Sinais de Fumaça
   Boooooooooooooo

Esta foi foda, os caras sempre quiseram ser os Beatles mas Liam Gallagher disse que anda vendo fantasma e que John Lennon apareceu para ele em Manchester. Pena que a "aparição" não trouxe nenhuma inspiração para a banda. O último disco dos caras, que voltam ao estúdio neste mês, é muito chato.

 



Escrito por Sinais de Fumaça às 13h03
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   Até que a morte...

Dois casais de mexicanos se casaram na "Igreja Maradoniana", em um clube noturno de Buenos Aires.

A "religião" foi criada em 1998 por admiradores do craque argentino Diego Maradona.

"Natal" e "Ano Novo" são comemorados no aniversário de Maradona, no dia 30 de outubro.

O ano não é 2008 mas 47, que é a idade do craque.

A criação da Igreja Maradoniana foi inspirada pela explicação que ele deu para um dos seus dois gols na partida da Argentina contra a Inglaterra pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 1986, da qual sua equipe seria campeã.

Acusado de ter usado a mão para marcar o gol, Maradona disse que ele havia sido feito pela "mão de Deus".



Escrito por Sinais de Fumaça às 12h30
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   Diferentemente bons

Sexta foi a vez do Artic Monkeys, sábado foi a vez do The Killlers. Qual foi o melhor show? Sinceramente não sei responder.

O show de sexta teve um ar de amador, de descompromisso, de quatro garotos a fim de tocar músicas quebradas, cheias de energia e nenhum glamour. Era visível a energia do público e a relação com a banda. Sem cênica, sem presença de palco, sem porra nenhuma, apenas um, dois, três, quatro e vamos nós. Quase ninguém tinha mais de 20 anos do lado de cá do palco e quase ninguém tinha mais de 1 metro e setenta, nunca vi um show tão bem, me senti o Gouliver. Os caras fizeram um belo show de rock simples, direto, quase sem pausas, tocando para amigos. Como espetáculo não teve nada demais mas como energia foi bom pra caramba, o tipo de coisa que eu gosto.

Já no sábado foi o oposto. Um belo show, belo cenário, um frontman de tradição, uma banda tocando redondo, bem redondo mas com a mesma interação com o público. Brandon Flowers sabe muito bem como interagir com o público e a energia foi fundamental. Se você fechasse os olhos você veria algo dos 80 (Gang of Four?). The Killers mostrou um belíssimo e profissional show onde não faltou energia da banda que parecia estar assustada e emocionada com a participação de um público que cantou do início ao fim. Foi um puta show. Não chegou a ser um clássico do Festival mas foi bom, daqueles que você sai com um sorriso no rosto e suado (e olha que não foi culpa do ar-condicionado que mais uma vez não funcionou).

Aliás o Festival deste ano tava meio caído, cheio de problemas, meio capenga. A área de convivência tava caída, sem charme, difícil saber o que era o que e ainda teve o mico dos shows nacionais cancelados pela chuva. Um Festival que cobra o que o TIM cobra não pode dar este mole. Pra terminar, não adianta, ainda acho que bandas como Hot Chip devem ser ouvidas e não vistas. Não faz a mínima diferença se os caras estão no palco ou não. Chato demais!



Escrito por Sinais de Fumaça às 08h42
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   tinha muita terra no meio do caminho



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h16
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   Fronteiras

Neste fim de semana acontece o Tim Festival, principal festival da cena musical brasileira. O festival que substituiu o Free Jazz se diz 'sem fronteiras" mas ao contrário do que acontece nos grandes festivais do planeta o que mais existe no Tim são fronteiras. Qualquer grande festival do mundo você paga um ingresso e tem direito de passar o dia (cerca de 14 horas) ouvindo música em vários palcos ao mesmo tempo. Você paga uma vez e escolhe o que quer ver. Muitas vezes bons shows acontecem ao mesmo tempo mas paciência.

Já o Tim você paga e paga muito bem (R$ 180,00 - quase 100 dólares) para ver apenas duas atrações. Se quiser outro palco você é obrigado a pagar por outro ingresso. Na verdade existe apenas uma área em comum que une várias casas de show conjuntas, todas próximas e cobrando caro, muito caro.

O Festival chegou a ter em um mesmo palco quatro ou cinco atrações ao mesmo tempo, hoje ele chega a apresentar apenas duas bandas. Na sexta você tem na escalação dos palcos Antony and The Johnsons e Björk; Katia B, Cibelle, Feist e Cat Power and Dirty Delta Blue; e Hot Chip e Arctic Monkeys além dos abandonados na madrugada Vanguart, Montage e Del Rey. Se você fosse comprar ingresso para estes 4 palcos pagaria 580 reais (cerca de 320 dólares). Dois dias de festival sairiam por 640 dólares. Cada show internacional do Tim Festival sai por 70 reais. Caro, muito caro.

