Sinais de Fumaça
   Outras Cabeças

Há 20 anos eu descia a rua São Bento, no centro da cidade, saindo do CECA (cursinho preparatório para escolas técnicas) quando a faixada do Jumbo Eletro mostrava uma série de figuras estranhas. Os cartazes anunciavam o novo disco dos Titãs. As figuras, que depois descobriria serem esboços de Leonardo da Vinci, me chamaram atenção mas o disco dos Titãs não era uma prioridade. Os dois primeiros eram estranhos. De "Televisão" eu só gostei de "Massacre", a única com o tipo de peso que eu comecei a apreciar.

O primeiro "clip" (será que podemos chamar de clip o que o Boninho produzia no Fantástico?) do disco foi "AA-UU". Definitivamente não gostei, achei uma música boa e sem graça. Cada vez mais me distanciava de comprar aquele disco. Confesso que depois de anos passei a gostar de "AA-UU" e hoje é uma das minhas favoritas.

Mas um amigo do Cursinho comprou e fez uma fita pra mim. Os primeiros 5 segundos do disco já mostrava um caminho diferente. "Cabeça Dinossauro" tinha apenas três frases e muito peso. E depois de "AA-UU" vinham 6 porradas diretas. "Igreja", "Polícia", "Estado Violência", "A Face do Destruidor", "Porrada" e "Tô Cansado".

Que lado! Que sequência! "Igreja" e "Polícia" eram duas músicas diretas. "Polícia" ainda é uma das minha favoritas nos show dos caras. Na gravação do Acústico MTV, quando os caras levaram a capela, deixaram a produção do programa louca, mas a galera feliz. Depois destas duas vem "Estado Violência. Pouco tocada e pouco conhecida , uma das poucas músicas do Charlie Gavin mantém o ritmo de protesto com força.

Depois de uma breve pausa entre as faixas vem os melhores 34 segundos do disco. "A face do Destruidor" é berrada quase em fôlego por um Paulo Miklos esgoelado que praticamente não consegue completar a tarefa. Quando você tem, 14 anos e se depara com um muro como este isso muda alguma coisa na sua concepção. Não sei se isso me levou aos Ramones ou se os Ramones se por causa disso se tornou tão gostoso. Brincadeira de garoto era tentar acompanhar o disco e chegar respirando ao final. Confesso que ouvindo o disco dias atrás tentei fazer o mesmo e não fui bem sucedido, mas com um pouco de treino eu volto a porrada.

Depois destes 34 segundos vem outra música que eu adoro. "Porrada". e a música de todo fim de tarde no Ceca, "Tô Cansado". A primeira cantada pelo Arnaldo e a segunda pelo Branco, na hora que o Branco tinha alguma voz. Me apaixonei ainda mais por "Porrada" quando ví a roda que se abriu sob a lona na matinê do velho Projeto SP no show de lançamento do disco, no fim de setembro de 86. Porrada em em todos os caras.

O Lado B tem apenas cinco músicas e três dos maiores sucessos dos Titãs. "Bichos Escrotos", "Família" e "Homem Primata". A segunda um reggae cantando pelo Nando com um belo solo de baixo e muito swing. Confesso que gostava bem mais dela há 20 anos. Hoje já to meio de saco cheio desta música. "Homem Primata" é a que faz mais sucesso nas pistas em festas. É muito difícil resistir ao seu ritmo. Uma música simples e direta, pronta para tocar nas rádios e que o tempo não deixou desbotar tanto.

Já "Bichos Escrotos" é tão ou mais maravilhosa quanto da primeira vez. Não só pelo 'Vão se foder" mas pela força de interpretação que o Paulo imprime no disco e nos shows ao vivo. Não tem como resistir e cantar junto. No show, no rádio (isso agora, já que quando o disco saiu ela era proibida pela Censura) e no cd player. Para mim este é o maior clássico dos Titãs, a música que retrata melhor dos caras. Antes de acústicos, discos covers, mortes e separações. Antes de rugas com Botox. Na época em que elas eram habitadas por pulgas.

O disco termina com "Dívidas", a que mais remete ao trabalho anterior dos caras, e "O Quê". Uma letra típica de Arnaldo Antunes trabalhada com muita eletrônica. Isso não era comum na época, ainda mais em um disco violento como este. "O Quê" é o oposto do de tudo mas se encaixa perfeitamente e mostra um caminho que os Titãs usariam muito em seus três próximos discos.

Há 20 anos, fita foi substituída pelo disco em pouco rapidamente e o tempo ainda não tirou o valor de "Cabeça Dinossuaro", o melhor disco de 1986.



