Sinais de Fumaça
   Música serve pra isso!

Minha paixão na vida, além da minha MULHER, são discos. Desde moleque sou apaixonados por estes objetos. Antes os grandes LPs, que ainda amo. Capas maravilhosas, encartes e o bolachão preto com dois lados recheados por sulcos revelando músicas deliciosas, trazendo sensações escondidas na alma, produzindo pro mais ou menos meia hora uma deliciosa euforia.

Com os cds surgiram a vantagem de poder levar parte da sua de discoteca para onde você for e não ter que se levantar para trocar o lado do disco, mas acabamos perdendo a magia das capas, dos detalhes, exprimidos em um pequeno espaço. Acho que ainda não conseguimos traduzir a linguagem dos Lps para os Cds, isso nem deve acontecer mais, já que o Cd está ficando obsoleto. Mas isso é uma outra história.

Desde os meus primeiros discos sempre busquei mais e mais discos, mais e mais cds. Sou apaixonado por música. Infelizmente não se pode comprar tudo que se quer e a saída para conseguir grandes discos sem dinheiro se chamava fita-cassete.

Quando ganhei meu primeiro rádio-gravador passava horas ouvindo rádio e tentando gravar o máximo de fitas com o máximo de músicas possíveis. Naquela época São Paulo tinha uma bela rádio rock que tinha coragem de tocar novas bandas e belos clássicos. Eram horas de aprendizados para um moleque de 14 anos. As fitinhas iam se acumulando. Eram shows especais, apresentações piratas, músicas novas, faixas obscuras de discos clássicos, além de discos copiados de amigos. Eram pequenos tijolos que iam moldando minha cabeça. Parte destas fitinhas se transformavam em bolachas reais. Parte nunca deixou as capas amarelas das Basfs. Parte se perdeu em gravadores ruins, mas desde o início estas fitas revelavam o desejo de conseguir o máximo de músicas, desejo que o dinheiro nunca conseguiu acompanhar.

Hoje acumulo CDRs. Graças a criação dos programas de troca de música e dos sites e blogs que oferecem discos para download imediato, um sonho de criança vai se tornando realidade. Noites e noites de micro ligados, dias e dias de visitas a blogs e milhares de arquivos sendo baixados. Tem horas que não dá para ouvir tudo, mas sempre se arruma um tempo. Seja em casa, no micro, no trabalho, no MP3 player. A multiplicação de músicas livres pela rede é maravilhosa. Acesso a tudo que você leu e não teve grana para comprar. A novidades que você sempre desejou, os clássicos fora de catálogo. Musica ao alcance do mouse E como se de repente, você tivesse um grupo de amigos em todo o mundo, pronto para te fornecer uma velha fitinha cassete de qualquer parte do planeta. Você não precisa gastar mais sua mesada com os importados da Baratos Afins ou da Woodstock, ou esperar as ofertas da extinta Mesbla, Hi-fi ou os feirões do Mappin .

Hoje, cada vez mais, o que você quer está a uma busca, logo ali. Compartilhada. Livre. Digital. Pronta para consumo. E ainda com a possibilidade colocar tudo num MP3 de 60 Giga e fazer a festa durante meses. Sei que isso prejudica a indústria da música, atrapalha as vendas, mas faz a alegria de milhões de eternos adolescentes que viajam horas e horas atrás do simples prazer de ouvir música. Pena que meu HD só suporte 200Gb.



Escrito por Sinais de Fumaça às 14h12
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   Domingo

Meus melhores shows eu vi em domingos. Graças ao Carlão, amigo velho de guerra e feirante, as saídas da turma do Liceu eram sempre aos domingos e durante muito tempo meus domingos não tiveram gosto de Fantástico... Fim do fim de semana sempre tinha zumbido nos ouvidos, suor, risadas e longas horas de música.

Domingo passado rumei para o Claro Hall com a sensação de volta ao passado. Não estava a bordo de um DeLorean nem me chamava McFly mas uma certa nostalgia de adolescente estava presente. A mesa era longe, o ruído e barulho era forte, mas tudo foi rapidamente substituído quando a luz se apagou e durante mais de três minutos os dois únicos focos de luz vieram em um refrão revelando apenas um rosto branco e uma voz incomparável.

Em pouco mais de um minuto, Marisa Monte te leva para um outro mundo, um universo dela, um Universo Particular feito com beleza e simplicidade.

