Sinais de Fumaça
   Michael is dead

Em 1982 eu tinha 10 anos e não havia ninguém no mundo que não conhecesse Michael Jackson Naquele ano, o menino prodígio tinha acabado de lançar “Thriller”. Seu melhor trabalho, o álbum mais vendido da história. Junto com o disco (naquela época era disco), Michael inventou o Vídeo-Clip. As tentativas anteriores não existiam, eram patéticas. Michael inventou uma nova linguagem e esta nova linguagem revolucionou a maneira de ouvir (ver) e vender música. Isso influenciou todo mundo. Mesmo quem não gosta de Michael, mesmo quem não gosta da sua música foi influenciado por um estilo que este gênio musical inventou.

O talento deste cara era enorme, mas Michael vai passar para a história por suas maluquices, por neverland, pelo seu apetite por criançinhas, pelos processos, por dormir uma câmera de oxigênio, pela sua cor cinza, pela sua desfiguração gradual, por sua bizarrice. Michael terminou sua história como um freak show.

Agora, se você voltar a fase negra e ouvir “Off the Wall” ou “Thriller” vai perceber que o cara era um músico sensacional. Além de se reunir com os melhores (como o solo de Eddie Van Hallen em “Beat it” ou dueto com Paul McCartney), além da mão de midas de Quincy Jones,  Michael cantava como poucos, compunha muito bem e fez músicas sensacionais. Vale ouvir “Thriller”, “Beat it”, ‘Billie Jean”, “Don’t stop ‘til you get enough”, “Rock with you” e “She’s out of my life”. Se você quiser voltar um pouco mais no passado, divirta-se com a fase Jackson Five. O resto dos irmãos Jackson eram patéticos perto do talento daquele menino segurou uma família maluca.

Quando ele tocou no Brasil eu estava no Morumbi. Vi o show no gramado, de perto. Já não gostava mais de Michael (voltei a ouvi-lo muito tempo depois), mas a sensação de poder ver um dos nomes da minha infância me fez enfrentar o programa de índio.

O que vi naquele dia foi um show muito bem feito, ao que a música ficava em segundo plano. Com espetáculo foi impecável, como show de música foi apenas bom. E é a música que faz de Michael o Rei do Pop. Mais que a dança, que a coreografia, que o “moon walk” ou qualquer outro artifício, é o som de Michael que é inigualável.

Para mim, o maravilhoso de Michael vem apenas nos ouvidos. Esqueça a imagem. Por mais forte que seja a luva de lantejoulas, a jaqueta vermelha ou a vontade de dançar e imitar o cara, tente apenas ouvir. Tente ver como atrás de uma produção perfeita tem um cara que é um dos grandes. Um dos caras que fez do R&B universal. Que fez o soul gigantesco. Que conquistou um planta e criou algo novo no pop.

Hoje, Otis Redding e Marvin Gaye tem uma grande companhia. Que a alma de Michael volte a ser negra!



 Escrito por Sinais de Fumaça às 22h08
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   Puta foda

Este foi um show de pau duro! Foi assim que o grande amigo Renato Nogueira definiu o show de ontem.

Eu concordo. Foi um show de Pau duro! Simples, direto e com muita testosterona. Foi aquela trepada que você dá quando ta com o saco cheio, com o tesão acumulado, com fome de sexo. Quando você quer, mais do que qualquer outra coisa, fuder. Apenas fuder.

Uma puta banda no palco tocando alto, muito, muito alto. Foi Assim o Oasis de quinta. Um show de ROCK, como deve ser feito.

Exatamente as 10 da noite, o som pré gravado de “Fuckin’ in the Bushes” anunciava uma banda madura, pronta para dar uma hora e quarenta e sete minutos de porrada.

A primeira pra valer foi “Rock Roll Star”. Porra! Hora de berrar pela primeira vez:

“I'll take my car and I drive real far, To where they're not concerned about the way we are, In my mind my dreams are real, Are you concerned about the way I feel. Tonight I'm a rock 'n' roll star”.

A marra de Liam, os riffs e solos de Noel. Os irmãos Gallangher sabem há muito tempo fazer rock como deve ser feito. Seco, forte como um soco, feroz. Da vontade de pular, de bater, de berrar, de destruir, de explodir no melhor dos gozos.

Este foi um show para machos no cio, prontos para atacar suas parceiras. Foi uma luta de boxe, com cheiro de suor, com cheiro de caça. A presa está entregue, vidrada no palco, pronta e feliz para o sacrifício.

