Sinais de Fumaça
   Gênio

Jack White é o maior músico do mundo, o mais ousado, revolucionário. Mesmo com seu som retro, com suas referências sestentistas, o cara faz algo novo e delicioso como "Icky Thump". O novo-antigo disco dos Whites Stripe é mais uma obra prima de um cara que faz disco bom atrás de disco bom. Os últimos 4 trabalhos do cara estão no meu i-pod sempre. "Elephant", "Get Behind me Satan", "Broken Boy Soldiers" e agora "Icky Thump".

Depois de um genial trabalho ao lado do Raconteurs, Jack voltou para Meg e juntos fizeram mais uma obra prima. "Icky Thump" é feito para você ouvir várias vezes e quanto mais vezes você ouvir mais vezes você vai gostar. Este é um cd para ouvir alto e muitas vezes. Você vai descobrir detalhes, passagens, sons que não sabia que existiam ali. Ele vai surgindo aos poucos. Texturas complexas que são simples demais. Apaixonante.

Não tem como você não se empolgar. "Icky Thump" abre com o bumbo de Meg batendo forte no diálogo com a guitarra de Jack. Zeppelin transportado para os dias de hoje. O solo de teclado dá um clima delicioso a música. Te prende facilmente. Hipnotiza. Aliás é isso que o som dos Stripes faz. Hipnotiza.

E depois te deixa levar. Não tem como não cantar "You Don't Know What Love Is (You Just Do As You're Told)". Daquelas para tocar a noite e ver a galera pular. Limpa, pop, deliciosa. O riff fica na cabeças horas. Boa demais. Depois os caras aparecem sossegados em "300 M.P.H. Torrential Outpour Blues" uma clássica no melhor estilo White Stripes. Só que 5 minutos e 28 segundos depois surge um trompete, mais um riff matador e Jack gritando ao lado de mariachis: "Conquest! he was out to make a conquest. didn't care what harm was done, just as long as he won the prize. Conquest!". A viagem está garantida, clima mexicano, blues de esquina, peso, tudo misturado descendo quente como uma tose de tequila e te levando para lugares onde só o agave azul pode te levar.

Depois desta viagem você se depara com "Bone Broke". á falei aqui que este é um disco de riffs? Bom, toma mais um na cabeça. Anos 70, Zepellin e cabeças balançando. Peso e porrada. Sangue vermelho em hematomas podres e negros que terminam em um solo delicioso.

Se "Bone Broke" trás porrada, ". Prickly Thorn, But Sweetly Worm" tem um clima de psicodelia delicioso. Fim dos 60, um que de hindu, muito de celta. Dança dos Highlanders.Da vontade de dançar em volta de uma fogueira, em roda, bêbado e de saias. "St. Andrew (This Battle Is In The Air)" continua no clima. Agora é hora de viajar com Meg. Definitivamente ela não precisa dizer mais nada.

Ai quando você a se acostumar com este clima eles te sacodem e voltam a apresentar peso, distorção, solos, ruídos e um Jack recitando sobre um tornardo se sons em "Little Cream Soda". Segundos depois do fim da oitava faixas, os Stripes anunciam: "Rag And Bone". Blues pesado para rasgar panos e sacudir ossos. "I'm Slowly Turning Into You" começa com teclados marcando a primeira parte e depois vira para mais um riff inspirado de Jack que leva ao refrão: "And I'm slowly turning into you".

"A Martyr For My Love For You" é mais calma e é um blues de primeira. Delicioso! No meio fica pesada mas sem pressa, daquelas que vão tomando conta e levando você pra longe e quando você percebe já tá perdido no meio de mais um blues: "Catch Hell Blues" este mais marcado, mais pesado e pela guitarra com um solo estritende. O disco fecha leve, pra cima, com Jack colocando todo mundo no salão para dançar com "Effect and Cause".

Depois de ter ouvido umas 80 vezes nas últimas semanas, "Icky Thump" tem tudo para ser o álbum do ano na minha lista mas isso pode deixar de acontecer se Jack White aparecer com o novo do Raconteurs até dezembro. E se o boato se confirmar e os Stripes tocarem em Sampa em julho só resta uma coisa a dizer: "Foda-se o Pan!"



Escrito por Sinais de Fumaça às 18h56
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Era para se ver quieto. Era para ouvir os detalhes. Os três violinos, o cello, o piano, as bases dos DJs, o violão de corda, a bela voz, os lindos solos de arcodeon. Era para o som estar bem equalizador, limpo a altura das projeções. Era para o clima intimista daqueles que você contempla e embarca na viagem proposta pela banda.

