Com 8 minutos de atraso, o Sr Ringo Starr, o maior baterista que Liverpool conheceu, entrou no palco do Citybank Hall para quase duas horas de diversão. Aura eterna de Beatle e muita simpatia fizeram a noite chuvosa de feriadão deliciosa. Ringo é um cara divertido. Aos 71 anos, ele está em ótima forma e mostrando que sabe fazer rock de maneira simples, direta, divertida e apaixonante.
Vendo o show ontem, percebi que esses caras que foram os maiores do mundo, tem uma preocupação enorme com o público. Não importa o tamanho dele. Os estádios lotados de Paul ou o Citybank com 5 mil pessoas de Ringo, parece que ser um ex Beatle é sempre querer dar o melhor a quem pagou. Com as mãos em V, , pregando paz e amor, Ringo interagiu a noite inteira. Respondeu a todos: “Eu te Amo!!!” com um sorriso no rosto e um delicioso: “Eu também te amo!!!”.Cercado por uma banda que soma 439 anos, energia juvenil não faltou para a Ringo. Foram 21 músicas divididas entre quase todos os membros da All Starr Band. Destaque para Ricjk SDerringer e seu solos e Edgar Winter, destruindo nos teclados, sax, bária e no que mais estivesse na frente.
Mesmo com todo carisma da banda, o público foi ver Ringo e ele não decepcionou. Já na abertura “It don’t easy” levantou a galera, emendada com “Honey don’t” de Carl Perkins. Quando ele sente atrás da bateria, você vê um homem em seu habitat natural. Ringo é constantemente subestimado como baterista, mas vendo o trabalho do cara com as baquetas você percebe que ele não está lá para firulas. É delicioso ver Ringo se divertindo, com seu set, em viradas e levadas. Mesmo nos momentos onde o microfone está com alguém da banda, você não consegue tirar os olhos daquele cara simpático, que poderia ser seu amigo, passeando pela bateria com total intimidade.
Ringo não é um frontman como Paul, sua voz não é das melhores,mas seu jeito desengonçado conquista. Da carreira solo, o Sr. Starr cantou: “The Other Side Of Liverpool”, “Back Off Boogaloo” e “Photograph”, que na maior cara de pau, disse estar tocando “atendo” a pedidos. Da banda que ele assumiu as baquetas em 1962: “I Wanna Be Your Man”, “Boys”, “Act Naturally” e os clássicos “Yellow Submarine” com balões amarelos, lágrimas nos olhos da platéia e um coro sensacional e “With a Little Help from My Friends”, emendada “Give Peace a Chance” emoção para fechar um show sem bis, mas com muita paz, amor e muita alegria.
Setlist It Don’t Come Easy Honey Don’t Choose Love Hang On Sloopy (McCoys) Free Ride (Edgar Winter) Talking in Your Sleep (The Romantics) I Wanna Be Your Man Dream Weaver (Gary Wright) Kyrie (Mr. Mister) The Other Side Of Liverpool Yellow Submarine Frankenstein (Edgar Winter) Back Off Boogaloo What I Like About You (The Romantics) Rock and Roll, Hoochie Koo (Rick Derringer) Boys Love Is Alive (Gary Wright) Broken Wings (Mr. Mister) Photograph Act Naturally With a Little Help from My Friends/Give Peace a Chance (John Lennon)
Não sou a favor do Lula se tratar no SUS. Não sou a favor do uso da Tropa de Choque na USP, sou a favor do Campus policiado e sou contra a rasteira discussão que se trava cada dia na imprensa e nas redes sociais.
Não discutimos as coisas com profundidade, observando diferenças. Não discutimos de maneira séria os problemas e qualidades do Governo Lula, Dilma, FHC, Cabral, Alckmin, Kassab, Eduardo Paes, etc. Achamos que tudo é preto e branco. Não lembramos o quanto de cor existe nesse meio do espectro. Atacamos e defendemos raivosamente sem elaborar um raciocínio e, principalmente, sem respeito. Tudo fica resumido à xingamentos, agressões e verdades absolutas.