Não tem como não ficar olhando para Liam. Mesmo sem mexer um músculo e apenas tirara as mãos do casaco para tocar pandeiro ou bater palmas, o frontman do Oásis mostra pra você que é ele quem está do domínio.

Quando você se distrai e consegue sair de Liam, é Noel que te acerta, por traz de sua Gibson ou de sua Telecaster. Os solos  são econômicos, quase nunca agudos e estridentes. Assim como o irmão, ele quase não se mexe, mas quando Liam está no palco mostra que tem uma força quase igual ao irmão e quando é sua vez de assumir os vocais dá show.

Além dos dois, Andy Bell (baixo), Gem Archer (guitarra), Chris Sharrock (que deu show na bateria) e Jay Darlington (teclados) fizeram o papel secundário e seguraram muito bem o clima.

Se “Rock Roll Star” abriu em altíssimo nível, Lyla, pegajosa, falsamente limpinha, manteve a testosterona em alta. Hora de gritar ainda mais alto. Não só eu! Os 8 mil felizardos de estar vendo como se toca Rock:

“Hey Lyla, a star's about to fall, So what d'you say Lyla? The world around us makes me feel so small Lyla, If you can't hear me call then I can't say Lyla, Heaven help you catch me if I fall”.

Depois de duas antigas, os caras entraram no novo disco: “The Shock Of The Lightning” é a melhor de “Dig out your soul”. Ela mantém a aceleração alta e o suor já escorre forte. Pular cansa demais (ainda mais sem beber cerveja).

Mais um passo no passado para “Cigarettes & Alcohol”. “You might as well do the white line, 'Cause when it comes on top. YOU'VE GOTTA MAKE IT HAPPEN”. Seguida pela acelarada e curta “The Meaning Of Soul”.

As próximas duas (“To Be Where There's Life” e “Waiting For The Rapture”) mostram que o Oasis voltou em bela forma. Quem não ouviu  “Dig out your soul” ainda precisa baixar, fazia quase 10 anos que os caras não faziam um trabalho tão redondo.

“The Masterplan” (lado B do single de Wonderwall) chega doce. Hora da balada. Mãos para o ar, coro de 8 mil vozes, violão e controle total da platéia que continua a dançar calmamente com “Songbird”.

Os violões dão uma pausa. Volta da distorção com “Slide Away” e uma das mais clássicas e sensacionais músicas compostas por Noel: “Morning Glory”. Prepare-se para o peso que volta a pegar você de frente, como um direto no seu queijo, com uma troca violenta de posição. O comando não é seu, agora é observar a cavalgada e curtir. Quase na lona você ainda tem tempo de pensar: “What's the story morning glory? Well? You need a little time to wake up, wake up, wake up...”

Duas no novo disco: Ain't Got Nothin' e “I'm Outta Time” são intercaladas pela batida largada e despretensiosa (se é que isso é possível se falando dos Gallangher ) de “The Importance Of Being Idle”, de “don’t Believe the Truth”.

Quando “Wonderwall” chega você já está totalmente tomado, contagiado, preso por uma das grandes apresentações de rock que você já viu. Sem grandes recursos cênicos, sem grandes efeitos, apenas seis caras levando um puta som e se divertindo. Da pra ver na cara de Noel a felicidade pela entrega da platéia do Rio.

Nesta hora, você já gozou várias vezes e continua ali, duro, pronto e sem nenhuma necessidade de comprimidos azuis. O tesão está ali, transbordando, o cheio da foda e do suor alimentam as narinas. A batida de violão de Noel é o caminho dos ouvidos para esta viagem. Aquele gemido baixo, rouco, bem no fundo do seu ouvido.

“Wonderwall”serve pra você segurar o gozo, o ritmo diminuiu mas o tesão aumenta exponencialmente. Você se contrai e se prepara a explosão do fim.

Liam anuncia que esta vai ser a última. A bateria de Chris Sharrock começa a marcar o ritmo e prepara a entrada de “Supersonic”. I need to be myself, I can't be no one else, I'm feeling supersonic. Give me gin and tonic”.

A energia volta. Hora de pular cada vez mais alto, de gastar o que resta de voz, de mandar tudo a merda (afinal estamos em um show de rock) e eles foram feitos para divertir. Em uma hora e vinte é isso que tivemos. A melhor diversão, alta, barulhenta, visceral: “Nobody can see him, Nobody could ever hear him call.”

