Sinais de Fumaça
   Bom dia
Meu dia começou muito bem. Isso é comum quando durmo com a Pepa, mas foi só deixá-la no trabalho para mudar. Quando estávamos indo para o Centro, vi que precisava abastecer. Um minuto depois do beijo de bom dia, enquanto caminhava para a maravilhosa rua Itaperu, pelas ruelas do Estácio, o velho Corsa começou a falhar. Pensei: Fudeu!
Estava a 2 quarteirões de um posto, mas não deu. Hora de descer do carro, empurrar até um lugar onde dava para estacionar, e caminhar até o posto de gasolina.
Chegando ao posto pedi um galão de 5 litros, a resposta, com ar de superioridade: Não tem não! Pensei mais uma vez: Fudeu!.
A sugestão do frentista era caminhar até a feira e pedir uma garrafa ou revirar os latões de lixo da cidade atrás de um Pet de dois litros. Ninguém na feira tinha porra nenhuma, todos os latões tinham sido esvaziados naquela hora. Ainda bem que encontrei uma mecânica que me emprestou duas garrafas de óleo para colocar a gasolina. Problema resolvido era só caminhar até o posto. Mas um tiroteio não identificado me deixou 5 minutos preso na porra da oficina. Só pensava no meu carro: Fudeu!
Bom, depois dos tiros, fui até o posto e me abasteci de 4 litros em duas garrafas. Caminhei de volta para o carro. Coloquei as duas garrafas sobre o Capô e, do nada, sem motivo nenhum, as duas garrafas viraram e quase toda a gasolina caiu sobre este babaca. Cabelo, olho, camiseta, calça, tênis. Mais uma vez pensei: Fudeu!
Ainda bem que sobrou meio litro em cada garrafa. Agora era só abrir o tanque, despejar a bagaça e dirigir até o posto. Chave pronta para abrir a tampa e nada. Mais uma tentativa e... nada. Caralho! mais uma vez: Fudeu!
Depois de 38 tentativas finalmente consegui colocar a gasolina no tanque e chegar no posto. Tranquilo, fui trabalhar encharcado de gasolina e de saco cheio. Pensa que acabou? Quando estava escrevendo este texto, o computador travou duas vezes. Fudeu. Só espero que o post apareça na tela.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 14h27
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   Criança tem medo de porrada
Um estudo inglês mostrou que as crianças se sentem mais ameaçadas por cenas reais de violência exibidas na TV e no cinema, como os atentados de 11 de setembro. Quanto maior a proximidade, maior também é o medo. Essas são conclusões apresentadas pelo estudo como Crianças Interpretam Cenas de Violência, publicado pela British Board of Film Classification.
De acordo com o estudo, as crianças sabem distinguir quando uma cena é ficção ou realidade. E a realidade é sempre mais perturbadora. A agressão ser injusta também faz com que a cena seja percebida como mais violenta.
Quanto mais próxima do cotidiano da criança, mais frágeis elas se sentem. Deve ser por isso que meus maiores pesadelos eram com as matérias do fim do mundo transmitidas pelo Fantástico.

Walkman
Rita Lee canta seu fruto proibido enquanto tento matar o tempo no trabalho. Tem horas que esta redação parece mais solitária que uma geleira no norte da Islândia. Daqui a pouco, madame Rita vai deixar espaço para os Islandeses reais do Sigur Ros, cópia genérica produzida esta manhã.
Geleiras e solidão, tem horas que o frio do ar-codicionado não passa, fica na pele. Parece que vai congelar. Me sinto no alto do Everest sem oxigênio, descalço e sem luvas. Preciso sair logo daqui. Mudei de idéia. Nada de Islândia, deixo Ian McCulloch me levar em Evergreen. Preciso respirar e ver se existe lua nesta noite. Sexta eu folgo, quinta trabalho de manhã. Sol é bom, mas quero a noite e dormir abraçado, vendo a lua.
Echo me deixou mais animado. A música tem um poder restaurador. Aquece. Sábado fui ver bem-me-quer, mal-me-quer. Filme francês delicioso e inventivo. Deixei de ver o show do Mundo Livre. Não estava me sentindo caranguejo. Mas valeu a pena.
Assim como valeu ver Lisbela, bela pipocona nacional, com cara de mini-série e trilha sonora deliciosa com Los Hermanos e o fantástico encontro de Zé Ramalho e Sepultura. Outro encontro que deve ser interessante é o de Fagner com Zeca Baleiro. Vai para a coleção tranquilamente.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h12
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   Poeta Wander
Uma das melhores de Wander Wildner, gravada no novo cd da Penélope.

Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo,
Parece uma grande bobagem
Mas é o que eu sinto
Quando eu estou voando,
E eu tô voando.
Eu fico pelado no quarto vendo a sua foto,
Parece uma grande bobagem
Mas é o que eu faço
Quando estou de porre,
E eu tô de porre.
Mas se eu pudesse eu ficaria sempre junto de você
Se eu pudesse eu estaria sempre perto de você.
Se eu pudesse eu ficaria ouvindo o seu coração.

Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h46
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   2 real
Tem uma menina colada no vidro do meu carro. Ela acabou de fazer malabarismo com três bolas velhas de tênis, gastas e sujas. Ela também está suja. Do nariz escorre uma meleca verde, que insiste em ficar equilibrada. Os olhos tem meleca e o cabelo está despenteado. Chove um pouco, se fosse São Paulo, seria uma leve garoa. Para o Rio faz frio, mais ou menos 20 graus. A blusa de lã vermelha esta gasta, não sei se protege muito. Aos poucos vai ficando molhada. Os dentes revelam o frio.
Sou o quarto carro da fila, na minha frente senhoras, motoristas particulares e um taxista que insiste em buzinar, mesmo com o sinal fechado. A menina escorrega de vidro a vidro, ninguém dá a mínima atenção. Deve ter no máximo 10 anos, mas já deixou a inocência a muito tempo. Quando encosta no meu vidro respiro fundo. A primeira vontade é dizer que vou ficar devendo, como das outras 200 vezes, mas não consegui. Tenho apenas dois reais. Eles se vão. Percebo uma supresa em seus olhos. Um obrigado meio tímido e acabou. Subo o vidro, luz verde, engato primeira e saio. As vezes me acho acomodado com isso. Minha contribuição não pode ser tão insignificante. Minha responsabilidade é muito maior que dois reais. Preciso fazer mais, mas não sei o que?
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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 21h39
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   Babação
Na boa, é foda ficar longe de quase todo mundo que a gente gosta. Mais foda ainda é ficar longe da minha família. To tentando falar com meu tio-compadre mas não consigo. Bom, família é do cacete. Sei que tem horas que enche o saco, mas fazem uma falta grande. Eu tô longe há 8 anos.
Bom, hoje eu iria falar de cinema, música, teatro, esta coisas. Hoje eu iria falar da sociedade de consumo. De temas leves, outros sérios, mas não deu vontade. Deixei tudo de lado para falar que é do cacete se sentir em casa, separando bolinhas em um sábado chuvoso e jogando conversa fora. Ainda meio tímido, ainda meio sem graça, é muito legal esta sensação. Legal demais.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 22h45
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   Um pouco de poesia para esta segunda

Quem dera eu fosse um músico
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
a dança alegórica
entre as vogais e as consoantes!
Paulo Leminski

Hemos perdido aun este crepúsculo.
Nadie nos vio esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caia sobre el mundo.
He visto desde mi ventana
la fiesta del poniente en los cerros lejanos.
A veces como una moneda
Se encendia un pedazo de sol entre mis manos.
Yo te recordaba con el alma apretada
de esa tristeza que tú me conoces.
Entonces, dónde estabas?
Entre qué gentes?
Diciendo qué palabras?
Por qué se me vendrá todo el amor de golpe
cuando me siento triste, y te siento lejana?
Cayó el libro que siempre se toma en el crepúsculo,
y como un perro herido rodó a mis pies mi capa.
Siempre, siempre te alejas en las tardes
hacia donde el crepúsculo corre borrando estatuas.
Pablo Neruda

