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O Cride
Fala pra mãe que morreu Ronald Golias.
Escrito por Sinais de Fumaça às 15h09
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A Burguesia Fede
Texto da Folha de S. Paulo de Hoje. Incrível argumentos como sorte e seleção natural. Transformar o Unique em uma câmera de gás seria um favor a Humanidade. Moramos no país mais desigual do mundo e foda-se. Nunca ninguém tem nada a ver com isso.
Público acha "normal" pagar R$ 300 em show
BRUNO YUTAKA SAITO DA REPORTAGEM LOCAL
Pagar R$ 300 para assistir ao show do Moby não causa nenhum constrangimento social -ao menos para aqueles que foram ao hotel Unique na última sexta. De salário mínimo em salário mínimo, o que movia a noite era o sonho individual de ser especial, ser uma pessoa muito importante. VIP, enfim. "O Brasil é assim mesmo. A gente não tem culpa que muitas famílias vivam com R$ 300 por mês", diz Fernanda Harger, 22, formada em administração. "Sei que soa preconceituoso, mas...", pondera. Ela optou pelo show no Unique em vez da apresentação no Espaço das Américas (com ingressos mais "baratos", a R$ 140) porque acredita que o preço "seleciona as pessoas". "Acho até bom que seja meio caro; quando a balada é muito barata, eu desconfio. Aqui a gente só vê pessoas mais bonitas e educadas." "Sei que R$ 300 não é pouca coisa, mas dinheiro não é problema para mim", diz o empresário de eventos Márcio Ávila, 24. "Tudo depende da base da comparação. Ao menos uma vez por semana, gasto isso numa balada." Para ele, o show era uma boa ocasião para paquerar moças, já que não fazia idéia de quem era Moby. Ávila queria gastar "uns R$ 400", além da entrada, já que pagaria pelo estacionamento (R$ 20) e por bebidas -que não eram as cervejas "gratuitas" oferecidas na festa. Já o casal de amigos Vanessa Prieto, 26, e Marcelo Muller, 23, era a própria encarnação da luta de classes. "Só vim porque ganhei o ingresso. Não viria se tivesse que pagar. Sou consciente da situação do Brasil", afirma Prieto. "Ela é marxista...", ironiza Muller. E ele, pagou? "Não. Foi meu pai. Eu tive sorte de nascer assim. Tenho noção do absurdo, mas prefiro me enquadrar no sistema." O publicitário Fernando Brito, 37, não pagou, mas ganhou. É VIP, portanto. Ele se acha muito especial? "Se sou mais especial que os outros, não sei. Mas as pessoas não têm culpa de ter grana."
Escrito por Sinais de Fumaça às 10h05
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Dias e Noites na Itaperu
Deus estava comigo !!!
Deixei o Sportv 1h30 logo após o jornal, desci a rua Itapiru e virei à direita em direção à Tijuca. Exatamente a rua da descida do morro. Tinham 3 carros na minha frente e percebi que os carros eram parados por dois caras com metralhadoras apontadas. No escuro não dava para ver direito, quando cheguei mais próximo percebi que não eram policiais. Já estava na altura do meio da rua. Imediatamente dei ré sem pensar. Seguir seria o fim. Sozinha no carro, na entrada do morro 1h30 da manhã....
Eles começaram a correr na direção do carro atirando sem parar. Consegui chegar de volta a Itapiru e segui a rua na contramão. Dei de cara com 2 carros da polícia que fecharam o caminho e já sairam dos carros com as armas em punho. Levantei os braços, pedi por socorro, me identifiquei, eles me acompanharam até a praça do Rio Comprido. Ainda não tive coragem de olhar o meu carro por fora. Estou viva!
Avisei aos amigos para não deixarem o prédio.
Porque precisamos viver assim?
Graças a Deus estamos vivos!
É impossível! Aí vai mais um fato! Mais um que, graças a Deus e todas as outras forças do bem, acabou tudo bem. Mais um...nao o primeiro.....e com certeza tb nao o ultimo. Terminado o jornal de hoje (quarta-feira dia 14/09) saí da redação (mais ou menos uma e meia da manha) junto com o Kiko que, graças a Deus, ia de carona comigo. Passando pela tal primeira curva como quem vai para o Rebouças, o táxi a minha frente seguiu reto na contramão, aí o Kiko (que graças a Deus estava comigo) falou: "olha só que doente...". E eu: "é...na única vez que eu fiz isso..." (eu ia me referir aquela vez que fomos - eu, Lívia e Sandra Klar - perseguidos por duas motos, mas não deu tempo...) assim que virei a curva, dois garotos (não tinham mais de 18 anos) foram para o meio da rua. Um deles apontando uma pistola e outro (que parecia o líder) apontando uma arma que não sei o nome, mas maior que eu podia imaginar que existisse. Eu e Kiko levantamos as mãos e eles vieram em nossa direção.
