Sinais de Fumaça
   Agenda
As vezes acho que preciso de uma agenda. Parar anotar alguns compromissos, coisas para fazer, contas para pagar, mas principalmente para ter um local onde anotar os telefones. Eu odeio anotar telefones, não consigo organizar uma cambada de números. Agenda eletrônica é foda. Já perdi a porra da memória por causa da bateria, várias vezes.
Na verdade não preciso de uma agenda, desculpe, preciso de um memorizador de telefones automáticos. Uma super agenda que automaticamente, toda vez que eu anotasse um telefone, ou quando alguém me falasse um número, este iria para um lugar fixo e não se perdesse no etéreo vazio de bolsos.
Quantas vezes não me deparei com folhas de papel dobradas com vários números de telefones anotados, sem nenhum nome, sem nenhuma referência. Você olha e sabe que no meio daqueles 135 números está o número do médico que você quer marcar, ou do taxi que você precisa chamar para amanhã logo cedo. Odeio esta sensação. 2567? Que porra de número é este? Porra, que fome! Qual é o número da padaria da esquina?
Precisava de um aparelho destes, um aparelho que colocasse ordem neste caos de números. Precisava, quem sabe, de um Organizeitor Telefoneitor Tabajara. Com direito para acesso a celular. A vida seria bem mais fácil.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 14h08
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   Bicho-preguiça
Sei quando estou sendo preguiçoso. Sei quando estou com aquela falta de vontade de fazer alguma coisa e fico enrolando. Sei quando não tenho muita vontade de fazer nada, só ficar em casa, comendo rosquinha com nutella e vendo Sessão da Tarde.
Mas o principal sintoma da total preguiça é a força do caos que comanda a minha coleção de Cds. Minha enrolação total pode ser medida pela quantidade de espaços vazios nas torres da sala. Quando maior, mais preguiçoso estou.
Arrumar Cds é, com certeza, a minha maior mania. Sou quase um psicopata nesta tarefa. 1000 Cds colocados em ordem de preferências. O fada é quando você compra algum novo e tem que colocar e mover outros 600 ou 700 Cdzinhos.
Quando a preguiça bate, quando a falta de tempo e de vontade se acumulam, a pilha do lado da cama - porque ouvir cd na cama, antes de dormir, ou coçando o saco - vai crescendo e empoeirando. O pior é que esta pilha vai ficar cada vez maior, já que a falta de tempo vai ser terrível até o fim do Pan.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 22h28
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   Para quebrar o silêncio, nada coomo Bandeira.

MADRIGAL MELANCÓLICO
O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza , é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é teu espirito sutil,
Tão ágil e luminoso,
Ave solta no céu matinal da montanha.

Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento,

Graça que pertuba e satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que perdi,
Não é a irmã que já perdi,
e meu pai.

O que adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!