Refeitos hora do bis, aberto por mais dos clássicos da banda. Piano, guitarra, bateria e finalmente a voz com toda a casa explodindo os pulmões: “Slip inside the eye of your mind. Don't you know you might find. A better place to play?”.  

Tem como alguém não gostar de “Don't Look Back In Anger”. Tem alguém não gostar dos versos: “But please don't put your life in the hands, Of a rock 'n' roll band, Who'll throw it all away “?

Não tem como! Nesta hora sou um resto de gente emocionado, quase chorando. Rock é pra isso, é pra você chegar ao orgasmo chorando e sorrindo.

 A proxima é “Falling Down”, mais uma do novo disco. Logo depois, a melhor música do Oasis pra mim. Eu sou apaixonado por “Champagne Supernova”. Não tem uma vez que não ouça gritando. Já paguei muito mico no carro, caminhando na praia, na sala de espera de consultório. Simplesmente não consigo não cantar essa música:

“'Cause people believe that they're gonna get away for the summer. But you and I, we live and die. The world's still spinning around, we don't know why. Why, why, why, why?”.

E se alguém ainda tem dúvidas de onde nasceu tudo isso a resposta vem na última música do show que mostra que estava tudo lá, tudo preparado desde os 60, quando os Beatles passaram a não fazer mais shows e se trancaram em estúdio para produzir coisas como “I Am The Walrus”. “I’m teh eggman!” goo goo g'joob. G'goo goo g'joob, goo goo g'joob, g'goo goo g'joob, goo.

Porra! Fim! Uma hora e quarenta e sete minutos de pau dentro!Suor, sorriso, falta de voz, felicidade. É bom demais ver um show como ele deve ser feito. Com muito tesão.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 11h58
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   Renascido do Inferno

Você lembra do Roxette? Aquela dupla sueca que escreveu pérolas pops e grudentas como "Listen to your heart"? Pois é, quando você acha que se livrou de coisas ruins na vida recebe a notícia que os caras vão voltar? Pra que? Por que? Tá certo que a dupla vendeu mais de 50 milhões de discos no planeta (pobre ouvidos) mas o Roxette é uma das bandas que mais odiei na minha adolescência. Chatos demais, clichês demais, melosos demais. Eles são o melhor exemplo de banda de meninas. Eles, A-Ha, Rick Astley, estas coisas. Tem coisas que deviam ser proibidas e soterradas no passado.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 12h35
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   Piada Olímpica

Me assusta como alguns colegas embarcaram no sonho olímpico brasileiro. Eles realmente acreditam que o Rio tem chances de vencer a escolha para sede de 2016. Na boa, só se o Rio der uma de Salt Lake. É uma piada o projeto Rio 2016. O rio só está entre as 4 finalistas porque Dubai não tem condições de sediar os Jogos nas datas escolhidas pelo COI. Dubai teve uma melhor avaliação na fase inicial e foi eliminada porque entre agosto e setembro faz 220ºC de dia. É mais fácil Dubai colocar ar-condicionado na cidade inteira que o Rio ser sede dos Jogos.

Não temos capacidade. Não temos como fazer. Nosso "legado" do Pan é ridículo, nó precisamos "limpar" a cidade para tentar esconder nosso erros. Todos falam que os jornalistas estrangeiros que cobrem a escolha acham que o Projeto é bom e tem grandes chances. Lembro que em 2004 tínhamos um belíssimo projeto, lembro que iríamos para a fase final, que o Rio era a cidade mais bem preparado do hemisfério sul. Qual o resultado? Buenos Aires foi para a fase final e o Rio ficou a ver navio.

Jornalista precisam ter que ter análise crítica. Jornalista precisam pensar. Jornalista precisam deixar de comprar um belo projeto de marketing. Alguém cobriu a passagem do COI por Chicago, Tóquio ou Madrid? Apenas reproduzimos o que ouvimos falar. Apenas comentamos os comentários de outras pessoas. Ninguém acompanha de perto o que está acontecendo. Entrevistamos pessoas que tem interesse de mostrar que podemos vencer e não ouvimos críticos de verdade, especialistas que não estão ligados aos interesses gerais.

