Sinais de Fumaça
   Atocha

Dia 13 de junho chega ao Rio de Janeiro a Tocha Olímpica e uma seleção de 120 pessoas vai ter o prazer de correr pelas ruas da cidade, entre tiros e buracos da Cedae.

A lista é formada, em sua maioria por atletas Olímpicos. Algumas pessoas normais também estão em 120 eleitos. O gari Renato Lourenço, o guarda municipal Eraldo Luiz da Silva Soares e o professor Ítalo Gonçalves Júnior estão entre os selecionados.

Agora, alguém consegue me explicar porque Xuxa (que há 20 anos destrói a infância brasileira), Paulo Coelho e Tony Ramos fazem parte da lista? Tony Ramos não dá. O cara não é esportista, é uma mala sem alça, trabalha mal para caramba, só faz papel idiota e precisa de uma depilação urgente. Bom, mesmo assim, o elo perdido vai estar lá, com a tocha na mão. Bem que o fogo olímpico poderia queimar todos aqueles pêlos e nos livrar daquela Mala. Imagine o Tony Ramos pegando fogo e o mago Paulo Coelho fazendo chover para apagar o incêndio.



Escrito por Sinais de Fumaça às 11h59
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   O Mundo é animal

Uma família britânica visitava o West Midland Safari Park em seu Renault Laguna quando passou em frente a Sharka, um rinoceronte de 12 anos de idade e 2 toneladas de pura energia. Ao ver aquele carro desfilando com tamanho sensualismo, Sharka não se conteve: tomou a iniciativa e tentou copular com o automóvel.

Dave Alsop, que estava dentro do sexy carro com sua família, assustou-se com aquele animal de 2 toneladas em estado de reprodução e acelerou o carro, conseguindo fugir.

"Ele estava obviamente excitado", afirmou o manja Alsop. Esta é a prova que existe salvação para qualquer baranga, até para as que parecem uma batida de carro.



Escrito por Sinais de Fumaça às 11h59
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   Madrugada

Durante a Semana Santa me reencontrei com o passado. Na quarta-feira, cheguei a Caraguá de madrugada e tive que ficar andando pela cidade vazia durante uma hora e meia, esperando a minha família chegar de São Paulo com a chave de casa. Durante esta espera, resolvi reviver o meu passado.

Caraguá está na minha vida desde os 4 anos. Durante quase duas décadas passava quase todo tempo livre na cidade. Praia e bicicleta eram obrigatórios. Durante quase vinte anos me senti em casa na cidade. Conhecia vários cantos, lugares que quase ninguém conhecia. Amigos fiz um monte, tínhamos uma turma grande que largou as bikes, cresceu, conquistou o direito ao carro, mesmo sem carta, mesmo escondido. Eram poucos quarteirões que demarcavam nosso território.

Bom, depois que entrei na faculdade fui muito pouco a Caraguá. Acho que nos últimos 10 anos não foram nem 10 vezes. Neste meio tempo a cidade cresceu e o "progresso" chegou. Asfalto e urbanização no meu bairro. Duplicação da Avenida da Praia. Organização. Casa no chão e casa nova. Tudo novo. Referência, quase nenhuma.

Na madrugada de quarta, andei procurando algumas delas. As casas dos amigos estão lá, mas os moradores não são os mesmos, nem a vontade de tocar a campainha e saber onde estão todos. Não existe mais a poeira das ruas de terra. Não existe mais pista de bicicross, não existe mais o velho campo , nem as velhas companhias. Do passado, resta apenas as velhas casas, meio mal cuidadas, a saudade e o silêncio de uma cidade vazia.



Escrito por Sinais de Fumaça às 13h27
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   Elefant

Era uma tarde tranquila, de céu azul e nuvens brancas, em uma escola americana até que dois garotos começam a disparar contra todos. Era uma noite quente nada tranquila de outono carioca quando Gus Van Sant disparou seu Elefant.

Van Sant reconstitui o universo de uma escola de classe média alta em sua terra natal, Portland, Oregon e recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2003

Gun mostra cotidiano der estudantes, suas manias, namoros, problemas e conversas banais, de maneira realista, como se a câmera não existisse. Isso serve, durante mais de uma hora, como base para o final, quando dois moleques desencadeiam na escola um massacre semelhante ao de Columbine, no Colorado, quando dois alunos mataram 13 pessoas e em seguida se suicidaram.

A inspiração do título veio de um filme dirigido em 1989 pelo cineasta britânico Alan Clarke, retratando a brutalidade implacável dos assassinatos de católicos por protestantes e vice-versa na Irlanda do Norte. No final, as mortes se tornaram tão "fáceis" de ignorar quanto um elefante numa sala de jantar.

Elefant me trouxe de volta a escola e de como o limite é frágil. Entre 1997 e 1999, as escolas dos Estados Unidos foram palco de oito casos em que estudantes saíram matando seus colegas e professores.