Não existe verdade absoluta. Pensar assim nos faz perder a chance de um debate mais sério, mais profundo. Lula é falastrão, seu governo foi envolvido em corrupção, mas também teve acertos. A USP precisa de policiamento, mas ele não pode ser abusivo e truculento e os estudantes também precisam saber respeitar uma decisão tomada em maioria numa assembléia.
Isso não é ficar no muro, é pedir que os milhões de comentários nos blogs, páginas de portais usem paixão com razão. Posso concordar com o Dimenstein no artigo sobre o Lula e discordar de seu ponto de vista no artigo sobre a USP. Posso fazer isso sem agressão, sem violência, sem ódio e principalmente sem ferir minhas convicções, minha maneira de pensar. Ouvir uma opinião contrária deveria fazer a pessoa pensar e, no mínimo, encontrar argumentações dignas para um debate. Sendo bem infantil: Quem xinga é porque não tem argumentos.
Vamos obrigar os políticos a usarem os serviços públicos? Perfeito! Mas vamos obrigar todos os políticos a usarem todos os serviços. Vamos fazer o Cabral andar de trem no Rio, o Alckmin de metrô em São Paulo, etc. Quer ser candidato? Tem que saber que essa é a regra. Isso pode melhorar o país? Até pode. Mas tem que ser geral.
Vivemos reclamando de políticos. Lembro que todos foram eleitos por nós. Não tem ninguém imposto. Se você não gosta da sua representação, não adiante só xingar, colocar a culpa no outro. Não adianta chamar todo político de filho da puta e não lembrar em quem você votou. Quer representação melhor? Busque se organizar, tente convencer quem te cerca, mostrar que existe outros caminhos, quem sabe na próxima eleição isso mude (pode ser só um pouco).
Chamar os estudantes da USP de mimados e filhinhos de papai é fácil. Resumir a discussão entre um bando de maconheiros que querem apenas fumar sossegados contra uma reitoria retrógada e ditatorial é simplista.
Conheço um monte de gente que ralou no colegial e conseguiu furar o bloqueio de quem fez colégio público e entrou na Universidade. Gente que não tem grana, carro do ano dado pelo pai quando entrou na faculdade, que pega ônibus, que caminha até a estação de trem do outro lado do Pinheiros. Se a maioria dos estudantes da USP é de escola particular, de classes A e B é culpa de 50 anos de descaso com o sistema público de ensino. Isso deveria ser debatido seriamente. O resgate da escola publica deveria ser discutido seriamente. Trabalho para 10, 20, 30 anos. Trabalho que passa pela valorização de professores. Trabalho que dá trabalho.
No caso da invasão, os Centro Acadêmicos são aparelhados há muito tempo, não só na USP. É verdade que tem muito vagabundo que usa a USP só pelo Clube e pela farra, mas também é e verdade que o diálogo não é a ferramenta mais utilizada pelo Governo do PSDB no Estado de São Paulo. Não é exatamente com educação que São Paulo resolve seus problemas, principalmente manifestações consideradas indesejadas por seus governantes.
A democracia é um aprendizado. Ela te dá direito de xingar e te dá a chance de pensar. O problema é que cada vez mais usamos a primeira opção e esquecemos da segunda. Somos cada vez mais radicais virtuais, com nossas convicções, nossas certezas e nos fechamos para o diferente, para o contrário. Você não precisar abrir mão das suas convicções, não precisa mudar de opinião, mas precisa saber argumentar, saber dialogar e principalmente saber respeitar. Não dá pra ver tudo como sim e não. Isso é coisa de criança de 3 anos.
Já passou da hora da gente crescer. Já passou da hora de saber que podemos mudar a nossa realidade com respeito e organização. Tenho grandes amigos que tem posições opostas a minha em milhares de coisas e isso me ajuda a crescer. Temos a força de uma democracia, só precisamos saber usar. É difícil, mas é possível.