Adoraria que os Jogos Olímpicos fossem no Rio, mas isso pra mim cheira a piada. As promessas do Pan não se concretizaram. A vila Olímpica continua sem saneamento básico. A Arena virou casa de shows, o Marcanãzinho quase não é utilizado. O Engenhão vai ter sua primeira prova de atletismo depois de 2 anos. Isso sem falar de Deodoro, Miécimo, metrô, sistema de transporte, despoluição das baías, segurança, rede de hospitias, etc.´

Na boa, vamos ser realistas e imparciais. Nosso dever não é embarcar em ações de marketings é buscar todos os lados. As vezes é mais fácil ficar deslumbrado com um sonho. Um sonho extremamente caro que precisa de eco para ser justificado. Vamos cuidar melhor do nosso dinheiro, vamos ter responsabilidade nos nossos gastos e trazer um pouco mais de análise crítica para quem nos lê, ouve e assiste. Alguém ai se vestiu de verde e amarelo?



 Escrito por Sinais de Fumaça às 20h42
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   Encontros

A EMI está colocando no mercado um DVD com o programa da TV Globo de 1988 com Paralamas e Legião tocando juntos.

Eu lembro bem daquele programa (exibido em 3 de setembro de 1998). Eram duas das minhas bandas preferidas tocando juntos, dividindo o mesmo palco. Imperdível!

Porra! Não tinha vídeo cassete, não tinha como gravar aquele programa mas algumas imagens ficaram a retina e o especial inteiro foi parar numa TDK 90 do gravador de mesa lá de casa.

O áudio era uma merda, mas tranqüilo! O que valia era ouvir os caras tocando juntos, lado a lado, olho no olho. Não tinha como não ficar chapado na frente da televisão. Já vi mais de 30 shows do Paralamas (alguns antológicos), vi o Legião 6 vezes, todas sensacionais mas o show do III no Ibirapuera foi especial e mágico (um dia escrevo sobre isso) mas não vi os dois in loco dividindo o mesmo palco. A chance era esta. E foi bem legal.

Naquele dia, o programa pode ter sido um pouco truncado, Renato tava com febre e com a voz meio detonada, o roteiro meio froxo, com uns buracos, com certeza, a apresentação dos Paralamas foi melhor, mas isso não tem a mínima importância. Era Paralamas e Legião. Herbert e Renato. Só isso vale desembolsar 50 reais para rever esta história.

Lembro que depois do programa  achei que faltou interação, queria ver mais os caras tocando juntos, mas não tinha como não ficar babando com “Ainda é cedo” e ‘Nada por mim”.

Na primeira, Renato dá um toque pro Herbert levar o ritmo e fica improvisando sobre os acordes. Quem viu um show do Legião sabe que muitas vezes “Ainda é Cedo” durava mais de 10 minutos com Renato cantando de Cartola a Doors. Desta vez a improvisação foi curta só com “Jumpin’ Jack Flash” e delciosa.

Na segunda era só os dois, Herbert na guitarra e Renato soltando a voz. Mesmo detonado, com febre, o cara emociona. “Nada por mim” é uma das melhores músicas de corno do planeta. Com 15 anos não tem como você não querer cantá-la a pleno pulmões.

Para mim este é o encontro entre os dois maiores letristas do rock Brasil. Eu acho que o Herbert escreveu mais que o Cazuza, Renato era simples, direto e traduzia a alma de qualquer adolescente, com certeza o maior da minha geração.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 18h48
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   Virada Cultural

A última vez que gritei: ‘ toca Raul!” foi no mês passado no show do Kraftwerk. Fazia tempo que não gritava isso. Quando era moleque era uma maneira de sacanear algumas bandas durante o show. “Toca Raul” é um grito de liberdade em alguns momentos.

Quem vai estar em Sampa neste fim de semana para a Virada Cultural tem a obrogação de ir até à Estação da Luz para ouvir a discografia de Rauzito completa em shows antológicos. Vai ter Os Panteras tocando o primeiro disco do cara, vai ter Leno relembrando o primeiro trabalho que Raul produziu. Vai ter Edy Star interpretando “Sociedade da Grã-ordem Kavernista apresenta sessão das 10”. “Kri-há, Bandolo” com Nasi e “Panela do Diabo” com Marcelo Nova. Este último foi o único que eu vi com Rauzito vivo, em 1989 (se não me engano) no Olympia. Ele tava gordo, quase não se mexia mas era Raul e isso bastava.

Quando você tem 11 anos e descobre Raul isso te marca. Eu ouvi pela primeira vez numa fita cassete de um amigo que trazia “A arte de Raul Seixas”.