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h51
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   Acharam!!!

Dois dos mais famosos quadros do pintor expressionista norueguês Edvard Munch (1863-1944), "O Grito" e "Madonna", roubados em 2004, acabam de ser recuperados, anunciou nesta quinta-feira uma fonte policial de Oslo. O valor total das obras pode alcançar os US$ 100 milhões.

Em 22 de agosto de 2004, dois homens mascarados e armados entraram no museu Munch, em Toyen (centro da capital norueguesa), e ameaçaram dois guardas de segurança e os visitantes, levando os dois quadros.

As obras, pintadas no final do século 19, continuaram desaparecidas apesar de dois anos de investigação policial e de uma recompensa de dois milhões de coroas (US$ 325 mil) oferecida pela prefeitura de Oslo.

Em meados de 2005, o museu decidiu reabrir suas portas após cerca de um ano fechado devido ao roubo. Com a ausência dos dois famosos óleos, a direção do centro buscou em seu acervo um pastel de "O Grito" e uma litografia de "Madonna", duas peças menos acabadas, mas que serviram de "paliativos".

Edvard Munch realizou quatro versões, mais ou menos acabadas, de cada uma das duas obras. Outra versão de "O Grito" foi roubada da Galeria Nacional da Noruega em fevereiro de 1994, dia da inauguração dos Jogos de Inverno em Lillehammer, sendo recuperado vários meses depois.

Em 2005, o roubo de "O Grito" e Madonna" apareceu em quarto lugar numa lista do FIB, a polícia federal dos Estados Unidos, que apontou o que seriam os dez maiores crimes cometidos contra as artes no mundo --nem todos registrados em território americano.

De acordo com a divisão do FBI (criada em 2004) especializada em investigar crimes cometidos contra as artes, o setor criminoso movimenta por ano entre R$ 1 e R$ 2 bilhões.

Eu tive a sorte de ver os dois quadros no Museu Munch em Oslo. Posso dizer que foi um dos dias mais deliciosos da minha vida. A pintura de Munch é transformadora, impactante e bela. Se você tiver a sorte de ir a Oslo vale a visita, não só no Museu Munch como também no Museu Nacional da Noruega. Vale a pena.



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h39
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   Tangas de crochê

Nesta terça estive em um encontro o Deputado Fernando Gabeira. É sempre muito bom poder trocar idéias com alguém a história de vida dele. Em um bate papo pra lá de informal, o deputado contou como foram os últimos 4 anos no Congresso, da briga a caça dos corruptos, da pressão para derrubar Severino, da luta para a instalação da CPI dos sangue-sugas, da sua saída do PT.

Entre as trocas de idéias, algumas constatações. Existem dois tipos de congressistas: os patrimonialista e os republicanos. Ainda somos muito frágeis na vigilância do bem público. Os corruptos ainda não estão habituados para a era da informática e os rastros digitais são o mapa do tesouro para a caça deles. O internet e a nova tecnologia digital vai aos poucos tomando o lugar de manifestações populares na pressão ao Governo. Estamos deixando de ter uma pressão "visível" para uma pressão "sensível". Gostei muito de saber que 5 deputados federais cederam suas senhas e criaram uma ONG que pretende fiscalizar o uso do orçamento da União. Um trabalho de Hércules que ele pretende fazer.

Mas não é só fiscalizando que Gabeira pretende atuar. A criação de uma campanha para aumentar o número de pessoas capacitadas a usarem o computador é um projeto interessante que pode ajudar a combater esta desigualdade. Além disso, Gabeira explicou também sua atuação na área de meio ambiente e se mostrou desmotivado com o caminho da política ambiental brasileira. Cutucou os empresários afirmando que eles reclamam muito da demora das licenças ambientais mas que não estão dispostos a ajudar na criação de um instituto de estudos de impactos ambientais

Algumas coisa Gabeira não soube explicar. A diferença entre Lula e PMDB e Alckmin e PFL e se hoje estamos apurando mais esquemas de corrupção pelo fato de termos um Governo menos forte no Congresso ou pelo fato deste ser o Governo mais corrupto da história republicana Compartilho da idéia que a evolução do congresso é lenta e gradual e que cada vez mais temos que eleger pessoas ligadas a valores éticos e que por muito tempo teremos lutas quixotescas com as quadrilhas lá instituídas. Ainda compartilho a idéia não lutamos contra moinhos de ventos e sim contra gigantescas ratazanas. Para exemplificar sua esperança Gabeira usas sempre a sua experiência na luta contra a ditadura.