Ontem todos estes ingredientes estão a disposição do público que lotava o Caneção para a apresentação do Gotan Project. Só que a casa continua com um som ruim e o público está cada vez mais mal-educado. O clima de boteco carioca misturado com boate de patricinhas prevaleceu e quase comprometeu a apresentação da banda franco-argentina. As conversas e bate papo fúteis das pessoas que estavam lá para ver e ser vista e não tinham , ou não queriam ter, a mínima idéia do que estava acontecendo no palco em muitos momentos superou e sufocou o som que saia das caixas de som.

No Rio tem um monte de gente que vai ao show porque é legal, porque é um evento, porque o fulano falou que o ciclano disse lá na praia que o som era legal mas elas não têm a menor idéia do que vai acontecer. Era incrível as pessoas que colocavam a fofoca em dia, que conversavam como se a banda fosse parte do som ambiente. Tem gente que vai ao show e fica o tempo todo no celular batendo papo com alguém que não está lá. Conversar que não tem nada a ver com o show. Nas mesas, um monte de gente bebia e conversava como em um pub. Na pista meninas desfilavam e riam alto sem prestar muita atenção no que acontecia. Só faltava garçons com espetos para o clima de churrascaria-chic ser total. A situação era tão ridícula que nas músicas mais animadas algumas ensaiavam passos de micaretas. Inacreditável!

Quando metade do público mandou a outra metade calar a boca e finalmente o som melhorou; o show que já era bom, apesar de tudo, ficou melhor. O trabalho do Gotan é impressionante. A mistura electro-tango é empolgante. Viva entre bits e sons. Para quem estava lá a fim de ver o show, o Gotan fez viajar. A banda tem charme e alma. No palco, com as projeções, tudo fica ainda melhor. Dava vontade de bailar a noite inteira, no melhor estilo Piazzolla-Gardel". Lunático' não deixa nada a dever de " La Revancha del Tango". Uma bela banda fazendo um belo show. Pena que no Canecão poucos estavam a fim de ser este espetáculo. Fiquei com a sensação que muitos deveriam estar numa balada na Nuth não na companhia dos herdeiros de Gardel.



Escrito por Sinais de Fumaça às 17h18
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   Cachorro

Ainda sobre gaúchos. Saiu a praça o novo do Cachorro Grande: "Todos os tempos". O Cachorro é uma daquelas bandas que vale a pena ver num palco. Energia de quem não tá ali para ser poser. Os caras são mesmo assim. Com sues terninhos retros, cabelos ensebados, caras de bêbados e seu som seiscentistas bom pra cacete.

O Cachorro não é uma banda fácil. É para quem gosta de rock mal cantado com uma energia juvenil bem diferente das pseudo bandas feitas para teens. Para ouvir o Cachorro é preciso ter culhão. Você precisa gostar das referencias da banda e amar simplicidade, três acordes, psicodelia e lixo.

Os gaúcho em nada parecem com aquelas bandas brasileiras que entopem a MTV atualmente com um sonzinho igual e chato com aquele peso na medida certa para não ser agressivo demais e espantar as menininhas. Os caras tem personalidade e surgiram no cenário mostrando que são diferentes.

 

Lisérgicos pra caralho, eles têm peso que assustam tanto como os dentes de Beto Bruno. Eles podem até lembrar um pouco o Supergrass mas estão longe de ser caras de 30 anos com camisas de bandas inglesas novas aproveitando da experiência para empacotar um produto pronto. Tá certo que os caras fizeram o "Estúdio Coca-Cola" com o Nando Reis, um bom arranhão na imagem, mas o cd redime o erro.

"Todos os tempos" é o quatro disco da banda. Apesar de mais domesticados, o novo trabalho tem rocks de levadas simples, riffs que pegam, baladas (mais do que eu gosto) e um descompromisso que marca a banda desde o primeiro disco. Claro que existe evolução nesta estrada e ela é bem visível mas o bom do Cachorro é que a banda não perdeu a referencia de que rock tem que ser simples, sujo e divertido. Música feita para adolescente, um daqueles bons passos para quem está entrando nesta história mas que agrada quem não consegue esquecer seus primeiros sons.