Não tinha como aquilo não me afetar. Como um cara tinha a coragem de misturar tudo e deixar tudo tão legal?

Tinha forró, baião, romântico, rock, tudo na mesma panela, tudo no mesmo caldo e tudo absolutamente genial. Raul me ensinou que você não precisa ter uma cara só, um som só, um estilo só. Você pode misturar tudo, pode gostar de várias coisas, de coisas opostas e isso foi sensacional. Raul me ensinou que existe beleza em outros ritmos, em outras coisas que não rock e que é possível se emocionar com isso. Foi ouvindo Raul que percebi que a música é universal.

Devo ter uns 10 disco do Raul em casa (mais os CDs). Confesso que já não ouço mais com tanta freqüência mas ainda me delicio (em momentos especiais) com o velho Rauzito. Se estivesse em Sampa daria uma passadinha para recordar alguns dos clássicos do Maluco e gritar sem culpa: “TOCA RAUL!”



 Escrito por Sinais de Fumaça às 20h55
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   I Can See for Miles

Uma das coisas mais legal do projeto 1001 foi me re-encontrar com sons que há muito tempo não ouvia.

Para quem não sabe o Projeto 1001 é parte do meu DNA nerd que baixou os 1001 discos que você precisa ouvir antes de morrer. Dos 1001, uns 400 eu já tinha, o resto foram baixados e depositados no GGZão (meu I-pod de 120Gb).

No meio de tanta coisa diferente tinha coisa que não conhecia, coisa que eu não gostava, coisa que eu ainda não gosto e muitos re-descobrimentos.

Nesta última semana, a fase não foi das melhores, muito tempo em casa, preso com alguns problemas de saúde, um verdadeiro saco. O bom é que minha companhia nessas tardes não foram os belos modelistos do Cleber Machado e sim o sensacional “The Who sell out”.

Acho que desde que mudei pro rio há 13 anos não ouvia este disco. Tinha em fita, lá em casa mas depois esqueci dele, não mais ouvi. Bom, esta semana me deu vontade de ouvir Who e mais precisamente “The Who sell out”. Acho que foi por causa do livro do Bil Graham que estou lendo: “Minha vida dentro e fora do rock”. As passagens com o Who são deliciosas e fiqueei com muita vontade de ouvi-los.

Que bela redescoberta. Passear pela colagens de anúncios falsos e belíssimas canções. Townshend está no auge da forma, Keith Moon e John Entwistle não deixam você descansar mas é o delicioso vocal de Roger Daltley que hipnotiza. Se você nunca ouviu ou se faz tempo que você não coloca este bolachão na vitrola (sorte de quem tem o bolachão com uma das capas mais legais da história do rock), embarque nesta viagem e se entregue.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 22h10
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   Barulinhos

Demorei um pouco para baixar "It's Blitz!", novo cd dos "Yeah yeah yeahs". O disco vazou faz tempo e está em versão física há mais de um mês mas só agora parei para abrir meu arquivo e colocar no Ipod. Me arrependi de não ter feito antes. Na primeira audição, o disco desceu fácil, logo de primeira. Você já deve saber que as guitarras estão mais domesticadas e que a produção de David Sitek (TV on the radio) caprichou nos sintetizadores e efeitinhos. Com isso, o clima cresce e existe equilíbrio entre faixas prontas para pista e baladinha. Quem, assim como a minha amiga Barbara, ama a Karen O vai curtir até mais já que os vocais estão melhores e bem mais trabalhados. Os sussurros estão gostosos demais. Se você ainda não baixou não perca mais tempo, "It's Blitz!" não é um clássico mas garante bons momentos de diversão.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 16h08
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   Beijos

Em 1983, eu tinha 11 anos e minha mãe não me deixou ir ao show do Kiss em São Paulo. Quando você é criança você acha o máximo o Kiss. Caras pintados, babando sangue e fazendo música pesada. Pouco saiba da história da banda, queria mesmo era ver como seria o show daqueles malucos. Lembro de comprar uma revista Manchete que trazia fotos dos caras e de um show. A bateria era um tanque de guerra que atirava. Porra, para quem 11 anos isso é demais.

Movido pela frustração de criança fui a Apoteose na última quarta encontrar os palhaços da minha infância. Hoje, confesso que não tenho mais muito saco para o Kiss, quase não ouço mais os caras mas "Dressed to Hell" e "Destroyer" ainda passeiam pelo meu I-pod.