 

O que se pode aprender com o Gabeira é que por mais que você possa ter a possibilidade de se acomodar sempre se deve ter um espírito inquieto e combativo. Militante de esquerda, Gabeira soube evoluir e trazer seu discurso para o Século XIX. Continua combativo na luta pela igualdade de condições, diminuição da miséria, mas não usa mais elementos que há muito tempo perderam seu valor. A capacidade que ele tem de se relacionar com o mundo e com as novas realidades é impressionante. Sabe que cada vez mais o mundo se relaciona em redes e quer dar instrumentos aos que não conseguem construir as suas sozinho.

Mais uma vez, como há 4 anos, o Zé e a Dadi (grandes sogrão e sogrona) me proporcionaram uma bela noite. Noite que não terminou quando o Gabeira foi embora. Poder sentar para tomar um vinho e trocar idéias sobre outros assuntos inspirado por um debate tão estimulante deram um charme especial ao debate. Foi uma bela sobremesa depois de um jantar delicioso.



Escrito por Sinais de Fumaça às 18h04
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   Música serve pra isso.

Meu real interesse por música entre 82 e 84. Algo entre o show do Kiss no Morumbi e a edição do Rock in Rio que seria realizada em janeiro de 85. Lembro que fui ao Shopping Morumbi e me deparei com o primeiro dia de venda dos ingressos. Peguei um folheto que mostrava a programação e me deparei com nomes conhecidos e coisas que eu nunca tinha ouvido falar.

Um dos meus primeiros disco foi uma coletânea do Queen. Minhas primeiras fitas cassetes gravadas eram justamente dos shows do Kiss que gravei direto da televisão. Eu adorava os caras. Nos velhos programas de video-clip (a MTV nem existia) as bandas de Heavy Metal me chamavam atenção na época. Eu gostava de Blitz também. Era uma coisa estranha, que falava a minha língua, cheia de sacanagem, e o disco ainda era riscado, duas faixas totalmente riscadas.

Tudo é bem diferente que as músicas que se ouviam em casa, muito mais MPB. Quando eu era pequeno eu tinha medo da Bethânia. Aquela voz a noite me deixava gelado. Meu tio, quer é 5 anos e meio mais velho, gostava de coisa como Supretramp e umas babas americanas. Eu achava aquilo meu chato.

O Heavy foi minha primeira saída. Durante toda a minha 5ª série ficava vendo na TV várias bandas e desenhava seus logos nas carteiras do Arqui. Gostava do Heavy clássico com Sabbath e Zeppelin e de babas como Motley Cure e WASP. Iron era uma banda nova para mim. Number of the Beast, com aquela capa clássica era meu objeto de desejo na HI FI. No fim de 84 ganhei de presente de amigo secreto o LP do Iron Powerslave. Passei dias olhando a capa e vendo cada detalhe da maravilhosa capa.

Lembro de um amigo em Caraguá que tinha um irmão mais velho que ouvia o dia inteiro Ozzy. Este cara me mostrou também uma banda que fazia Heavy em português, o Made in Brazil. Eu sempre fui apaixonado por música em português e cresci ouvindo rock brasileiro. Nisso, o Fábrica do Som e Rock in Rio foram fundamental. No fábrica vi pela primeira vez coisas como Titãs, Ira!, Mercenárias, Voluntários da Pátria. No Rock in Rio pude ver Paralamas tocando ao vivo. Um Impacto na minha vida.

Mas este blá, blá blá todo é para falar sobre 1986. Recentemente uma série de publicações tem trazido matérias sobre alguns dos principais lançamentos daquele ano. Alguns dos melhores discos nacionais de todos os tempos foram lançados naquele ano. A lista tem Cabeça Dinossauro, Dois, Vivendo e não Aprendendo, Selvagem, álbuns que vão estar em qualquer lista dos 20 melhores do país em todos os tempos e algumas coisa perdidas como Cadê as Armas, Fellini só vive duas vezes, Violeta de Outono, O futuro é vórtex e Camisa de Vênus Viva. Disco que gastaram várias agulhas nos meus toca-disco. Disco fundamentais na minha formação. Prometo falar um pouco de cada um deles. Prometo tratar com mais atenção estes bolachões que entram na casa dos 20. Afinal, alguns resistiram ao tempo e ainda dão muito prazer de serem ouvidos.