Uma dos melhores shows da minha vida. Ver o Pearl Jam na Apoteose, ontem foi uma das melhores experiências que vivi vendo um show. Eddie Vedder é o melhor frontman da atualidade. Simples, sorrindo, feliz, o cara comanda como se estivesse em estado de graça.
No palco do Pearl Jam não tem jogo de cena, não tem um super cenário, nem super telões, nem uma super produção, nada aqui é superlativo para mascarar. Nada está lá para desviar do que interessa: música da melhor qualidade, executada da melhor a honesta maneira possível.
O Pearl Jam é uma banda que transparece honestidade. Os caras estão no palco felizes. Não estão tocando apenas pela grana e para manter o status de superstars do rock. Os caras estão ali para se divertir, para fazer o que mais gostam. Dá pra ver a energia que rola no palco e essa energia contagia a platéia. Um dínamo que funciona no máximo durante mais de duas horas e meia de show.
E a energia principal é Eddie Vedder. Com um sorriso no rosto de quem está muito feliz, com uma voz que arrepia e com brilho nos olhos de quem ganhou uma bicicleta (além de uma inseparável garrafa de vinho), ele faz cada uma das pessoas que estavam no Sambódro se sentir especial. Poucos sabem fazer isso, só ele faz com total honestidade. Perto dos seus 47 anos, Eddie é uma das maiores vozes do rock e no Rio teve o luxuoso auxílio de 35 mil vozoes urrando com ele.
Até aqui esse texto pode parece muito Poliana, mas não tem como. O que vi ontem não se vê todo dia. O show de ontem entra no meu imaginário ao lado dos Ramones, Stones no Pacaembu, Strokes no Tim, RATH do palco do SWU do ano passado, Paul no Morumbi, REM no Rock in Rio, Ataque 77 no Rio.
Não é toda banda com 20 anos que tem esse frescor. Só que esses 20 anos passaram bem e ensinaram todos os caminhos para os caras, que não se importaram com as marcas de tempo ou cicatrizes que a estrada e a vida trouxeram. Os caras saem para turnê com toneladas de músicas ensaiadas, não repetem set list, se dão ao trabalho de não fazer o mesmo show nunca e fazem isso com vontade de quem está começando. Até agora, foram mais de 110 músicas tocadas na Twenty Tour.
No Rio, “Unthought Known” abriu os trabalhos e iniciou a explosão. Até chegar a “Yellow Ledhetter” - duas horas e quarenta depois - a banda passou por superclássicos como Even Flow. Por belas músicas como “Corduroy”, “Given to Fly”, “ Daughter” - com direito a “Blitzkrieg Bop” emendada - “Elderly woman behind the counter in a small town” e “Rearviewmirro” - que encerrou a primeira parte de show.
Os caras voltaram ao palco mais duas vezes. O primeiro bis teve uma bela homenagem a Johnny Ramones, antes de “Come Back”, um delicioso cover de “I bilieve im Miracles”, “Do the Evolution“ e terminou com ‘Jeremy”, uma das 10 melhores músicas década de 90. O segundo começou com “Mother” do Pink Floyd, teve “Betterman”, ‘Black”, “Alive” e “Rock in the Free world”, do mestre Neil Young.
Fazia tempo que não me emocionava tanto em show. Mas o que esses caras fizeram ontem vai ficar registrado no meu DNA. O sorriso de felicidade de Eddie Vedder, depois na despedida, era o mesmo de todos que saíram do Sambódromo, agradecidos pela entrega total da banda. Por isso sou apaixonado por rock, por momentos de comunhão e alegria que só um bom show pode fornecer. Visceral foi pouco.
Set List
01. Unthought Known
02. Last Exit
03. Blood
04. Corduroy
05. Given To Fly
06. Nothingman
07. Faithfull
08. Evenflow
09. Daughter/Blitzkrieg Bop (Ramones)
10. Habit
11. Immortality
12. The Fixer
13. Got Some
14. Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town
Alison Mosshart é deliciosa. Adoro mulher rock & roll. Sexta, no Circo, estava sensacional. Quem não foi, perdeu.