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h40
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   Aula de violão
Sentada na cama, o violão foi ajeitado em seu colo, o mesmo colo de repouso infinito e das melhores sensações. Não sabia tocar. Não sabia nem por onde começar. Tinha medo, alegava falta de talento, mas, com a ajuda do vinho, se libertou da timidez e, com um sorriso de criança que começa a fazer arte, resolveu arriscar.
Não sabia muito bem como. Não encontrava uma posição confortável. Impossível, não em seu colo. Mais segura, com o violão em suas mãos, resolveu arriscar: Mi, Si, Sol, Ré, Lá, Mi, seus dedos percorreram as cordas soltas, da primeira a sexta. Em seu rosto surgiu um sorriso que iluminou o quarto. Sabia fazer o som.
Queria mais, estava descobrindo um novo mundo. O medo ainda estava presente. Achava que nunca iria conseguir, isso é muito complicados, seus dedos encostavam nas outras cordas, doía ficar segurando. Achava que nunca iria conseguir.
Respirou, ganhou um beijo e palavras de incentivo: - Dói, incomoda, os dedos não obedecem a principio, mas com calma tudo se resolve.
Já havia conseguido produzir alguns sons, de coras soltas, mas sons. Deu mais um daqueles sorrisos tímidos e foi solar. Primeiro: Mi, Ré, Do#, Si, Do#, Ré, Mi, Mi... Reconheceu a melodia, conseguia criar outros sons, foi ficando mais feliz continuou: Fa#, Mi, Ré, Ré, Ré, Mi, Ré, Do#, Do#, Do#.
Os dedos às vezes não obedeciam, às vezes era necessário procurar nota, pensar qual a corda, que casa segurar, mas nascia o som, surgia o sentimento de ser capaz, de criar, de conseguir fazer música. Não estava mais preocupada em ter talento, em ser uma guitarrista na lista das 10 mais, ou de ser uma grande arranjadora, uma regente. Não estava preocupara em ser perfeita, apenas em ser Feliz.
Estava lá, simples, se divertindo. Descobrindo um mundo novo, explorando o dom da criação. Se sentia livre, era quase como voar, mas não existia mais o medo, não estava mais preocupada. Sabia que poderia criar, descobriu que seus dedos eram capazes disso. Dedos de toques macios, de mãos grandes e delicadas. Dedos que produziam música. Se sentia vitoriosa. O prazer da primeira vez, as sensação de conquista. Como se ganhasse uma bicicleta de natal. O sorriso revelava o quanto se sentia feliz. Só parou depôs de muito tempo, o violão colocado ao lado da cama com cuidado, agora eram cúmplices. Realizada, mais uma vez sorriu.
Que venha o novo mundo, afinal, para quem produz luz, o som é o casamento perfeito e, depois de ontem, é bom este planeta se preparar para maravilhosas sinfonias.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 11h36
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   Rapidinhas.
Show
Parei de escrever antes do show do Cold Play. Bom, quinta feira passada o ATL Hall estava com 70% da capacidade para ver Chris Martin dar um show especial. O som estava maravilhoso, parecia Cd, só que tinha uma vibração que não existe no disquinho metálico. Os caras são foda, Chris Martin tem carisma pra cacete e parece um maluco tocando piano e a melancolia foi maravilhosa. Destaque para Yellow, In My Place, Everthing´s not lost e Ths Scientist. Tenho uma ligação emotiva com a banda e achei o show do cacete. Tão emocionante quanto o dia que comprei A Rush Of Blood To The Head e descobri a graça de ser infeliz.

Anos 80
Uma noite em mil. Assim foi a festa da Alê dos anos 80. Mesmo implicantes, eu e Kiko chegamos a conclusão que o DJ mandou bem, pelo menos até o momento que a memória do Kiko funcionou. Teve até banda no play do prédio. A Pepa estava fantástica de Cindy Lauper, e eu, que fui meio tarado pela cantora, na época do clipe True Colors, posso dizer que realizei minha fantasia de pegar a cantora, mas continuo preferindo as morenas que as loiras. Fui no melhor estilo Cafetão Anos 80, ou empresário da cantora do Rua de Fogo. Foi engraçado tudo o que rolou. O único problema é o efeito da Vodka no dia seguinte. Ainda bem que só tomei cerveja. Uma conclusão: Roger sabia muito bem o que escrevia no primeiro disco do Ultraje. Poeta bom este paulista de vida moderninha.

Mais do mesmo
Amigos são foda, Não importa como. Eles são foda e conseguem te mostrar coisa que você não veria sozinho nunca. Nesta festa lembrei muito dos amigos de Liceu, perdidos no tempo mas prontos para serem reencontrados. Dos aniversários na Deborah com New Order tocando a todo volume e sofás caindo. Das idas aos bailes de Santana com a Sandrinha e os show com a Do e o Carlão. No sábado, lembrei muito dos meus amigos que estão longe, eles nunca pareceram tão perto. Acho que não vai ter como não ouvir Love Bizarre Triangle sem lembrar de quando tinha 15 anos e estudava na Tiradentes. De quando aprendi o quanto São Paulo era interessante e de quanto o Rock mudou o meu jeito. Sábado, o passado esteve muito presente, em todos os sentidos, mas o saldo foi altamente positivo. Sábado me lembrou o amigo secreto na casa do Bixo, coma turma do 1º eletrônica A.

