negar a falta de direitos humanos, liberdade de expressão e democracia na ilha.
A história da América Latina é marcada por vários (se não quase em toda sua totalidade) períodos anti-democráticos e nenhum destes períodos conseguiu uma transformação social tão grande quanto em Cuba. O Chile caminhava para um transformação social baseada na democracia mas este sonho não se concretizou, foi abortado a tiros. No Brasil, durante o século XX, vivemos mais de 35 sob uma ditadura e, em nenhum dos 100 últimos anos (com o sem democracia) conseguimos transformar nossa sociedade.
Os números sociais de Cuba são impressionantes. De acordo com pesquisa da Pnud, organismo da ONU, o índice de pobreza de Cuba entre os 102 países em desenvolvimento pesquisados era o sexto menor em 2004.
Segundo a ONU, em 2003, a mortalidade infantil de Cuba era de 6,2 habitantes para cada 1000 (no Brasil, o índice era de 28,6 por 1000). Dados da Unesco em 2002 relatavam que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% das brasileiras). Em 2006, Cuba obteve a 50ª colocação no ranking de IDH, situada entre os países de alto desenvolvimento humano (o Brasil é o 69º). A mesma pesquisa colocava o índice de analfabetismo cubano em 0,02% da população (no Brasil, a taxa era de 13,7%).
A CIA, central de inteligência americana, que organiza o "World Fact Book", um levantamento anual de dados sobre os países do mundo, estimava em 1,9% o desemprego em Cuba. No Brasil, segundo a mesma fonte, o índice era de 9,6% no ano passado. Ainda de acordo com o "World Fact Book", a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos -contra uma esperança de 71,9 anos no Brasil.
De acordo com a própria CIA, os índices de criminalidade e de tráfico de drogas na ilha são "muito baixos". Estes números ainda mais impressionantes se considerarmos que Cuba perdeu seu principal parceiro econômico em 1991 (com o fim da União Soviética) e sofre com o embargo econômico dos Estados Unidos.
Outro lado
As principais críticas a Cuba vem da falta de democracia. Durante seu governo, a ditadura Fidel trabalhou com a convicção de que o movimento revolucionário só sobreviveria se Cuba estivesse unida, ou seja, se não tolerasse dissidências. Em nome desta "união", centenas de dissidentes foram mortos nas últimas 4 décadas. O regime cubano realizou julgamentos em praça pública, como o de Jesús Sosa Blanco, acusado de matar dezenas de camponeses, foi condenado à morte por milhares de inflamados revolucionários em um ginásio de esportes antes de ser executado.
Tribunais desse tipo foram extintos, mas execuções, ainda que em ritmo mais lento, prosseguiram até o século 21. Em 2003, o regime fuzilou três acusados de seqüestrar uma embarcação. A detenção de dissidentes políticos tampouco acabou: em 2005, eram cerca de 300 os prisioneiros por motivações ideológicas.
Um dos maiores focos de críticas ao regime cubano é o fato de não haver qualquer sistema para a substituição do dirigente máximo do país.
Apesar da ausência de eleições para a definição do governante, pleitos minoritários ocorrem periodicamente. Há dois tipos de votação popular, para a escolha de delegados das Assembléias Municipais e dos deputados para Assembléias Estaduais e para a Assembléia Nacional.
No país, há apenas um partido político, o Partido Comunista Cubano (PCC). Entretanto, as eleições são dissociadas do PCC: candidatos apresentam-se e são eleitos individualmente, o que significa dizer que não-filiados ao PCC podem ganhar cargos.