Bandas como o Cachorro me mostram que vai ser difícil eu me apaixonar por Jazz algum dia. Eu ainda prefiro um bando de moleques (neste caso nem tanto) tocando alto, rápido, gritado e simples. Caras sujos que são românticos em suas baladas mas sacanas em seus riffs. Solo de contra-baixo com trompete ainda não é a minha. Vou gostar de podrera sempre e podre os caras do Cachorro são. Podres e bons.



Escrito por Sinais de Fumaça às 12h07
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   O quinto planeta

Ele já foi maçã, apple, de novo maçã. Flávio Basso é daqueles malucos que fazem você rir de tudo a qualquer hora com seus barulinhos, climas e falta de razão. O cara foi integrante de uma das mais legais bandas gaúchas dos 80, "os Cascaveletes", e como Júpiter fez belas canções como "Lugar do caralho', "as tortas e as cucas", "eu a minha ex", "Miss Lexotan 6mg Garota", "Meu novo namorado" e "Querida Superhist X Mr. Frog". Músicas que deveriam ser clássicos nacionais. Versos como: Eu preciso encontrar, Um lugar legal pra mim dançar, E me escabelar, Tem que ter um som legal, Tem que ter gente legal, E ter, cerveja barata, Um lugar onde as pessoas sejam mesmo afudê, Um lugar onde as pessoas sejam loucas e super chapadas, Um lugar do caralho"; ou "Senti meu corpo derretendo, flutuou, minha mente compreendendo, falei com minha sombra, tem vida própria sim, abrindo as tortas e as cucas"; ou ainda "tenho deixado ela feliz, ela não faria simulação, nuvens carregadas não me assustam , não não mais, crises de mau humor não me incomodam, e nem irão! ela me dá o orgasmo legal e sempre me deixa de alto astral, por isso é horrível se a gente discute e vai pra cama sem gozar"; e para fechar "Eu creio que você as vezes queira dar pra outros carinhas no pedaço. Não, não acho tão legal. No entanto uma questão da gente sentar e conversar. Mas quando eu te visito pra tomar um chá, e a gente começa a falar. Tudo fica claro na minha mente e a gente começa a trepar!!!". Júpiter Maçã é prova que os gaúchos são pessoas legais só que você precisa ser um pouco fora da realidade para entende-los.



Escrito por Sinais de Fumaça às 17h16
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   o último baile

É interessante ver uma banda acabar assim. Celebrando. Em shows vibrantes e clima de festa. Minhas bandas prediletas acabaram porque o vocalista morreu ou os caras não conseguiam mais olhar um para a cara do outro. No caso dos Hermanos isso parece não acontecer. O tempo indeterminado que eles estão experimentando desde sábado pode ser definitivo. Para os fãs mais eufóricos isso pode parecer o fim mas para quem gosta de música isso é um sinal de amadurecimento e felicidade.

Era felicidade o que se via nos rostos dos milhares de fãs na saída do último show dos Hermanos. Depois do último acorde, do último aplauso, do último tchau. Quando o palco ficou vazio, as luzes foram acesas, a Fundição foi esvaziando e as ruas da Lapa foram sendo tomadas por pessoas suadas e felizes. Alguns achando que viram um momento histórico, um final de uma era. Para outros, o sorriso era de ver uma banda fazer um belo show de rock.

Admiro o trabalho dos Hermanos. conheço os caras do tempo das fitas tapes, antes do primeiro Cd. Para mim, os Hermanos fizeram o melhor disco nacional depois de "Afrociberdelia" do Nação. "O bloco do eu sozinho" é um dos meus disco favoritos. Acho um disco quase perfeito. Gosto também muito de "Ventura" (para mim ele une o melhor dos dois mundos), mas acho o "4" meio chato, entre ele e o primeiro levou "Los Hermanos" para uma ilha deserta.

Existe uma relação de amor que nasce na adolescência e que nos acompanha pela vida. eu amo rock, acompanho as novas bandas, os novos sons, não fico preso ao passado ouvindo os mesmos discos, as mesmas coisas. Só que os discos que mudam a vida da gente são aqueles que ouvimos cedo, quando os hormônios estão transformando corpos e mentes.

Amo Strokes, White Stripes, Oasis, etc, mas os discos da minha vida não foram feitos por eles. Vi show de todas estas bandas, adoro os discos, pulei e vibrei par caramba com elas mas nada vai substituir a emoção de ouvir, ali perto do palco, o "one, two, three, four" antes dos primeiros acordes de uma música dos Romones. Ver Cure, Iggy Pop, Robert Plant ao vivo. Acho que o momento da minha transformação foi depois de "Nevermind", o último disco que curti como um adolescente.