O Reading este ano cobrou 145 libras (200 dólares) pelo fim de semana. Tudo bem que cabe muito mais gente no Reading mas mesmo assim 320 dólares por dois dias de festival no Rio de Janeiro é absurdo. Ainda mais um festival que tem uma forte companhia mutinacional como patrocinadora. Me senti roubado comprando os ingresso para sexta e sábado e abrindo mão de várias atrações.

Também me sentirei roubado na próxima quinta-feira quando os ingresso do show do Police forem postos a venda. Um show no Maracanã vai custar entre R$ 160,00 e R$ 500,00 e vai ter a abertura apenas os Paralamas do Sucesso e não o Beck que abre os shows dos caras em Buenos Aires e Santiago. 160 reais para passar aperto no Maracanã. 360 reais para ir a Marina da Gloria. Será que este é um preço justo?



Escrito por Sinais de Fumaça às 17h45
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   Vale cada centavo

"In Rainbows", o novo trabalho do Radiohead é bom demais. Esqueça a campanha de lançamento onde você escolhe pagar o quanto quiser pelo álbum (eu não paguei), musicalmente o disco é bom, muito bom. Não chega a ser "OK Computer" (seria covardia parecer) mas "In Rainbows" estará nas listas de melhores fácil fácil.

Tenho ouvido direto no Ipod (meu cd do carro continua não aceitando meus CDRs). Aos pouco os climas, ruídos, acordes soltos vão se tornando música e vão envolvendo você nesta experiência. Thom Yorke comanda o show. A dobradinha com Jonny Greenwood continua rendendo. Este quebra-cabeças é montado pelo produtor Nigel Godrich que afiado.

O disco abre com a bela "15 Step". Os primeiros 40 segundos é só batida e a voz de Thom Yorke criando o clima para o que você vai ouvir. Outras candidatas a inesquecíveis são "All I Need" com sua marcação deliciosa, "House of Cards", "Reckoner" e "Jigsaw Falling Into Place".

Em dias de consumo cada vez mais rápido com bandas vivendo de apenas um surto criativo ou de seu passado longínquo ver o Radiohead chegar ao seu sétimo disco nesta forma é sinal que nem tudo é descartável ou cheira nafitalina. Se você não ouviu passe em www.inrainbows.com, pague o quanto você quiser e ouça. Ouça muito.



Escrito por Sinais de Fumaça às 11h51
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   "O que a gente pode fazer?"

Ontem finalmente assisti "Tropa de Elite". Não foi a cópia pirata que o Serginho me emprestou. Vi na tela grande, pagando ingresso, no Cine Leblon, com boa parte da elite carioca ao meu lado.

Cinematograficamente, o filme é muito bom. Muito bem executado apesar do som deixa um pouco a desejar algumas horas, tem ação, o Wagner Moura está bem pra cacete, a trama te deixa angustiada, a câmera nervosa é muito bem executada, a edição é simples e muito bem feita numa espécie de documentário não ficcional que durante a duas horas em mexe com a sua emoção e te envolve a ponte de você se pegar torcendo pelo Bope.

Não sei se não fosse o "vazamento" e a polêmica da pirataria "Tropa de Elite" chamaria tanta atenção, tenho minhas dúvidas, acho que o fenômeno viria mas muito mais lento. Mas para mim o melhor de "Tropa de Elite" foi o pós filme. A cervejinha em casa com a discussão de o que podemos fazer para mudar esta realidade.

Muita gente sabe que eu trabalho em um local sitiado, rodeado por 7 favelas e que muitas e muitas vezes tiros são ouvidos ao lado das janelas blindadas que 'protegem" o prédio. Já tive amigos com armas na cara saindo do trabalho. A realidade do filme é ao mesmo tempo próxima e distante do meu dia-a-dia. Somos os papas que ninguém quer ver com a cabeça explodida por uma bala perdida, mas o desfile do Caveirão nas ruas do Rio Comprido não é uma das cenas mais belas do planeta. Não me sinto seguro, com o sem faca na caveira.

Voltando ao pós-filme, uma das discussões era a resposta a uma pergunta que e já ouvi algumas vezes: O que a gente pode fazer? Imediatamente me lembrei de um encontro na casa de um amigo com José Júnior, o fundador do AfroReggae. Depois de ver o documentário "favela Rising" enquanto José Júnior explicava como funcionava os morros e as periferias cariocas, um debate se travou e a pergunta: "O que a gente pode fazer?" veio a tona.

Uma pergunta direta, simples, pronta para uma resposta esclarecedora do nosso interlocutor. Quando perguntamos: " -O que a gente pode fazer?" estamos querendo ver uma saída, queremos resolver rapidamente algo que nos preocupa. Queremos uma resposta salvadora, um respiro fundo em meio a ofegante sensação de impotência, queremos um alento a nossa sensação de desconforto, uma resposta que não nos faça pensar como tudo isso é complicado e como esta solução não pode ser respondida de uma vez.