O Kills é um duo. Alison é a frontwoman. Canta, toca guitarra, balança a cabeleira vermelha, se refresca no ventilador, dá show e hipnotiza. Já Jamie Hince é o ritmo. Divide os vocais, comanda o show com sua guitarra e se diverte muito em cima do palco e fora dele pega a Kate Moss (tem gente que tem sorte na vida).
O show do Circo teve o set list baseado no Blood Pressures e do Midnight Boom, dois últimos discos da banda. No palco, a dupla funciona muito bem e empolga. Pena que as bases pré-gravadas não deixem muito espaço para prolongar climas que nasceram da interação entre platéia e banda. No rio, essa interação precisa ser bem maior que em Londres ou Nova York. Se o batera fosse orgânico, o circo cairia.
A grande qualidade de um show é fazer quem não conhece muito bem a banda prestar atenção no que está acontecendo. E isso aconteceu. Quem não conhecia a banda saiu com vontade de baixar os discos. Quem foi para ver e ser visto ficou ofuscado pela energia que vinha do palco. Quem foi porque ouve os caras desde 2002, também saiu feliz.
Agora é torcer para Alison Mosshart voltar com o Dead Weather e para que Jamie Hince trazer Kate Moss para comer um sanduíche de pernil com abacaxi no Cervantes. Seria perfeito.
Quando há 25 anos Os Paralamas do Sucesso lançaram Selvagem? a década de 80 estranhou. Aqueles moleques que dominaram a cena em 1985, depois de uma apoteótica apresentação no Rock in Rio, vinham com uma um disco que nada lembrava o mega sucesso de O passo do Lui. Selvagem? mistura ritmos, buscava uma brasilidade esquecida durante quase toda a década de 70, flertava com a música africana, com ritmos que as bandas dos 80 não ousariam em tocar.
A importância de Selvagem? para a música brasileira passa pela formação de um Rock Brasil com sons únicos. Essa mistura não nasceu com os Paralamas - estava lá nos Tropicalistas, nos Novos Baianos, um pouco em Raul Seixas - mas encontrou no trio uma maneira nova, ousada e empolgante de se fazer rock no Brasil. Selvagem? é responsável direto pelo nascimento de gente como Mundo Livre e Nação Zumbi, que extrapolaram a mistura de tambores e guitarras, que Herbert, Bi e Barone tiveram a coragem de gravar em 1986.
No dia que o Queremos anunciou que precisava de 300 Cariocas Empolgados pra trazer o Selvagem? Para o Rio, comprei duas cotas (só não comprei mais porque estava sem grana). Não sou carioca, mas sou empolgado e saber quem em São Paulo as apresentações dos caras foram histórias só me fez esperar ainda mais empolgado por esse sábado.
Sem dúvida, a banda que mais vi ao vivo na minha vida foi os Paralamas. Desde O Passo do Lui, vi pelo menos um show por turnê. Durante 86 e 92, vi todas as vezes que eles passaram em São Paulo, pelo menos uma vez. Tive a honra de ver uma passagem de som no Ginásio do Ibirapuera, quando o Herbert mandou o pessoal que estava na fila, 5 horas antes do show, entrar para acompanhar a banda. No meio do show, a equipe dos caras, nos levou da galera para a área Vip. Comprei o ingresso para ver a apresentação deles e dos Titãs juntos no Hollywood Rock de 91, mesmo no meio do vestibular. Voei da prova para o show. Nunca sai de um show dos caras sem um sorriso no rosto. Bebi muito no dia que Herbert sofreu o acidente e chorei pra caramba na volta dele aos palcos, que acompanhei bem de perto. Hoje eu tina certeza que seria imperdível.