Quantas vezes não pensamos em bombas, tiros explosões, mortes? Somos todos loucos capazes de atos insanos, a nossa fraca "razão' nos mantém. Mas até quando resistimos? O que nos faz romper esta linha?

Quando as luzes da noite de Ipanema tomaram conta da minha mente senti o peso do tiro que acabava de receber.



Escrito por Sinais de Fumaça às 11h47
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   Vou de Táxi

Não existe nada mais surreal que bate-papo com motoristas de táxi. Mas nesta semana travei um dos diálogos mais loucos da minha vida. Bom a história começou assim:

6h50 - Praia do Leblon - Destino Aeroporto

M - O senhor gosta daquela banda, o Legião Urbana?

E - Gosto sim, acho uma bela banda.

M - E o senhor gosta do vocalista, o Renato Russo?

E - Gosto, gosto sim.

M - É que o senhor é bem parecido com ele! Sabia?

E - É (meio sem graça e com muito sono). Já falaram.

M - O senhor está indo para São Paulo?

E - (meio sem saco e com cada vez mais sono) Tô sim.

M - A viagem é bem rápida, né?

E - Super, tem dia que é mais rápido chegar em São Paulo do que chegar no aeroporto.

M - Pois é, isso porque a gente não consegue viajar a nem 1% da velocidade da luz.

E - (COMO É? O QUE? VELOCIDADE DA LUZ? RESPIRANDO FUNDO). Nem vamos conseguir, os materiais não agüentam.

M - Imagina se a gente viajasse a 0,2% da velocidade da luz.

E - (repetindo com paciência) Nem vamos conseguir, os materiais não agüentam. A velocidade da luz e de 300 mil quilômetros por segundo.

M - (Assustado). Tudo Isso! Caramba!

E - (tentando terminar a conversar e dormir) Pois é. Se o sol apagasse hoje, nós teríamos mais 8 minutos de luz.

M - Nossa! Mas o senhor sabia que o Sol vai explodir?

E - (não creditando) é...

M - É sim, eu tava vendo o Discouver e eles falaram que o Sol vai se expandir, engolir o sistema solar e explodir, vai virar uma hyper nova

E - Uma super-nova!

M - Isso, uma super nova.

E - Mas isso, a gente nem vai ver, nós vamos acabar antes.

M - Nós não, mas os netos dos nossos netos. Você sabia...

E- (pronto, to fudido criou-se a intimidade e eu ainda estou em Copacabana)

M -. .. que se a gente parasse de poluir o mundo hoje, ainda existiria poluição daqui 200 anos?

E - Mas não tem como parar de poluir, temos é que saber como poluir sem causar danos ao meio-ambiente.

M - Isso, você sabe que nós vamos entrar numa nova Era Glacial. O aquecimento Global vai derreter às geleiras, o mar vai inundar o litoral e alterar o eixo de gravidade da Terra. Ai vamos entrar em uma nova Era Glacial. Vamos ser extintos como os Dinossauros.

E - (querendo cortar a conversa) Isso mesmo.

M - Só que não foram os Dinossauros os primeiro que dominaram o mundo. Foram os insetos. Eles dominaram o mundo muito antes dos Dinossauros.

E - (irônico) E vão dominar muito depois da gente, quase até o sol explodir. Só vão existir baratas...

M - Isso, inclusive, você sabia que existiam dinossauros muito inteligentes. Um deles era chamado de coiote. Os cientistas afirmaram que se eles não fossem extintos, os coiotes dominariam o mundo e construíram cidades, fariam museus e obras de arte.

E - (mais irônico) Seríamos todos coiotes hoje. Você seria um dinossauro motorista de taxi, um taxissauro.

M - Isso. Inclusive os governos escondem muitas informações. Eles escondem a verdade. Você acredita em OVINs?

E - (no limite do saco-cheio) Só quando estou bêbado.

M - Eu ví no Discouver que eles existem e o governo americano está escondendo esta informação

E - Pois é....

M - É, e este Lula não está fazendo nada...

E - (OVINs? LULA? será que ele acha que o Lula é um ET?))

M - É fogo, a gente está vivendo em uma ditadura

E - (Ditadura? O sono foi embora, o sangue subiu!) Ditadura não. Se vivêssemos em uma ditadura, com certeza esta conversa não estaria existindo. Você não poderia estar falando mal do Governo e nem trocando idéias comigo. Na ditadura você não tem liberdade de escolha e nem de crítica. O Lula está fazendo pouca coisa, é verdade, mas este é um governo extremamente democrático.

M - (contrariado) É verdade, bom chegamos. R$ 22,80..

E - Tó 23, por favor me dá um recibo?

M - Lógico.

E - Bom dia e um ótimo trabalho.

M - Obrigado, boa viagem e vá com Deus.

E - Amém.



Escrito por Sinais de Fumaça às 12h14
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