Primeiro Marisa separa a escuridão da luz para depois dar vida belas músicas. Na primeira fase do show, Marisa canta e toca (gaita, violão, baixo, guitarra, uklele e kalimba) entre os músicos, do alto de um tablado, rodeada por violões, percussões, cordas e até um fagote. E aos poucos ela vai se soltando, deixando a roda para assumir a frente do palco e fazer da hipnotizada platéia seu instrumento.

Infinito Particular é simples e emocionante. Um resumo da carreira de uma grande cantora que, aos poucos, foi deixando de ser apenas uma bela interprete para se tornar boa compositora e uma perfeita cantoras.

Para quem viu Marisa, em 89, num domingo chuvoso qualquer em Sampa, fica fácil entender porque ela é hoje a maior cantora do país. Fica fácil entender como ela consegue trabalhar tantas nuances e ritmos com o mesmo talento. Perfeita na interpretação, dona de seu repertório, de suas escolhas, de suas músicas e decisões. E isso se confirma a cada três minutos, a cada começo de canção, a cada fim de acordes, a cada explicação, ofegante, mostrando que não é fácil ser Marisa.

Por mais que todos achem que a mãe de Mano Wladimir é uma maravilhosa cantora de Samba, eu ainda prefiro, e sou apaixonado, pela canções ditas "pops". Aquelas feitas com três acordes simples, sem compromisso, para iniciantes em rodas de violão. Ninguém é mais perfeita nestas canções que Marisa. quando ela canta uma música de Dadi quase no fim do show. fico pensando o dia que ela vai voltar a ser apenas interprete e gravar um disco com o melhor do Rock nacional, sem frescura, sem gorduras, simples como um bom pop-rock deve ser. Claro e delicioso.. até lá me delicio com seu novo show, com seus dois novos discos e com a boa sensação que sua bela voz me provoca.

E no meio de pensamentos e sensações me deixo levar pela beleza de Infinito Particular. E o maior segredo desta beleza é o simples cenário e a magnífica iluminação. Luz em movimento. sem cores, sem spots. Telões de luz branca iluminando, passeando, bailando entre músicas e músicos. Cieman ao vivo. Mostrando cada momento Limpa como a voz de Marisa que sobressai entre sambas, baladas, batidas pops, afros, tradição, fagotes, postes de luz, velas virtuais, pseudos-passarinhos em gaiolas e um coral de 8 mil vozes.

Domingo minha saudade adolescente passeou por um Universo Particular. O universo de Marisa. Que ele volte mais vezes.



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h06
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   Ridículo

CBGB's vai mudar para Las Vegas. Após meses de lutas legais com os donos do imóvel, o proprietário do clube, Hilly Kristal, finalmente anunciou para setembro o fechamento da casa. O novo CBGB's deve abrir em Las Vegas em 2008.

Pé sujo melhor estilo americano, o CBGB's foi o primeiro palco de bandas como Television, Talking Heads, Blondie, Deead Boys e RAMONES. Kristal prometeu levar todo bar para Vegas, até o mictório que Joey Ramone usava, mas o deserto de Nevada não tem nem um pouco de charme da parte baixa e suja de NY .

 



Escrito por Sinais de Fumaça às 18h07
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   5h20

Quem disse que não tinha luz. Quem disse que o dia estava apenas começando. O melhor do dia aconteceu sem luz, quase sem som, no fim da madrugada, no pijama deixado no canto da cama, no bom dia com som de bocejo, no café que quase não aconteceu, na espera sem muito saber que estava certo e no beijo de até a noite. O melhor do dia veio quando o sol alaranjada a Lagoa e do lado oposto, ainda rumo a escuridão, parte da minha vida rumava para longe.



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h06
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   De volta

Primeiro dia de aula, novo colégio, novos futuros colega e nada parece dar certo. Tudo conspira contra. Você não sabe se mexer, não sabe onde é o banheiro, a cantina, quem são os professores, quais são as aulas, e nada de livros, de cadernos, de lições, nada... primeiro dia de aula é longo e parece que nada acontece... e a gente volta pra casa sem graça, sem vontade de estar lá de novo, querendo o antigo colégio, os antigos amigos... Mas o tempo vai passando e a coisa melhora. Não sei se o colégio vai ser bom ou se os amigos vãos er para sempre, mas sei que a força faz com que o desafio seja superado e que as cores que no primeiro dia não vieram vão, aos poucos, colorindo aquela cinza e chuvosa segunda.

7

Tão fácil, tão rápido, tão gostoso e tão cheio de emoção. 7 e cada vez mais apaixondado! Bobo mesmo! Do jeito que sorri do nada e que dorme feliz, com as mãos enroladas nos cabelos... Simplesmente feliz...



Escrito por Sinais de Fumaça às 16h09
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