O cenário foi perfeito. Circo lotado e público pronto para receber os caras com toda energia. A primeira surpresa foi Selvagem abrindo o show, quando todo mundo esperava Alagados. Mais uma vez, os Paralamas apresentavam suas armas. É uma honra estar ouvindo a cozinha mais competente do Brasil e um dos grandes guitarristas e compositor da música brasileira. Sensacional ver o trio no palco mandando porrada atrás de porrada.
A primeira parte do show foi o clássico na origem. As 10 músicas do disco foram executadas nos arranjos originais, com a força de Liminha na guitarra, a elegância de João fera nos teclados e de a percussão de James Muller. Para apaixonados como eu pela banda e pelo disco, ouvir músicas quase não executadas como Teerã, There`s a party e A Dama e o Vagabundo foi sensacional – a memória funcionou muito bem. Você levantou o Circo e fez todo mundo se apaixonar mais uma vez. O fim da apoteose foi Alagados, com um riff delicioso de Herbert e as milhares de mãos de brasileiros pra lá de empolgados.
Depois da festa, mais 11 hits da banda. Fazer o set list dos Paralamas não tem erro. O que não falta é música boa. Até chegar a Uma Brasileira, o Circo dançou, pulou , gritou cantou, beijou na boca e viajou com uma banda que saber fazer do palco seu lugar. Não tem ninguém que supere um show dos Paralamas ao vivo. O Bis veio com uma homenagem dos Titãs (SoníferaIlha), e duas das antigas Ska e Vital. Mais uma parada e uma nova versão de Alagados, agora com tudo que tem direito.
Pena que colocaram o som do DJ rápido demais nas caixas. Essa era uma noite ara 4 ou 5 retornos. Casa super cheia e sorriso nos rostos de todos que estavam lá. Mais uma vez, Herbert, Bi e Barone provaram são foda.
Noel Gallagher lançou um puta disco. Oasis puro em sua melhor forma. Agora, Noel pode sorrir, “Noel Gallagher's High Flying Birds” é melhor que “Beady Eye”. A razão é simples: Noel entrou na banda de Liam, no começo dos 90, para transformar a banda do irmão no maior expoente do Britpop. Separados, Liam fez um disco bom, Noel resolveu esculachar. Talvez livre da pressão de star em uma banda, Noel parece estar mais livre para fazer o que faz de melhor. Música com referências dos 60, climas psicodélicos, com refrões pegajosos e uma guitarra cheia de melodias grudentas, raivosas e deliciosas. Reuniu o passado das gavetas, trabalhou novas composições e saiu do estúdio bem déias. Túnel do tempo atualizado, Noel Gallagher's High Flying Birds tem o frescor do Oasis de 94, 95, mas com as marcas de uma separação. (ninguém sai igual de uma). Você vai encontrar muito das características de “(What the Story) Morning Glory”, mas também traços de “Dig out your soul”, último trabalho da banda (que eu gosto muito). “Everybody’s On The Run" e "Dream On" abrem o disco em alto nível. Resgates do passado como "If I Had a Gun...", "The Death of You and Me" e "(I Wanna Live a Dream in My) Record Machine”, “Stop the Clocks” transportam o ouvinte para uma banda que não mais existe. O clima viajadão fica por conta de "(Stranded On) The Wrong Beach"e a "AKA...What a Life!" dá vontade de colocar no repeat. Fantasmas exorcizados com absoluto talento, Noel até sinaliza para uma reunião da banda em 2015, para comemorar 20 anos de “(What the Story) Morning Glory”. Até lá, se ele fizer mais um disco como esse, o planeta vai estar bem servido
O Stone Roses vai voltar. Eles vão fazer 2 show no Heaton Park, Manchester, em 29 e 30 de junho e depois embarcam para uma turnê mundial. Os shows têm tudo para ser uma celebração. Uma das maiores banda da cidade, renascendo no seu ninho.