Por falar em amigos
Sábado encontrei uma grande amiga que estava tão próxima e tão distante. Brenda, não tem como, a nossa sintonia vai muito alem de qualquer coisa. Muitas vezes não concordamos um com o outro, alias quase sempre, muitas vezes discutimos, algumas chegamos a brigar, mas isso faz parte do meu molho. Mesmo em crises de vômitos da sua parte e outras da minha, nossa conversa foi mais uma declaração de amor eterno. Tenho muita sorte de ter você na minha vida e te devo muito (você sabe pq, né?). Você é especial e se fico puto é que muitas vezes quero te proteger, mas você é grande e a gente se protege, um ao outro, quando mais precisamos. Sou outro depois da nossa conversa, a única coisa que ficou pendente é que ainda não sei a cor, mas tranqüilo, um dia eu descubro. Beijão.

Virtual
Gueta, você me deve uma breja. Sei eu a gente só se conhece pela rede, que eu te vi uma vez só na porta de saída de uma Boate, mas ta na hora de tomarmos aquela Bohemia gelada. Na boa, tem merdas que só fazem a nossa vida melhorar. Bom, to com sede e esperando você marcar logo esta bagaça.

Rapidinho
O Dan colocou no maravilhoso e super atualizado Quizumba uma bela composição dos 4 maiores músicos do planeta. Neste mesmo dia, Lennon me acordou cantando
Jealous Guy. Música serve como cura. Sempre.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 13h50
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   Aos 3 leitores deste blog. Sei que to em dívida. Prometo que amanhã tem texto novo.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 22h12
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   Daslu e o meu preconceito
Chocado leio na Ilustrada que Marcelo D2 fez um show Vip para as clientes da Daslu. O carioca que fala do morro, de maconha e da vida de neguinhos cantou para a alta sociedade paulista. Novos e velhos ricos, com muito, muito dinheiro. Nizan Guanaes está lá.
Para quem não conhece, a Daslu é uma loja para clientes que chegam a pagar mil e quinhentos reais em uma bolsa, e gastam 25 mil reais numa compra de mês.
Na boa, sou muito preconceituoso. Não consigo imaginar alguém gastar um carro popular em roupas em um mês, assim como não consigo conceber alguém ter uma ilha... mas isso é uma outra história. Ainda coloco em prática a minha idéia de acabar com ilhas e praias particulares no Brasil e transformo todas em colônias de férias para famílias carentes.
Várias coisas me chocaram nesta notícia. A primeira é o fato de meninas que moram em Alphaville, nos Jardins, no Morumbi, ouvirem Marcelo D2 e. Tá certo, isso é preconceito, mas me usando como parâmetro, acho o discurso do RAP o estilo posto de quem compra na Daslu.
Deve ser o glamour da periferia ou uma busca antropológica ao sentimento primitivo, das necessidades básicas de quem não necessita de nada. Deve ser bonito achar que as histórias contadas são fábulas, que a periferia é um mundo abstrato, tão irreal quando o mundo da Cinderela ou da Branca de Neve. Que só existe no Cidade em Alerta, na rápida passagem nas ruas, pelo vidro do carro blindado, ou do outro lado do muro-duplo, de 10 metros, eletrificado e reforçado do condomínio.
Desculpem, mas acho que apenas 1% das compradoras da Daslu se importam com os periféricos, a maioria está cagando para eles. Então porque ouvir RAP? Muitas vezes não consigo ouvir Racionais, embora ache do caralho, porque acho que eles retratam a periferia com tinturas mais expressionistas que a realidade. Isso para mim, nascido em São Paulo, em rua de Terra, acostumado a andar de Buzão, de Metrô, com amigos em várias periferias das ZNs, ZSs, ZLs e ZOs, imagine para compradoras Daslu.
Bom, muitos podem dizer que a música é universal. Eu não concordo. A música, várias vezes, e o RAP são manifestações políticas, sociais, que causam transformação. Não acho que este show tenha provocado isso. Do que vale curtir um som e não entender e conhecer a mensagem
Outra coisa que me chamou atenção é que existe uma marca de roupas de RAP que são vendidas nas Daslu. A marca é a Mandi tem como garotos propagandas Marcelo D2, Thaide e Seu Jorge (que fizeram uma participação especial no show). O dono da marca, voltada as meninas e meninos e meninas top-vip do Estado de S. Paulo, define D2 como um rapper de estilo: "Ele tem uma classe e uma categoria que é diferente do rapper tradiconal". Alguém pode me dizer que porra é esta?
A tal Mandi leva o o bom e velho estilo sujinho ao meninos presos em seus condomínios, claustofóbicos com seus motoristas particulares. O sujinho está tomando conta do planeta. Dá para imaginar um estilo RAP classe A? Mas sem chocar muito. Sem ser MAno Brown. Ele não pode. Afinal, ele é anti mídia, tem conceitos e preconceitos formados e é muito forte para ser facilmente digerido. Ai fica foda, não da para comercializar. Fica feio, sujo e real. E alguém quer o real?
Por coisas como esta Kurt Cobain deu um tiro na cabeça. Ele não conseguiu aguentar as toneladas de meninos de camisa de flanela ouvindo a sua música e não entendo que porra era aquela que ele estava dizendo.
Moda, digestão, apropriação indevida dos signos. Todos o que ele odiava passaram a amar o cara. Ficou difícil.
É o bom e velho sentimento de conhecer uma banda e de repente, ouvir que todos estão gostando. Tem gente que não tem direito de gostar de certos sons. Preconceito com certeza, mas não dá. Tem gente que ouve música porque é moda. Mais uma vez, música não é moda, música é vida e vida e eu não consigo dividir minha vida com gente que não tem nada a ver comigo.
Voltando ao tema principal, a "maravilhosa" Eliana Tranchesi, dona da Daslu, definiu D2 como um "Dasluzito disfarçado". O que seria isso? Ai vai a explicação, nas palavras da dona: "É sempre refinado, sabia que seu filhinho tem um pônei na fazendo".
O foda foi aguentar d2 comparando a sua ida a Daslu com o encontro de Donga e Pixinguinha com Gilberto Freyre. Duvido que o sociólogo fosse a Daslu fazer compras. Desculpem, mas o meu passado punk-comuna ainda não consegue digerir coberturas com piscinas, carros de 200 mil reais, iates e outras coisas. Ainda me sinto melhor em um pé sujo que no Fasano e acho que vai ser sempre assim.
Para finalizar deixo a célebre fase do poeta Falcão: "A burguesia fede mas tem dinheiro para comprar perfume".