"Esta revolução pode ser destruída. Nós poderemos destruí-la se não formos capazes de corrigir nossos erros. Se não conseguirmos pôr fim a muitos vícios: muito roubo, muitos desvios e muitas fontes de abastecimento de dinheiro dos novos-ricos"
"Isso já não é somente uma questão de princípios ou uma questão de ética, mas é, inclusive, de certo modo, uma questão de estética. Estética em que sentido? Penso que a revolução é uma obra que deve ser aperfeiçoada; em suma, é uma obra de arte"
"Com a Revolução, o povo começou a ser soldado, funcionário, administrador, parte da ordem social, do Estado e da autoridade. De modo que, se em princípios do século 18 um rei absolutista da França pôde dizer: 'O Estado sou eu', em 1959, quando triunfou a Revolução e o povo chegou ao poder, se armou e defendeu o país, então o cidadão comum pôde dizer: 'O Estado sou eu'"
"Desenvolvemos uma guerra de movimento, como já disse, de atacar e retirar-se. Surpreendê-los. Desenvolvemos a arte de confundir as forças adversárias, para obrigá-las a fazer o que queríamos"
"A nossa revolução é um exemplo do que significa acreditar nos homens, porque nossa revolução começou do nada. Não tínhamos uma única arma, não tínhamos um único tostão, os que iniciaram a luta eram completamente desconhecidos e, ainda assim, enfrentamos aquele poderio"
O Socilalismo e a URSS
"Em certo ponto, chegamos à conclusão de que, se fôssemos diretamente atacados pelos EUA, os soviéticos jamais lutariam por nós"
"O socialismo não chegou aqui por clonagem, nem por inseminação artificial. Eu não conhecia, em janeiro de 1959, um único soviético"
"Não sei o que pretendem com essa coisa tão ridícula. Não tenho nem um centavo meu, não administro um centavo. Terei a glória de morrer sem uma divisa convertível"
Guerra Fria
"Na URSS houve fenômenos históricos que não ocorreram aqui. O fenômeno do stalinismo não se deu aqui; não se conheceu nunca no nosso país um fenômeno dessa natureza, de abuso do poder, de autoridade, de culto à personalidade. Aqui, desde o início da Revolução, foi feita uma lei que proibia pôr o nome de dirigentes em uma rua, em uma obra, em uma estátua. Aqui não há retratos oficiais nas repartições públicas" Em "Biografia a duas vozes" "É o que queremos ser: comunistas! É o que queremos continuar sendo: comunistas! Essa é a nossa vanguarda, uma vanguarda de comunistas! Esse é o nosso Congresso: o Congresso dos comunistas e de um povo que o apoio, um povo de comunistas. Não existiu, nem existe nem existirá força no mundo capaz de impedi-lo"
Sua Fortuna
"Ao longo dos anos, a influência, o poder, em vez de irem me transformando negativamente, a cada dia sou menos vaidoso, menos pretensioso, menos auto-suficiente".
Autoavaliação, legado
"O que é um ditador? É alguém que toma decisões arbitrárias, unipessoais, por cima das leis, que não obedece a nada além de seus próprios caprichos ou sua contade. Eu não tomo decisões unipessoais. Este não é sequer um governo presidencialista. Nós temos um Conselho de Estado. Minhas funções de dirigente fazem parte de um coletivo. As decisões importantes são analisadas, discutidas e sempre tomadas coletivamente. Não posso nomear nem o mais humilde funcionário público"
"Sou contrário a tudo que possa parecer um culto à personalidade, e você pode constatar, eu já falei disso, que neste país não há uma única escola, fábrica, hospital ou edifício que tenha meu nome. Não há estátuas minhas e praticamente nenhum retrato meu"
"As próximas gerações nos verão como vemos o homem primitivo, tenho essa convicção. Talvez se recordem de uma etapa histórica em que a humanidade quase desapareceu, em que ocorreram coisas terríveis, de quando éramos bárbaros incivilizados"
"Dediquei toda minha vida a lutar contra a injustiça, contra todo tipo de opressão, a servir os outros, a praticar e difundir a solidariedade" ]
Liberdade de Expressão