Em 2005, Mani, baixista da banda, disse que uma reunião completa só sairia quando o Manchester City vencesse a Copa dos Campeões. O City não venceu, mas os caras estão de volta. Parece que os primeiros papos aconteceram no funeral da mãe de Mani: “Coisas bonitas vieram de uma situação realmente triste”.
Em 1989, os caras lançaram seu primeiro álbum, considerado um dos mais importantes da história da música e que definiu o som dos fim dos 80, começo dos 90. Quem viveu a virada daquela década não passou ileso pelo som do Stone Roses.
No auge, eles ficaram 5 anso sem gravar, em brigas com gravadoras. Quando lançaram Seconde Coming, a banda já estava se desfazendo. Em1996, eles tocaram pela última vez.
Resta saber se Ian Brown, John Squire, Gary "Mani" Mounfield e Alan "Reni" Wren ainda têm alguma coisa nova para dizer? Eles disseram que novos sons estão surgindo, se vieram com a qualidade do primeiro trabalho será impressionante. Acho difícil, o frescor da banda, para mim, ficou para trás. 20 anos mais velhos, não espero algo tão impactante, mas vai ser bem divertido ver a banda de volta. Tomara que no Circo.
A torcida comemorou gol no primeiro solo dele em “Key to the Highway” e foi assim até os últimos acordes de “Crossroads”. Eric Clapton entrou no HSBC Arena com o jogo ganho. Não importava o que ele iria tocar, o clima era de devoção. A platéia, comportada e na faixa dos 40, estava lá para reverenciar Deus.
O show de ontem não foi melhor que o de 1990, no Olympia, quando vi o cara pela primeira vez, mas foi superior ao de 2001, na Praça da apoteose, quando quase bati num vendedor de cerveja que ficava gritando do meu lado durante as músicas.
Dessa vez não teve vendedor, a visão do palco da Arena estava perfeita e o som começou um pouco embolado, mas depois ficou melhor. Clapton entrou como se estivesse tocando em casa, suave, tranqüilo, quase imóvel, com uma bela Fender Stratocaster azul, e logo no primeiro solo de “Key To The Highway” abriu o sorriso de 10 mil babões.
Clapton há muito tempo está gravando e tocando o que quer, sem muita preocupação. Durante duas horas passaram pelos dedos desse senhor de 66 anos: Muddy Waters, Bo Diddley, Willie Dixon e Robert Johnson entraram no set. O clima de bar de blues só não foi maior pelo tamanho da Arena.
Durante o show, dividiu os solos com Chris Stainton e seu Hammond e Tim Carmon outro sintetizador - que me agradou bem mais na construção das melodias. Confesso que gostaria que metade desses solos tivesse saído da Strato. Como também gostaria da versão original de Layla.
Quando a Strato sai de cena entra as cordas do Martin e o set acústico emociona. Ele o violão duelando e construindo melodias e solos, vale o ingresso e fazem você esquecer “Wonderful Tonight”, a pior do set.
É sempre bom ver a elegância de quem sabe todos os atalhos do instrumento, mesmo que seu toque não tenha mais a mesma velocidade da juventude. Com certeza esse não é o mesmo Clapton chamado de Deus, mas existe uma divindade natural naquele senhor de cabelos brancos que nunca vai acabar. Do jeito que ele comanda sua guitarra, nos diálogos que os dois constroem, fica a certeza que aquilo é especial. Um papo de quem olha para o passado mais que o futuro, de quem não tem mais pressa de chegar e apenas quer aproveitar o momento. Esse é o convite que Clapton faz. Entre nessa conversa, sem pressa, sem urgência. Curta, aproveite e se delicie. Não é um banquete de grandes novidades, mas é um jantar delicioso, bem preparado, com sabor de casa.
Estava longe nos últimos 10 dias e não fiquei sabendo. Morreu no dia 28/09 Edson Pozzi, o Redson, líder do Cólera. O cara tinha 49 anos e vai deixar um vazio.