Não tem como negar que os caras com mais de 35 anos de carreira sabem como fazer um espetáculo. Fogos de artifícios, explosões, chamas, efeitos, tudo estava lá. desta vez a bateria não atirava, ela voava como um foguete. Pena que a chuva cancelou "'Love Gun" e os vôos de tirolesas de Paul Staley e Gene Simmons. O repertório foi bom, baseado no primeiro "Kss Alive". Os caras sabem como montar um set list e não tem como não cantar junto os refrões de "She", "Deuce", "Strutter" e "Shout It Out Loud". O fim da primeira parte do espetáculo com "Rock and Roll All Nite" tem todos os clichês de show de rock, explosões e chuva de papel picado. Tem horas que o clima é tão bom que você se pega num air guitar animado balançando como o trio no palco. Enfim, uma festa preparada para uma legião de fãs pintados, prontos para a diversão. Velhos barrigudos, carecas, moleques cheios de espinhas na cara e um monte de meninas de preto. E todos saíram da Apoteose felizes.

Só que olhando as máscaras brancas mais de perto as rachaduras são bem aparentes. Em duas horas de show são muitas as paradas para a banda respirar, a mobilidade já não é mais a mesma (mas tem que respeitar senhores beirando os 60 equilibrados em saltos plataformas) e por mais que eles se esforcem, por mais que pintem os cabelos e os pêlos dos peitos, o show foi arrastado. Não foi inesquecível, o melhor show da minha vida, mas valeu porque por alguns momentos voltei a ter 11 anos e para isso servem bandas como o Kiss.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 14h00
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   Tudo de novo mais uma vez

O U2 remasterializou seus discos em 2008, os Stones estão remasterializando seus discos para maio, os Beatles relançam seus discos remastealizados em setembro. Será que alguém tem alguma coisa nova para mostrar? Isso não importa, para fugir da crise, as gravadoras apontam mais uma vez para seu passado.

Velhas obras retrabalhadas, relançadas em belas embalagens, com encartes especiais, faixas bônus, versões originais, fotos, vídeos, brindes, um milhão de coisas para fazer você gastar mais uma vez com uma coisa que você já tem. O pior é que funciona. Em 9 de setembro, lá vou eu comprar mais uma vez a coleção completa do pessoal de Liverpool. Até lá, devo gastar uns reais com uns 4 ou 5 Stones, um dois U2s. Porcos desgraçados!!!



 Escrito por Sinais de Fumaça às 15h11
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   Impossível de responder

Uma daquelas perguntas que parecem banais mas não são:

- Quais são as 3 maiores bandas do rock?

Esta pergunta me foi feita minutos antes do show do Radiohead pelo amigo Thiago Gouveia. Eu tenho o maior problema para responder isso. As duas primeiras bandas são fundamentais na minha história: The Beatles e Ramones.

A primeira pela inventividade, importância, ousadia, liberdade de escolhas, poder transformador no mundo, por soar única e bela, por ter composto "A day in my life", por ter clássicos atrás de clássico. A segunda porque reinventou o básico, deu um soco na cara do mundo, acabou com o pretensioso rock progressivo, criou a fonte eterna da juventude, se manteve fiel e igual sempre, porque era rápida, furiosa, apaixonante e adolescente.

A terceira, sinceramente, não sei. Não consigo pensar. Pode ser o Led, os Stones, os Smiths, REM, U2, Iron, Motorhead, Nirvana, White Stripes e até o Flaming Lips. Não dá! Adoro muitas coisas, eu ouço muitas coias, eu me apaixono por várias coisas mas Beatles e Ramones são paixões eternas, Beatles e Ramones definiram quem eu sou.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 19h33
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   Filminho bem legal



 Escrito por Sinais de Fumaça às 18h32
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   Sexta passada

Confesso que estava com medo do show do Radiohead na Apoteose. Era uma daquelas bandas que queria muito ver e quando a expectativa é grande a chance de decepção também é.

Mas o que aconteceu em duas horas foi sensacional. Ta certa que o set list de Sampa foi melhor (pro meu gosto), mas não vi o show de São Paulo, vi o do Rio e achei um show quase perfeito.

Primeiro me surpreendeu como você fica hipnotizado por Tom Yorke. Ele não se mexe muito, mas tem muito carisma e te prende. Depois pela competência dos caras. A banda tocou bem, o som estava muito bom, os efeitos de luzes formam belos e acrescentaram muito ao clima do show, a entrega do público foi impressionante e, principalmente, as músicas dos caras funcionam muito bem até em grandes espaços.