Escrito por Sinais de Fumaça às 18h20
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   Viver no Gueto

Não sei porque ainda perco o meu tempo folheando a Veja. Digo folheando porque não consigo mais ler a revista. Nesta semana, a coluna Gente (a mais nada a ver da revista) mostra uma foto de Tati Quebra Barraco tomando champanhe em sua mega cobertura. No texto, a coluna contra que a funkeira foi pega fumando maconha e depois da delegacia foi descansar na sua cobertura de cinco quartos. Para amenizar a nota diz que o super-apartamento está próximo a Cidade de Deus, local de origem da funkeira.

Há quase um mês, o Segundo Caderno de O Globo veio com uma capa mostrando o sambista Jorge Aragão e o seguinte título: "Ele gosta mesmo de Shopping". E conta que o sambista mora na Barra e adora passear nos shoppings da região.

Minha aversão as duas matérias é a maneira que lidamos com a ascensão social. Só porque alguém nasceu em uma favela, faz música aceita pela classe baixa, tem que morar em uma favela o resto da vida. Mesmo se ganhar dinheiro, mesmo se fizer muito sucesso, ela não pode sair do Gueto que nasceu. Não pode ter os mesmos sonhos da classe média,. Tem quer continuar na favela, vivendo em um barraco, indo a hospital público, andando de Monza e não de Audi, bebendo pinga, comprando em camelô e todos os estereótipos que a Santa Classe Média constrói.

O Jorge Aragão não pode gostar de andar no Shopping. Isso é um programa de alguém que não é sambista. Sambista curte feijoada, cavaquinho, vive de copo na mão, sempre sorrindo e cantando, andando no meio do esgoto que desce pelos morros. Sambista não pode gostar de algo tão pequeno burguês. Shopping é para a classe média alienada, não para quem faz samba de raiz.

Imagina se a Tati resolve por butox? Imagina se o Jorge Aragão resolve fazer um implante de cabelo. Não pode. Tem que sempre ser como foi. Evolução não é feita para quem é pobre. Nós não aceitamos eles como iguais. Nós não aceitamos alguém que saiu de baixo ter mais sucesso, mais dinheiro, mais cultura que a nossa. Temos que manter todos nos lugares de onde eles vieram. Temos que ter tudo sobre controle. Popular tem que ser popular. Erudito tem que ser erudito. Não somos iguais, não temos como aceitar isso.

A Tati não pode comentar sua lipô, ela é ridicularizada porque gosta de transar duas vezes ao dia. Já uma socialite qualquer pode foder em um banheiro de um bar da moda da Zona Sul carioca e ficar grávida de um roqueiro que não tem problema. Isso nós aceitamos. Uma favelada ter uma cobertura de 5 quartos com o dinheiro ganho pelo seu salário, um sambista gostar de gastar seu dinheiro ganho com seu cachê não. Neguinho ganha dinheiro traficando cocaína em gado, superfaturando compra de ambulâncias públicas, desviando recursos de banco de sangue e tudo bem. A filha de um vira apresentadora, ninguém deixa de comer na pizzaria do outro, alguns tentam a reeleição e vida que segue. Só não coloque um ex-fudido, ex fedido para morar no meu condomínio.

 



Escrito por Sinais de Fumaça às 15h20
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   Espaço

Amigos!!! Plutão não é mais planeta. O que eu faço com o meu mapa astral? O que vamos fazer? Como os astrólogos vão justificar nossos traços de personalidade sem Plutão na oitiva casa? Como vai fiar a influência de Plutão em convergência com a Lua? Agora ferrou! Isso é uma Plutaria com a astrologia! Plutaoquepariu!!!



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h46
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   A solução pro seus problemas

Um recado nada inocente divulga um novo e inusitado acessório do iPod: "Vibre no ritmo de sua música favorita". O vibrador "OhMiBod", lançado em julho na feira Adult Novelty Expo, na Califórnia, promete fazer seus compradores provarem "experiências sensoriais incríveis".
Dotado de um microchip, OhMiBod "toca" de acordo com a batida e o ritmo da música executada no iPod. Sua medida é de aproximadamente 13 cm de comprimento por 2,5 cm de largura.
O utensílio é vendido no site (www.ohmibod.com) por US$ 69 (cerca de R$ 150). O produto vem com fone de ouvido e requer duas pilhas tamanho AA.
OhMiBod também traz a opção "multi-speed", permitindo o aumento do "ritmo" e a utilização do produto sem música.
O site ainda disponibiliza um espaço para que seus compradores dêem um testemunho íntimo sobre o uso do produto. "Eu não consigo acredita em como ele funciona bem", diz uma mulher de Nova York. "Meu noivo gravou sua voz e mandou para tocar no meu iPod. Fez minha viagem muito menos dolorosa", afirma outra, de Atlanta.


Escrito por Sinais de Fumaça às 16h04
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