Ainda toco air guitar, ainda ouço e canto junto mas a sensação de chegar 8 horas antes do show, só para ver da grade o seu ídolo, isso ficou pra trás. Não tenho a mesma paixão por qualquer banda de hoje como tinha há 15 anos. Nada vai substituir a sensação de ver a Legião ao vivo 4 vezes na minha vida. Nada vai marcar mais que o anúncio da morte do renato ou da queda do Herbert. Minhas bandas acabaram assim.

A banda da geração seguinte acabou sábado, em cima do palco. Não é melhor nem pior. É diferente e lindo. Não tenho o sentimento de pertencimento para os Hermanos que tive com as bandas da Geração 80 mas vejo o mesmo brilho nos olhos das pessoas que me cercavam. Pessoas pouco ou muito mais jovens. Não, nenhum sentimento de tiozinho aqui, apenas a constatação que as grandes paixões exigem entregas adolescentes. Por mais que goste dos Hermanos, eles são para mim uma grande banda, que descobri, que estão sempre ali, nas minha imagens, no som da min ha casa, no meu Ipod. Adoro o estilo, as músicas, mas vai sempre diferente ouvir os primeiros acordes de "Bloco do eu sozinho" e os primeiros acordes de "Geração Coca-cola". Sou um burguês sem religião que não gosta muito de carnaval.

Mas este "distanciamento" não me impediu de perceber o que aconteceu sábado na Fundição. Estou ficando velho e não insensível! Não foi preciso entrar na pista e olhar para o alto e ver todos os lugares da fundição tomada para sentir o clima que algo muito bom estava para acontecer. Era o último show. Será que tem volta? Isso não era o mais importante ali. Mesmo o Dj da Fundição tentando fazer todos dormirem com músicas insuportáveis, a tensão pelo chegar da hora era visível. Ali, daqui a pouco, estaria acabando uma banda que deu voz a uma geração e esta geração estava lá, tensa, quieta, calma, olhando a meia noite se aproximar, como Cinderela, só que o baile não iria acabar, estava apenas começando.

Com um certo atraso as luzes do velho galpão se apagaram e lá surgiram os quatro Hermanos. Camelo estava de terno. Todos estavam em êxtase. A primeira foi "dois Barcos" e o show seguiu assim calmo, no clima de "4". Mãos ditavam o ritmo da nau, hora com palmas, hora balançando, lentamente, ao sabor de um inexistente vento. Máquinas registravam tudo. O som da Fundição estava, como de costume, ruim. Isso importa? Não, nem um pouco. Foram vários os momentos onde a banda foi envolvida pela platéia. Os fãs estavam lá, prontos para mostrar devoção e agradecer aos quatro meninos da PUC os incontáveis momentos de felicidade. Confesso que só vi tamanha entrega quando a Legião estava viva.

O ritmo mudou em "Quem sabe'. A primeira roda da noite e a volta da energia dos tempos iniciais. Assim o show seguiu. De explosão em explosão. Música após música. Cada acorde, cada silêncio, cada palavra absorvida por 5 mil pessoas em transe coletivo. 5 mil pessoas amplificando emoções e devolvendo em forma de som e energia. Suor, gritos, palmas, dedicação, sorrisos, abraços, beijos, lágrimas, sentimentos expostos sem vergonha. Ali todos eram a mesma pessoa, ligadas pelas mesmas sensações. E vieram "O vencedor", " Além do que se vê", 'Cara estranho' muitas outras.

Se tem uma coisa boa nesta parada do Hermanos é não ter mais que ouvir o Amarante cantar a mesma música maquiada. Na boa, ele é chato e repetitivo. As músicas são iguais, hora mais lenta, hora mais agitada, mas iguais. Vai lá e canta qualquer uma enquanto outra estiver tocando e você vai perceber isso.

Uma hora de meia depois de culto veio o fim do show. Todos sabiam que o bis viria. Que veria uma nova benção. Mais um pouco de adoração. E nada mais admirável que "Anna Júlia". O primeiro hit negado e rejeitado mas que há um ano voltou ao set. A primeira pregação, que um dia encheu o saco, mas que voltou bela e sentimental, recordando o dia em que todos éramos iniciantes e as barbas ainda não eram crescidas.