O que adoro em ti, é a vida.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h23
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   Morte
Como jornalista só posso lamentar a morte do repórter-fotográfico Luiz Antônio da Costa, 36, que trabalhava como free-lancer para a revista "Época" e que foi assassinado hoje em frente ao terreno da Volkswagen invadido em São Bernardo do Campo por sem-teto. Assalto ou não, toda e qualquer morte é injustificada.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h55
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   Camisas sociais
Estranho é crescer. Quando era adolescente imaginava que o primeiro sinal da minha vida adulta seria sair para trabalhar de camisa social dentro da calça, sapato. Uma coisa meio executivo mauricinho, com direito a cabelo bem cortado, nada de barba e um celular pendurado na calça (bom, quando eu era adolescente não existia celular).
Mas o tempo foi passando, eu fui crescendo (muito mais pro lado, é verdade) e nada das camisas sociais tomarem lugar as velhas e boas camisetas. O placar do armário deve ser 160 a 15. De todas as cores, de todas as formas, com estampas que vão de Hommer Simpson até Juan Miró. Da face de Che no fundo vermelho ao símbolo do Superman. Da bandeira da extinta CCCP ao anel do Lanterna Verde. Dos Ramos, Strokes, Beatles e Stones.
Amo camisetas, jeans e tênis. Amo camisetas que passem uma mensagem, que tenham uma cara. Amo as básicas Herings, brancas, pretas, vermelhas, amarelas. Quem me conhece sabe quantas e como são as velhas e surradas camisetas, que me acompanham a vida inteira. Aquelas que vão ficando desformes e descoloridas, mas que são como uma tatuagem, que são a sua segunda pele, a extensão de seu corpo, do seu pensamento. Camisetas são almas que se podem ver.
O empréstimo de uma camiseta é uma coisa muito rara, mesmo no caso delas já terem virado camisetas de pijama. Se bem que uma camiseta virar pijama é uma homenagem, uma promoção. Ela fica gasta, com buracos, meio amarelo, quase sem cor, mas continuam vestindo como nunca, tem história, anos de bons momentos, já enfrentaram muita lama, suor, calor. Já foram aos shows, jogos e encontros memoráveis.
Só pessoas especiais podem usar uma camiseta minha, mais ou menos como meus cds (mentira, meus Cds são meu caso psicopata, mas este é um caso para um outro texto).
Velhas camisetas. Me pergunto o que vai acontecer comigo quando for obrigado a assumir a fantasia de executivo. Vai ser difícil. Enquanto a redação me permitir usar a velha peça de resistência juvenil vou afastando os meus fantasmas e torcendo para que cada almoço no shopping, cercado por todos aqueles caras que trabalham de 9 as 6, em um escritório, cercado por números, balanços, compras e vendas, eu continue sendo o único velhão de jeans e camiseta, no bom e velho estilo Angeli.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h43
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   Um lugar chamado Noronha
Quando decidi ir a Noronha para passar férias, o grande amigo Eduardo Mendonça - mergulhador profissional, jornalista amante de basquete e defensor de uma das teses mais realistas que já ouvi - me disse para ir mesmo. Foda-se o dinheiro, que 8 dias seriam maravilhosos e que eu iria querer ficar muito mais. Ele disse: Lá é foda e você vai voltar diferente de lá.
Bom, cheguei a Noronha em um final de tarde de Domingo, com céu meio encoberto e um cinza não muito comum. O dia seguinte, dedicado a um ilha tour, não foi feito de sol, mas acho que isso foi de propósito. A mágica da Ilha estava se revelando aos poucos. Dois dias depois, o sol era nosso parceiro por mais de 12 horas e a noite tinha como companheira a Lua, que brilhava forte. Não dá para esquecer a pizzaria no Boldró, apenas com o nosso satélite brilhando nas mesas e uma velha que brigava com o ar para ficar acesa. Além do sozinho tranquilo - nada de axé, pagode - o bom e velho rock´n´roll, baladas de Zeppelin e o som do mar.
Noronha, com sua baia dos Porcos e a maravilhosa praia do Sancho. Segredos, confissões, juras, beijos, arraias, peixinhos, sargentinhos e a perfeição.
Noronha dos cuidados da Tia Zete, dos amigos como o Feijão. Noronha de praias limpas, de água clara e cachoeiras escondidas.
Noronha das tartarugas e dos Tubarões. Noronha da atmosfera incrível e das descobertas. A primeira, a emoção do mergulho, se conhecer o mar e saber como isso é lindo o outro planeta no planeta Terra.
Noronha da descoberta de encontrar alguém que vai te fazer rir o resto da vida e de poder, pouco a pouco, imaginar como tudo fica muito mais perfeito ao lado dela.
Noronha de pequenos caprichos. De noites silenciosas. De por do sol inesquecível e de um amanhecer cada vez mais feliz.
Noronha do contato com os Golfinhos e do observar de lágrimas e emoções, tão a flor da pele. Noronha que me deixou tranquilo e que me fez saber que se o mundo pode ser um lugar melhor.
Noronha de palestras, de jantares exóticos. Noronha de amigos que se tornaram mais que amigos, que já eram e vão sempre ser irmãos. De trilhas, praias, pratos, piadas, cervejas, sonos e sonhos.
Enfim, Noronha é mesmo foda. Uma ilha que merce ser visitada. Se você não foi, vá e depois me conte se você não voltou diferente de lá.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 23h17
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   Juventude
Começou rindo este texto. O motivo do riso é o início de outro texto, publicado no bem-me-quer. Para quem não leu, acho que muitos poucos do que visitam este pequeno espaço, o texto começa assim:

COISAS ENGRAÇADAS DA VIDA:

- meu namorado em show de punk rock.