"Se você chama de liberdade de imprensa o direito de contra-revolucionários e dos inimigos de Cuba de falar e escrever livremente contra o socialismo e contra a Revolução, eu diria que não estamos a favor dessa 'liberdade'. Enquanto Cuba for um país bloqueado pelo império, atacado permanentemente, vítima de leis iníquas como a Helms-Burton, um país ameaçado pelo próprio presidente dos EUA, não podemos dar essa liberdade aos aliados dos nossos inimigos cujo objetivo é lutar contra a razão de ser da sociedade"
"Quem teme o pensamento livre não educa os povos, não os ajuda, não se esforça para que adquiram o máximo de cultura, de conhecimentos históricos e políticos os mais diversos e para que apreciem as coisas pelo valor em si, e que as coisas saiam de suas próprias cabeças"
"Como falar em liberdade de expressão em países que têm 20% ou 30% de analfabetos e 80% entre analfabetos plenos e funcionais? Com que critério, com que elementos podem opinar"
"Em todos os lugares, em todas as épocas, os atos daqueles que agiram contra seu país a serviço de uma potência estrangeira sempre foram considerados terrivelmente graves. Ninguém pode mencionar um único caso de tortura, de assassinato, de 'desaparecimento', algo tão comum e corrente na América Latina"
Direitos Humanos
"Fomos muito violentos, mas devo dizer que alguns métodos usados hoje em lutas politicamente justas na Chechênia, no Iraque, na Palestina, como o atentado suicida contra civis, o rapto e decapitação de não-combatentes, bombas em escolas nós jamais utilizamos"
"Acredito que não haja um país com histórico mais limpo em matéria de direitos humanos do que Cuba. No terreno da educação e da saúde não há nenhum país no Terceiro Mundo, e até no mundo capitalista desenvolvido, que tenha feito o que nós fizemos. A mendicância, o desemprego, foram erradicados. Os vícios, o consumo de droga, o jogo, também desapareceram. Você não encontrará aqui crianças pedindo esmolas, dormindo na rua, descalças ou desnutridas"
"Hoje o país se concentra nas batalhas, lá em Genebra, na comissão de Direitos Humanos da ONU, onde todo mundo sabe o show que é promovido ano após ano, as mentiras e as calúnias que dizem ali contra nós. O mundo não fica sabendo que 80% das medidas em defesa dos direitos humanos que essa comissão aprova são propostas de Cuba"
EUA E América Latina
"Os mexicanos e os argentinos que saem de seus países são chamados de imigrantes. Todos os que saem de Cuba são exilados" Defendendo a idéia de que boa parte dos cubanos que vão aos EUA o fazem por motivos econômicos, em 2004
"Desde o primeiro momemnto, o governo norte-americano tratou de criar uma imagem desfavorável da Revolução Cubana. Fizeram grandes campanhas publicitárias contra nós, grandes tentativas de isolar Cuba. Para frear a influência das idéias revolucionárias. Romperam as relações diplomáticas em 1960 e adotaram medidas de bloqueio econômico"
"Fracassado o 'milagre brasileiro', evidenciado o papel nefasto das empresas multinacionais e do capital estrangeiro que introduziram deformações perigosas na economia brasileira, resta, entretanto, o fato de que o crescimento econômico - desigal, porém notável - do Brasil introduz interesses que se chocam com os do imperialismo norte-americano. A inevitável tendência econômica converte o Brasil num contraditor em potencial dos Estados Unidos"
Sociedade
"A sociedade de consumo é uma das mais tenebrosas invenções do capitalismo desenvolvido. Tento imaginar 1,3 bilhão de chineses com o nível de motores e automóveis dos EUA. Não posso imaginar a Índia, com 1 bilhão de habitantes, vivendo em uma sociedade de consumo. Essa ordem é incompatível com os recursos essenciais limitados e não-renováveis do planeta e com as leis que regem a natureza e a vida"
"A ética não é uma simples questão moral, é que a ética rende frutos"
"A gente pensa que o dinheiro é decisivo. Errado. O nível de conhecimento e educação que as classes têm é que é decisivo"
Fidel explica a barba...