O líderzinho me mandou abaixar o farol e abrir a porta, ordens rapidamente obedecidas. O outro perguntava ao Kiko sobre as duas caixas de beta que ele carregava. E o Kiko explicando..."nada nao, são só fitas do trabalho, preciso delas pra amanha"...e eu pensando "amanha? Tomara que tenha amanha!". Graças a Deus surgiram mais carros atrás, na curva. O cara do meu lado disse: "não sai do carro, fica ai!" e foi parar os outros. E eu e Kiko repetindo meio baixo, com medo: "ta tranqüilo...ta tranqüilo..." (acho que foi uma maneira que encontramos pra tranqüilizar um ao outro). Pouco depois (na hora uma eternidade) o garoto do lado do Kiko mandou a gente ir. Sem pensar nem meia vez andei com o carro e fomos embora.
Ainda no caminho ligamos pra redação pra avisar o pessoal que estava saindo. Deixei o Kiko no Jardim Botânico (engraçado, antigamente eu tinha medo quendo passava por lá a noite, hoje parecia que o Jardim Botânico era o local mais seguro do mundo) e depois voltei pra casa, um pouco revoltado, um pouco confuso, um pouco feliz, um pouco inseguro sem o Kiko, um pouco de tudo! Falei com o Felberg no telefone, que também disse que o pessoal do transporte estava comentando sobre os garotos quando as vans saiam de lá.
Depois, como faço sempre a noite, fui fechar a porta do quarto dos meus pais (porta fechada = eu e minha irmã em casa = tudo bem) e meu pai, quase como sempre acordado, preocupado, deu um "tchau" com a mão. Não sei, mas aquele "tchau" foi diferente. Pra ele foi mais um tchau, como de costume, mas pra mim foi "o" tchau, o tchau que eu vejo toda noite e não sabia se receberia outro. Não quero me fazer de vítima, ate porque não sou o único, nem o ultimo. Não to aqui pedindo pra ninguém ter pena nem nada, é um simples dasabafo. Um simples relatório do que se passou e nada mais, o que não dá é pra ficar calado! Assim como o Rui (com certeza em menor proporcao), não tenho outra coisa a fazer senão passar o fato adiante.
Dormir? São três e meia é ta impossível! Posso ate estar fazendo muito blá, blá, blá com o caso, posso estar fazendo mais um e-mail que todos vão ler e falar: "nossa, que horror, e esquecer dois minutos depois". Não culpo ninguém por isso, é ate normal........mas não dá pra ficar calado! E é aí que entra aquela velha frase: "só quem passa por isso sabe". Só eu sei. Só o Kiko sabe. Só a Lívia sabe. Só a Sandra sabe. Só o Rui sabe. O problema é que tem muita gente sabendo!
E mais, sabe aquela sonora que todo mundo espera nas materias? "você sai de casa e não sabe se vai voltar...". Parece piada, mas é exatamente isso! A incerteza continua e nada é feito, porque mais uma vez, enquanto é com os outros........acho ainda que só será tomada uma providência séria o dia que (isola, isola, isola) acontecer alguma coisa muito, mas muito séria com alguém, porque meras perseguições, algumas armas apontadas e simples sequestrozinhos relâmpagos? Ah, bobagem, amanha tem mais!
Bom trabalho a todos!
Escrito por Sinais de Fumaça às 10h24
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Meio babão, meio bobão
O tempo passa mais rápido do que se pode imaginar. 3 meses. Eram mais de 10, agora só faltam 3 meses. E cada dia parece mais rápido. Tem horas que paro para pensar no que vai acontecer e imagino o que passou neste tempo todo. Cada detalhe pensado, cada desafio superado. Tá quase tudo pronto, tá quase tudo funcionando. A festa está tomando forma, a Igreja quase fechada, o apartamento ficando cada dia mais legal. Vou ter minha casa, que vai ser nossa, vou ter uma vida que vai ser nossa, vou ter contas, problemas, brigas, manias para conviver, mas tenho cada dia mais certeza que vou ter a mulher certa do meu lado. Tenho cada dia mais certeza que vou ter um companheira acima de tudo, que vou ter alguém a fim de construir uma vida junto. Estou cada dia mais feliz de ter esta mulher do meu lado. To cada dia mais feliz de ter que passar todas as dificuldades de uma vida ao lado dela. 3 meses. Que venham os sins, as juras, os porres, os risos, os choros, os cheques especiais, as surpresas, os bifes queimados, as milhares de panquecas e quiches, as noites dormindo juntos. Que venham os filhos, os netos. os bisnetos. Enfim, que venha a vida que eu tenho para viver e que ela venha do lado desta mulher.
Escrito por Sinais de Fumaça às 10h25
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