Fim de primeiro bis, olha lá o segundo. Uns dias antes do show eu e o Kiko conversamos sobre qual seria a última música que os Hermanos deveriam tocar. Eu disse que deveria ser "Bloco do eu sozinho". Nada melhor que acabar cantando: "todo carnaval tem seu fim. E é o fim!". Lá estava o "Bloco", no último bis. Neste momento, sobre serpentinas e confetes, no meio do salão todos só queriam mostrar que eram felizes. Felicidade que saia altos pelas cordas vocais. Mais lágrimas, suor e sorrisos. A festa estava no fim. Definitivamente! Só que segundo depois, quando tudo ficou escuro, o baile recomeçou. "Pierrot" marcou a despedida. As lágrimas foram deixadas para o palhaço e a massa se entregou ao baile aproveitando cada segundo da quarta-feira de cinzas que começava.



Escrito por Sinais de Fumaça às 15h55
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   40 anos

Todo mundo já escreveu sobre os 40 anos do "Sgt Pepper's". O Jamari França no seu blog no "O Globo" contou a história do que para muitos é o mais importante disco da história do Rock.

Eu adoro este disco, eu adoro a capa, adoro as músicas. Já li milhões de artigos sobre as gravações, sobre a escolha dos personagens da capa. Li livros sobre o clima no estúdio, sobre a gravação, sobre todos os detalhes. Muitas vezes volto aos meu Cds e coloco a banda do Sargento para tocar. A última vez que ele me visitou foi há duas semanas, com a companhia de um belo vinho italiano e sanduíches de parma, brie e geléia de damasco.

Mas nada vai superar a primeira audição do "Sgt Pepper's". No segundo sábado de maio, num frio desgraçado em São Paulo, depois de um quase assalto no ônibus que leva ao Shopping Morumbi consegui chegar salvo e com dinheiro, ao contrário dos meus amigos, a Hi-Fi para adquirir o bolachão. Delicioso comprar aquele disco e pedir pro vendedor colocar para presente. O papel de presente da Hi-Fi era muito legal.

O pretexto para adquirir o "Sgt Pepper's" foi um presente para minha mãe. Claro que ela só recebeu o presente no domingo de manhã, bem cedo, com direito a torradas, café na cama e outras coisas que rolavam em casa. Ela fingiu que gostou mas sabia que nunca mais veria o disco. Para compensar comprei um disco "ao vivo" do Oswaldo Montenegro. Sim, minha mãe gosta de Oswaldo Montenegro, seus condores e bandolins mas ela é boa pessoa.

O disco eu só fui ouvir na segunda. É que 3 em 1 de casa ficava na sala e no domingo, depois do almoço na casa da minha avó, de volta em casa era impossível ligar o som. Mas segunda, de volta do Liceu, Sgt Pepper's" rolou várias e várias vezes. Tinha lido muito sobre o disco mas a sensação de ter aquela bolacha rodando era fantástica. Foram várias e várias audições.

Conhecendo a história, sabendo dos poucos recursos técnicos, dos 4 canais, de todo trabalho com os efeitos, de ser a primeira obra pop fechada, pensada para ser um show único. Sabendo do processo de escolha das faixas, escolha da capa, sabendo que "Penny Lane" e "Strawberry Fields" não entraram no álbum e, principalmente, absorvendo cada sensação gerada pelo impacto causado pela música, sei que "Sgt Pepper's" é especial mas o que faz dele o melhor disco de todos os tempo é sua última faixa: "A day in the life". Se não existisse mais nada , se só existisse "A day in the life", "Sgt Pepper's" já seria indispensável.



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h41
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   Cuidado

A fábrica Toto, líder no ramo de peças sanitárias no Japão, informou que está fazendo um "recall" de 180 mil bidês com aquecimento elétrico. Em março, três unidades pegaram fogo durante o uso.
Falhas no projeto fizeram com que 26 outros bidês soltassem fumaça pelo sistema de aquecimento, embaixo do tanque de água. O modelo que apresentou os problemas é o Washlet Z.
O Washlet Z esguicha água ao se apertar um botão no assento ou via controle remoto. Há diferentes opcionais, entre eles o assento com aquecimento para os dias frios.
As 180 mil unidades sob suspeita foram produzidas entre março de 1999 e dezembro de 2001. Não há informação sobre feridos.
Dois dias depois do anúncio da Toto, a Inax, vice-líder do mercado, revelou que seus produtos também ofereciam risco aos usuários. A empresa admitiu sete casos com problemas, entre 1991 e 2005, no modelo que é vaso sanitário e bidê ao mesmo tempo. Em 1985, a Inax fez um "recall" de 30 mil peças depois de receber denúncias de superaquecimento e fogo nos bidês.



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h37
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