"A barba surgiu das difíceis condições que enfrentávamos na guerrilha. Não tínhamos lâmina de barbear nem navalhas. Quando nos vimos no coração da montanha, a barba e o cabelo de todo mundo haviam crescido, e no final isso se transformou em uma espécie de identificação. Tinha seu lado positivo: para que infiltrassem um espião na guerrilha, era preciso prepará-lo com muita antecedência, para que o indivíduo tivesse uma barba de seis meses. Além disso, a barba tem uma vantagem prática: você não precisa se barbear todo dia. Se você multiplicar pelos dias do ano os quinze minutos diários que leva para fazer a barba, vai verificar que dedica quase 5500 minutos a essa tarefa. Como uma jornada de trabalho prepresenta 480 minutos, isso significa que, ao deixar de fazer a barba, você ganha por um ano uns dez dias". A explicação foi dada em entrevista para o livro "Fidel Castro - biografia a duas vozes".
...e o uniforme
"É, antes de tudo, uma questão prática, porque com o uniforme não preciso colocar gravata todos os dias. E evita o problema de ficar escolhendo o que vestir, que camisa, que meias, para deixar tudo combinando", disse o ditador, no mesmo livro.
Apesar dos mais de 47 anos que passou no comando de Cuba sem disputar eleições, Fidel Castro não se considerava um ditador. "Não posso nomear nem o mais humilde funcionário público", dizia. Ao falar sobre tiranos de outros países, o cubano não primava pela diplomacia, como é possível ver nos casos abaixo e ao lado, em que dispara críticas até mesmo a ditadores comunistas.
Mao Tsé-Tung
"Mao Tsé-tung escreveu páginas brilhantes na história. Mas tenho a absoluta convicção de que na etapa final da sua vida cometeu grandes erros políticos. Não foram erros de direita, foram erros de esquerda ou, melhor dizendo, idéias extremistas de esquerda. Os métodos para pôr essas idéias em prática foram severos, injustos, como durante a chamada "revolução cultural", e acho que, como conseqüência de uma política extremista de esquerda, houve depois uma guinada para a direita dentro do processo revolucionário chinês, porque todos esses grandes erros tiveram sua contrapartida."
Slobodan Milosevic
O ex-ditador iugoslavo era outro criticado por Castro. "Milosevic foi um desastre como dirigente, racista, corrupto, só apostava na força", disse o cubano em 2005.
Saddam Hussein
"É um desastre. Um estrategista equivocado. Cruel com seu povo".
Stalin
"Stalin cometeu erros políticos e erros táticos, e não vou entrar nos problemas internos, que são conhecidos, o abuso da força, a repressão, o culto à personalidade. Teve visão e alguns méritos, mas métodos autoritários, brutais, repressivos. E a grande culpa que teve por esse país ter sido invadido, em 1941, por milhões de soldados alemães".
Mocinho ou bandido?
Quando menino, Fidel gostava de filmes de faroeste. "Eu levava a sério as habilidades daqueles caubóis. Depois, já adulto, divertia-me com aquilo como algo cômico. Daqueles revólveres cujas balas nunca acabavam, só quando convinha que acabassem; não havia metralhadoras naquela época, e eram tiros e mais tiros..."
Aluno nota 10?
Aos 12 anos, quando estudava em um colégio de jesuítas, Fidel precisava tirar a nota máxima em todas as disciplinas para que sua tutora desse a ele dinheiro para comprar a revista de história em quadrinhos "El Gorrión". Então, o menino disse à direção da escola que havia perdido sua caderneta de notas, para ganhar outra. De posse de duas cadernetas, falsificava as notas. "Eu só colocava dez. Nenhum nove. Minha tutora acreditava que eu era o aluno mais brilhante que já havia passado pela escola".
Hemingway
O escritor norte-americano Ernest Hemingway, ganhador do Nobel da literatura em 1953, possuía uma casa em Cuba e ficou amigo de Fidel. "Ele gostava de Cuba. Viveu aqui, deixou-nos muitas coisa, sua biblioteca, sua casa, que é hoje um museu. Gostaria de tê-lo conhecido melhor, de ter tido mais intimidade".