Não deixa de ser muito engraçado. Não deixa de ser ridículo. Imagina um cara de 1,85, cabeludo, barbudo, espremido na frente de um palco, tentando subir para dar um mosh, vendo cadeiras sendo arrancadas, berrando cada verso de uma música que só você e mais uns 20 caras conhecem? Imagina ter que deixar os óculos e os documentos com a namorada só para ficar socando um monte de gente desconhecida no meio de uma roda? Imagina ficar pendurado em cima da cadeira do cinema como um maluco e gritando que quer uma festa punk?
Passei grande parte da minha adolescência ouvindo Punk Rock, Acho que a porção mágica para me fazer eternamente jovem passa por 3 acordes. Bom, culpa da São Paulo, da feia, suja, cinza, São Paulo. Culpa do concreto e dos anos preso nos buracos do Metrô.
É quase impossível ser punk no Rio. Sol, Praia, céu azul, mar, biscoito Globo, Mate, isso não combina. Não dá para ter uma jaqueta e um coturno. Imagina, andar no calçadão de jaqueta e coturno. Impossível. Em São Paulo você anda no meio da poluição, verde? Quem sabe o Ibirapuera, mas não dá para ser durante o inverno. A cidade não tem chuva, fica fria e o verde vai embora. Neste ambiente, os 3 acordes são a trilha sonora prefeita.
E quando você se depara, em um sábado quente, em um cinema pulgueiro que passa filmes pornôs e tem show de strip de dia e nas noites de sábado se transforma, com uma das principais bandas da minha geração, em sua formação original, a terra do nunca se abre e passo a ser um Garoto Perdido. Eterna Juventude. Sei que um dia vou ouvir muito jazz e gostar de solos de clarinete e contra-baixo. Mas acho que sempre que Lá, Ré e Sol saírem distorcidos de uma guitarra e uma roda se abrir, vou ser criança.
E fico feliz que esta criança exista e ainda divirta as pessoas a minha volta.

Descobertas.
Viver é passar a vida inteira descobrindo coisas novas. Hoje descobri um novo significado para a criação do Universo.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 13h32
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   um desejo de nitidez ampara o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.
Ninguém chega a ser um nesta cidade,
As pombas se agarram nos arranhacéus, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera. "

(Momento/abril de 1937)
Mário de Andrade



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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 11h19
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   O pulso ainda pulsa
Eu odeio ficar doente. Abomino. Não tem coisa pior que passar mal. Bom, domingão, dia de macarrão, comi o mais tradicional prato da culinária italiana, mas o molho estava estragado. Resumo: dois dias de cama me sentindo uma ameba.
Mas o pior de ficar doente é a total sensação de carência que você fica. Parece que regride e passa a se comportar como um bebê. Odeio ficar carente. Odeio depender dos outros. Odeio vomitar e passar mal a noite inteira. Mas o pior de tudo é ter que ficar comendo torradinhas e chazinho durante três dias. Ainda bem que a grande Lu fez uma sopa maravilhosa que devorei com grande apetite (sei que é difícil acreditar mas foram dois pratos). Hoje to bem melhor. Se tem uma coisa boa nisso tudo são os carinhos e as sopas quentes no jantar. Mas que tem horas que colo de mãe faz uma falta.

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 22h13
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   De Volta
Depois de um mês de deliciosas férias estou de volta. Aproveitar este mês de descanso foi maravilhoso. Um mês sem preocupações, apenas curtindo o tempo livre. Viagens muitas, a melhor sem dúvida Noronha, mas esta eu vou falar mais tarde. Só fica aqui a dica: Visite Fernando de Noronha, é obrigatório, não existe sensação melhor que ficar horas na Praia do Sancho, apenas curtindo a natureza sem nenhuma pessoa por perto, sem nenhum vendedor, sem nenhuma pessoa, apenas você e o paraíso. Acompanhado da pessoa que você ama fica melhor ainda.
E este foi um dos motivos que mais gostei das minhas férias. Durante este mês tive a chance de conviver quase 24 horas por dia com a minha namorada. Durante este mês pude sentir que o que eu achava especial é mais do que isso. Não foi só a viagem, mas o fato de estar lado a lado, conversando, fazendo planos, realizando planos, cuidando um do outro. Pode parecer babação, mas não poderia neste primeiro post, não falar que tive um mês maravilhoso ao lado da Pepa.
Bom, é isso, depois eu volto, agora com aquela velha freqüência. Até mais!

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Escrito por SINAIS DE FUMAÇA às 10h34
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