O show ainda teve a presença do amigo Renato Nogueira, ali, no meio da galera, entregue as experimentações, emocionado com a melodia, com o clima, com a magia que se fez na Apoteose.

O que assisti na última sexta-feira no Rio foi uma banda madura, com muito tempo de estrada, que sabe o que está fazendo e que não abandonou a vontade de ser criativa. O que vi foram muitos momentos de emoção, de me tocaram fundo, muitos momentos de uma beleza estética e sonora que fizeram minha alma se encher de alegria. Momentos que fazem você se apaixonar por música e que faz você querer estar no meio de uma massa de 25 mil pessoas comungando da mesma energia.

Você pode não gostar de Radiohead, mas tem que reconhecer que os caras não são acomodados e não repetem fórmulas em seus CDs. Pode até existir uma ligação bem forte entre Kid A e In Rainbows, mas não é uma repetição simples da fórmula.

Semana passada, aqui no Rio, tive o privilégio de ver uma banda na melhor fase, sem nenhuma rusga de decadência ou preguiça, com uma qualidade única de repertório. Isso fez a diferença. Isso e poder cantar Creep aos berros.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 11h01
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   Apoteose

Tem alguma coisa me dizendo que hoje não vai ser bom. Espero estar errado.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 16h56
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   A primeira vez

Outro dia tentei relembrar das minhas primeiras referências musicais. Isso é meio complicado já que somos contaminados pelo sons que os nosso pais ouviam. Chamo de minhas primeiras referencias musicais coisas que pertenciam ao meu universo e não ao deles.

Muita gente é influenciada por um irmão mais velho, um primo, etc. No meu caso, a referência básica seria meu tio (6 anos mais velho) mas nunca consegui gostar das músicas que ele ouvia, no máximo achava legal um pouco de Supertramp. Eu não tinha muito saco (desde criança) para sons mais progressivos e não fui apaixonado pelo Peter Frampton.

Minhas primeiras influências vieram de uma maneira estranha, ela não veio pelo rádio, pelo som mas sim pela imagem. Me apaixonei por música visualmente, muito antes da era vídeo clip (sim criança, existiu uma época onde o vídeo clip praticamente não existia), passei a amar música graças ao cinema e a TV.

Quando tinha uns 8 ou 9 anos, meu pai me levou para ver o filme Flash Gordon no Cine Sesc, lá na Augusta. O Filme é uma fantasia, para criança é bem legal, eu me atrapalhei um pouco com as legendas, perdi algumas partes, mas não consegui tirar os olhos da tela. Quando sai, estava em outro universo. Fiquei chocado com a cena onde um cara resistia a lavagem cerebral cantando rock e repetindo fórmulas matemáticas. Caralho! Aquilo foi demais.

Mais chocado ainda fiquei com a música do filme. Foi meu primeiro encontro com o Queen. Achava Flash Gordon o máximo, adora os efeitos, os barulhos, a guitarra pesada. Aquilo era novo pra mim, era um outro universo, uma porta aberta para uma outra dimensão. Queria mais sobre aquela música e tanto enchi o meu pai que ganhei um disco do Queen, a primeira coletânea e passei a a gostar mais ainda daquele som. Relembrando hoje, tenho certeza que o Queen foi a primeira banda que fui fã.

E foi através das imagens de Flash Gordon e da minha paixão pelo Queen que descobri o Som Pop, na TV Cultura. Não era todo o fim de semana que eu assistia (acho que passava só de sábado), mas quando meus pais davam uma folga para a velha TV caixa preta (pra ser sincero, eles nunca foram muito ligados em TV) eu ligava na Cultura e me deliciava com apresentações de bandas clássicas (Zeppelin, Floyd, Stones, etc). Foi no Som Pop que me deparei com outra paixão de moleque. 4 caras fantasiados, cheios de pirotecnia. O KIss foi a minha segunda banda favorita. Bem antes do Metal e do Punk, bem antes de ser um apaixonado por rock nacional, eu ara um pivete de 10 anos que adorava Queen e Kiss. Passava horas tocando minha raquete de tênis e querendo ser o Gene Simons.Hoje, quase 30 anos depois, chego a conclusão que minha paixão por música nasceu com estas duas bandas e por isso, sou um cara com um gosto muito estranho.



 Escrito por Sinais de Fumaça às 14h21
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