Mais Hemingway
Um dos livros do americano influenciaram inclusive as táticas militares de Fidel. Li 'Por quem os sinos dobram' pela primeira vez na minha época de estudante. E depois devo ter lido mais de três vezes. Conheço também o filme que foi feito mais tarde. Esse livro me interessava porque tratava de uma luta na retaguarda de um exército convencional. Falava na vida na retaguarda, e nos esclarecia sobre a existência de uma guerrilha, sobre como esta pode agir em um território supostamente controlado pelo inimigo. 'Por quem os sinos dobram' nos permitia enxergar essa experiência. Voltamos a ele sempre, para consultá-lo, para nos inspirarmos, até quando éramos guerrilheiros".
Meretrizes gabaritadas
Em 1995, durante uma entrevista coletiva, questionado sobre o fato de que cubanas com terceiro grau estavam sendo levadas á prostituição pela crise que decorreu do colapso do regime soviético, Fidel fez uma platéia de jornalistas inicialmente hostis rir com um jogo de palavras: era a educação em Cuba tão boa que até as prostitutas tinham diploma.
O que é viver sobre o Embargo Americano
Imposto em fevereiro de 1962, é um dos mais duradouros empecilhos impostos por um país a outro na história moderna. Veja, abaixo, as datas principais dessas restrições:
1960 - EUA reduz em 700 mil toneladas a cota de açúcar importado de Cuba
1961 - Relações diplomáticas entre os dois países são rompidas
1961 - John Kennedy estende embargo herdado do presidente anterior, Dwight Eisenhower
1992 - Lei Torricelli - proíbe subsidiárias estrangeiras de empresas americanas de comercializarem com Cuba]
1996 - Lei Helms-Burton - sujeita a sanções empresas não-americanas que negociarem com Cuba
2000 - Clinton suaviza embargo, permitindo venda de alimentos e medicamentos para Cuba por razões humanitárias.
2006 - Governo Bush intensifica investigação e punição a americanos que forem a Cuba via outros países (Cuba não carimba os passaportes de seus visitantes)
Hoje - Norte-americanos não podem gastar dinheiro em Cuba. Quem violar embargo pode ser punido com até 10 anos de prisão, multa de US$ 1 milhão para a companhia e US$ 250 mil para indivíduos
Este é o texto completo da mensagem publicada hoje pelo jornal oficial "Granma" no qual o presidente cubano, Fidel Castro, anuncia que deixará o cargo.
"Prometi a vocês na sexta-feira, 15 de fevereiro, que na próxima reflexão abordaria um tema de interesse para muitos compatriotas. A mesma adquire desta vez a forma de mensagem.
Chegou o momento de postular e escolher o Conselho de Estado, seu presidente, vice-presidentes e secretário.
Desempenhei o honroso cargo de presidente ao longo de muitos anos. Em 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% dos eleitores.
A primeira Assembléia Nacional foi constituída em 2 de dezembro daquele ano e elegeu o Conselho de Estado e sua Presidência.
Antes, tinha exercido o cargo de primeiro-ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo.
Sabendo de meu estado grave de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de presidente do Conselho de Estado, que deixei nas mãos do primeiro-vice-presidente, Raúl Castro Ruz, em 31 de julho de 2006, fosse definitiva.
O próprio Raúl, que adicionalmente ocupa o cargo de Ministro das FAR (Forças Armadas Revolucionárias) por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do partido e do Estado foram resistentes a me considerarem afastado dos meus cargos, apesar do meu estado precário de saúde.
Minha posição era incômoda frente a um adversário que fez tudo o imaginável para se desfazer de mim e ao qual não queria agradá-lo.