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 12h06
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   Cores
Existem cores e emoções que só Juan Miró consegu traduzir e retratar. Existem sentimentos que só este espanhol consegue dar forma. Acho que é sangue catalão. Ou a inspiração da vista da fundação. Quem sabe, a busca da criatividade. Na boa, acho que é a paixão. Miró é um daqueles exemplos de como pode ser simples o perfeito. Como uma balada dos Beatles, como um livro de Machado, como um beijo de bom dia. Como o despertar ao amanhecer. Quero voltar a Barcelona e respirar mais um pouco mais de Juan.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h15
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   Não existe tradução para a Perfeição. Pelo menos, não tenho talento para traduzir o perfeito.

Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 22h11
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   Na farmácia
A Holanda se tornou o primeiro país do mundo a legalizar a venda de maconha em farmácias para doentes de câncer, Aids e esclerose múltipla com a autorização do Ministério da Saúde do país.
Os médicos da Holanda vão poder receitar a maconha para aliviar a dor, a náusea e a perda de apetite em doentes de câncer e de Aids, para aliviar os espasmos de dor dos doentes de esclerose múltipla e para reduzir os tiques físicos ou verbais de pessoas com a síndrome de Tourette.
Assim como as farmácias, 80 hospitais e 400 médicos terão autorização para fornecer doses de 5 gramas da maconha medicinal SIMM18 por 44 euros o tubo. Um outra variante, a Bedrocan, mais potente, vai estar disponível por 50 euros.
O Ministério da Saúde recomenda que os pacientes diluam a cannabis em um chá ou que a transformem em um spray.
A maconha apresenta vários antecedentes de uso medicinal.
Foi usada pelos chineses cerca de 5.000 anos atrás. A rainha Vitória, da Grã-Bretanha, teria tomado a droga para combater dores menstruais.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 22h09
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