O que a gente pode fazer? Tanto naquele encontro com José Júnior como ontem a noite a resposta não veio. Para muita gente, o que a gente pode fazer é torcer para que o Bope suba o morro, mate os marginais e proteja todos que estão no asfalto. Para muita gente a solução é o simples e puro extermínio de todo e qualquer favelado afinal vivemos em guerra e são nessas zonas que nossos inimigos estão. Para quem está estabelecido nas zonas "seguras" da cidade, comprando de seus "amigos" e se divertindo a solução mais simples e eficaz é a simples limpeza étnica. A polícia pode ser corrupta desde que funcione a nosso favor. Talvez este tipo de pensamento justifique a quantidade de risadas ouvidas na sala de projeção.

Para outros a solução para pela legalização do consumo de drogas. Com a legalização não teríamos repressão, fábricas e produtores seriam oficiais e a violência e repressão acabariam.

Para muita gente a solução passa em tentar trazer parte da sociedade estabelecida para a periferia, buscar criar situações de inserção a um povo excluído. Tentar suprir a falta do estado e da "ordem" pública.

Cada vez mais eu acredito que nenhuma destas opções não adiantariam nada. E não adianta porque vivemos a desordem pública. Compramos policiais com um Vale refeição, passamos por sinais vermelho, estacionamos em fila dupla ou sobre da calçada, sonegamos impostos, compramos em camelôs, elegemos políticos como os nossos, temos uma relação de senhores de escravos com todo e qualquer empregado que nos relacionamos. Achamos que nossa responsabilidade social já é feita quando sabemos o nome do nosso porteiro.

Vivemos acima da lei porque podemos pagar bons advogados e fazemos toda e qualquer merda porque somos branco e vivemos na Zona Sul. Esta condição privilegiada nos dá a liberdade de sermos amigos de vapores e pequenos traficante que tornam nosso vício mais fácil, eliminando o risco da boca e entregando em casa ou no trabalho o nosso baseado que consumimos livremente na praia, na roda de amigos, nos shows ou em casa, a noite, pensando na vida. Não vou denunciar o meu vapor, não vou na polícia entregar o traficante que me vende, mas quero o meu relógio de volta e a polícia atenta quando cruzo a linha vermelha. Enquanto o meu vier limpo e tranquilo quero mais que todos morram nos morros, entre sujeira, esgoto e AR-15.

O que a gente pode fazer?

A gente tem que encarar de frente nossos defeitos e estarmos prontos para mudar. Uma mudança radical, individual, que pode parecer estúpida. Quando estivermos prontos para esta mudança podemos começar a pensar em mudar quem está a nossa volta. Uma, duas, três pessoas. Grandes revoluções começam com pequenos atos, em pequenos grupos, com pequenas mas profundas mudanças. E são estas mudanças que temos que procurar, são esta pequenas transformações que temos que fazer.

 



Escrito por Sinais de Fumaça às 15h40
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   Simplesmente um luxo

Amaury Jr recebeu o disco de ouro pelas 50 mil cópias de "As músicas do programa Amaury Jr.". Oh! Oh-oh! Oh-oh-oh!



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h21
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   Alguém quer brincar???

Alfândega australiana apreende pastilhas de ecstasy escondidas em Mr Potato head que seriam enviadas pelo correio para a Irlanda



Escrito por Sinais de Fumaça às 10h43
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   Lost Control

Meninos e meninas com seus 20 e poucos anos enchiam o salão do cinema em Botafogo. Alguns exibiam em suas camisetas suas bandas prediletas. Alguns usavam camisetas homenageavam a banda que daqui a pouco eles iriam ver na tela.

Este era o clima para a primeira exibição no Festival do Ro de "Controla". A icnografia de An Curtis, líder do Joy Division. O filme foi dirigido pelo fã da banda Anton Corbijn e teve a produção da viúva de Curtis Deborah Curtis.

Ian Curtis é responsável por uma das minhas maiores decepções adolescentes. quando vi pela primeira vez o Legião Urbana, com 14 anos, fiquei fascinado com o jeito do Renato Russo dançar. Umas duas semanas depois, vi um especial da cena inglesa (acho que na Cultura) e lá estava o Ian Curtis dançando igualzinho. Só que o cara já tinha se enforcado há vários anos. Ficou aquele gosto de fraude.

Todo em branco e preto, o filme de Corbijn mostra o fim da adolescência de Ian Curtis. Os discos de Bowie, os remédios roubados para dar barato, a namorada o casamento prematuro, o emprego numa agência de emprego, a criação da banda, a decepção com a vida caseira, a amante, a incapacidade de romper com uma vida que ele não queria mais viver, a epilepsia e a morte.

Na tela, Sam Riley (que canta as músicas do Joy) dá show interpretando Curtis. O cara está perfeito no angustiante papel. também é muito bem retratado o ambiente criativo que envolvia a Inglaterra naqueles finais dos 70. O lendário show dos Pistols em Manchester, já retratado em "24 hours party" está lá, causando impacto em todo Joy Division e em mais alguns lendários membros da cena musical do início dos 80.

Um belo filme que serve com uma grande aula para aqueles meninos de 20 anos. Nas horas vagas na nte vale a pena baixar a trilha sonora com Bowie, Iggy pop, Sex Pistols, muito Joy Division e até os "odiados" Buzzcocks.



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h55
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