Mais adiante, pude recuperar o controle total da minha mente, a leitura e meditar muito, devido ao repouso. Tinha forças físicas suficientes para escrever por longas horas, o que fazia durante a reabilitação e os programas de recuperação. Um elementar bom senso me indicava que essa atividade estava a meu alcance.
Por outro lado, sempre me preocupei, ao falar da minha saúde, em evitar ilusões de que, no caso de um agravamento do quadro adverso, trariam notícias traumáticas a nosso povo no meio da batalha.
Prepará-lo para minha ausência, psicológica e politicamente, era minha primeira obrigação após tantos anos de luta.
Nunca deixei de destacar que se tratava de uma recuperação 'não isenta de riscos'. Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último momento. É o que posso oferecer.
A meus compatriotas, que fizeram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo âmbito devem ser adotados acordos importantes para o destino de nossa Revolução, comunico a vocês que não aspirarei nem aceitarei - repito - não aspirarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-em-Chefe.
Em breves cartas dirigidas a Randy Alonso, diretor do programa 'Mesa Redonda' da televisão nacional, que foram divulgadas por minha solicitação, foi incluídos discretamente elementos da mensagem que hoje escrevo, e nem sequer o destinatário das mensagens conhecia meu propósito.
Confiei em Randy porque o conheci bem quando ele era estudante universitário de Jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os principais representantes dos alunos, que já eram conhecidos como o coração do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se abrigavam. Hoje, todo o país é uma imensa universidade".
Parágrafos selecionados da carta enviada a Randy em 17 de dezembro de 2007:
"Minha mais profunda convicção é de que as respostas aos problemas atuais da sociedade cubana - que possui uma média educacional próxima de 12 graus, quase um milhão de pessoas com ensino superior completo e a possibilidade real de estudo para seus cidadãos sem nenhuma discriminação - requerem mais soluções para cada problema concreto do que as contidas em um tabuleiro de xadrez.
Nenhum detalhe pode ser ignorado, e não se trata de um caminho fácil, se é que a inteligência do ser humano em uma sociedade revolucionária prevalece sobre seus instintos.
Meu dever elementar não é me perpetuar em cargos, ou impedir a passagem de pessoas mais jovens, mas fornecer experiências e idéias cujo modesto valor provém da época excepcional que pude viver. Penso como (Oscar) Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final".
Carta de 8 de janeiro de 2008:
"Sou decididamente partidário do voto unido (um princípio que preserva o mérito ignorado). Foi o que nos permitiu evitar as tendências de copiar o que vinha dos países do antigo bloco socialista, entre elas a figura de um candidato único, tão solitário e ao mesmo tempo tão solidário com Cuba.
Respeito muito aquela primeira tentativa de construir o socialismo, graças à qual pudemos continuar o caminho escolhido.
Tinha muito presente que toda a glória do mundo cabe em um grão de milho.
Portanto, trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Explico sem dramas.
Felizmente nosso processo conta ainda com quadros da velha-guarda, junto a outros que eram muito jovens quando começou a primeira etapa da Revolução.
Alguns quase crianças se incorporaram aos combatentes das montanhas e depois, com seu heroísmo e suas missões internacionalistas, encheram de glória o país. Contam com autoridade e experiência para garantir a substituição.
Dispõe igualmente nosso processo da geração intermediária que aprendeu conosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução.
O caminho sempre será difícil e exigirá o esforço inteligente de todos. Desconfio dos caminhos aparentemente fáceis da apologética, ou da autoflagelação como antítese. É preciso se preparar sempre para a pior das hipóteses.
Ser tão prudentes no êxito quanto firmes na adversidade é um princípio que não pode ser esquecido. O adversário a derrotar é extremamente forte, mas o mantivemos longe durante meio século.
Não me despeço de vocês. Desejo apenas lutar como um soldado das idéias. Continuarei a escrever sob o título 'Reflexões do companheiro Fidel'. Será mais uma arma do arsenal com o qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso".
Será que hoje ainda existem bailinhos? Será que meninos e meninas entre 11 e 14 anos ainda se reúnem em garagens, salões de festas e plays dos prédios para um bailinho?
Esta dúvida chegou as seis e meia da tarde de uma sexta-feira pós plantão, quando já deveria estar em casa, mas atolado de trabalho coloquei o i-pod para funcionar e os Arctic Monkeys tocaram Only ones who Know. Uma sensação nostálgica me transportou para os verões e bailinhos ao som de Smiths, Cure, Depeche Mode, etc.
Nada se compara ao dia do bailinho. A preparação, o ensaio, a troca de olhares, a angustiante espera pelo momento certo, pela hora da música lenta. A hora esperada, desejada, sonhada mas que também gerava calafrios. A mão suava e era difícil conseguir coragem para dançar com a menina desejada, quase sempre uma paixão platônica perfeita, linda, que te deixava com a boca seca e sem ação.
Hoje ainda existe isso? Meus primos mais novos cresceram, não tenho mais tanto contato com "crianças" desta idade, não conheço mais bandas que produzem músicas lentas, baladas melosas ótimas para dançar agarradinho. Hoje tem funk, axé, R&B, e uma porrada de coisa. Hoje as pessoas descem até o chão, se engatam, mostram sexualidade mas será que ainda existe aquela dança a dois, juntinho, cheia de tensão e medo? Pode até ser que alguns R&Bs possam ser dançados coladinho mas e o resto?
Se os bailinhos deixaram de existir com eles perdemos sensações maravilhosas: o nervosismo do pedido, a falta de ritmo, as pisadas nos pés, a sensação deliciosa de sentir o perfume do cabelo da menina pertinho, de tentar roubar um beijo ou de simplesmente fechar os olhos e imaginar que o mundo é um lugar perfeito e saber como é bom poder andar nas nuvens é muito bom.
60 horas se passaram e voltei do fim de semana com esta dúvida: existe ou não bailinhos?
Eu sou um folião nato, um daqueles que conta os dias para a festa chegar.
Este ano, por problemas sérios, estive longe do meu samba, da minha avenida, da
Sapucai, do Zirigidum, do telecoteco, enfim desta festa que contagia e me faz
feliz.
Mas mesmo longe pude acompanhar cada detalhe na sensacional cobertura dos
bastidores do carnaval da Rede Tv! (A recordista de audiência entre os canais
que dedicam sua cobertura aos bastidores de folia). A festa na rede de Barueri,
que tinha como deixa: "muito samba no pé", era comandada por Nelson Rubens
elegantemente vestido, com grandes repórteres sempre trazendo matérias
fundamentais aos foliões caseiros, com os Vips e famosos do sensacional mundo
das celebridades carnavalescas, sempre no tradicional sincronisomo da áudio e
vídeo tradicional no carnaval da TV.
Se isso tudo já valia a folia, a nossa Vênus Platinada de Barueri trouxe em
HD a sensacioanal Iris. Vale a pena acompanhar a desenvoltura da menina.
Sensacional!!
Fim de férias, voltamos a normalidade (ou quase). A volta, na quarta de
cinzas, foi tranquila mas o plantão na sequência já me deixou contando os dias
para a próxima. Nas férias muita praia (apesar de São Pedro quer sacanear),
livrinhos, Paralamas e Titãs juntos prometo escrever ainda esta semana sobre o
show que vai virar DVD), algumas boas surpresas e descanso, muito descanso.
Deixo claro que concordei com todos os resultados dos Desfiles de Rio e São
Paulo. Acompanhei com detalhes todas as escolas e acho uma vergonha que alguém
ainda coloque em dúvida uma disputa tão limpa e organizada por pessoas de tanta
integridade moral e alto valor ético.
De volta e com um presentinho: um clip de Caleidoscópio, a única música que
os cara tocaram em todos os shows antes da gravação do DVD mas que ficou fora do
set list do show no Rio. É pra ficar triste mas quem esteve na Marina da Glória
sabe que o pulso ainda pulsa.