Redson foi figura fundamental na cena underground brasileira, como cantor, compositor, produtor e empresário. Sei que a grande massa nunca ouviu Cólera na vida, mas quem teve a chance de ver os caras ao vivo sabe que essa é uma das maiores bandas punk do planeta. A energia dos palcos e dos discos vinha muito dele. O discurso político e pacifista da banda é algo raro na música brasileira. A vontade de estar tocando no palco era sentida em cada show. A inteligência, atitude e a força eterna de lutar, mesmo nos momentos mais difíceis, não serão esquecidas. RIP.
Lembro bem de 11 de outubro de 1996. Estava no vigésimo segundo andar do número 185 da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, trabalhando no fechamento do jornal da Esso. Estava sozinho na sala quando o rádio interrompeu a programação e disse que Renato Russo estava morto.
Lembro da sensação de vazio daquela hora. Estava escuro, estava sozinho, longe da casa, longe dos amigos, olhando a movimentação da Rio Branco do alto e imaginando se para alguém aquela notícia também causava aquela sensação. Sabia que os velhos amigos sentiam o que eu sentia. Amigos que compartilharam discos e shows do Legião durante toda a adolescência. Gente como a Doroty ou o Ricardo, ou até a Luciana, namoradinha de Liceu que era apaixonado por Eu Sei.
Não achava Renato Russo um messiânico. Ele era o maior poeta da geração, mas não era um Deus perfeito, estava muito longe disso. Quando Renato morreu começou uma beatificação insuportável. Todo mundo passou a amar Legião, as palavras de Renato atingiram um grau de divino, era como se o Arcanjo Manfredini tivesse dado a hora de descer a Terra para trazer palavras de sabedoria a nós. Toda a rebeldia se dissolveu em dose de açúcar e Legião Urbana virou guia de auto-ajuda.
A fama messiânica só não é pior que a utilização do legado. . Quando a gente morre é foda. A obra fica para um monte de gente que quer continuando a faturar. Coletâneas caça-níqueis, tributos patéticos, gravações em axé, pagode, sertanejo. A banalização da obra da Legião em nome do dinheiro. Prova moiro desse crime, por causa dessa ganância fomos obrigados a ouvir coisa como “Mais uma Vez”, uma das coisas mais terríveis músicas do planeta. Não paramos por ai. Tome versão do Calcinha Preta, da Banda Beijo, do Raça Negra, da Maria Cadu, etc. Não conheço nenhuma regravação da Legião que mereça um destaque, que tenha algum sopro de criatividade. Sempre foram opções pelo mais fácil.
Nesses 15 anos se Renato Russo, o presente poderia ser o fim do uso de suas músicas de maneira tão banal e o começo da humanização de um grande poeta, genial, cheio de problemas e defeito como cada um de nós.
Bom, a semana passada foi tumultuada e fiquei devendo algumas observações sobre shows e música. Não é todo dia que a gente tem um Festival por aqui trazendo várias bandas. O Rock in Rio pode ter sido um perrengue, mas no final valeu.
Antes do Rock in Rio, na sexta, 23 de setembro, enquanto Claudia Leite desfilava pela cidade do Rock, o Circo Voador recebeu a figura estranha de Bobby Gillespie e o Primal Scream para uma celebração de 20 anos do “Screamadelica”.
E celebração foi a palavra para uma noite histórica. Me atrevo a dizerque esse foi o melhor show do Queremos. Tudo funcionou a perfeição: luz, som, projeções, banda afinada e com tesão de palco e uma platéia entregue desde “Movin’ on up”. Foi um transporte no tempo, de volta a cena do começo dos 90, “Screamadelica” é uma série de roubos sensacionais de soul music, gospel, rock, da cena industrial inglesa, dos Djs e das guitarras. Fusão de vários climas e de camadas de sons que, no Circo, não deixaram ninguém parado.
Além disso, a figura de frontman de Gillespie é sensacional. Andrógeno, carismático, eternamente chapado, comandava a banda com certo desdém digno dos grandes, mas dava pra ver que estava encantado com uma platéia entregue que cantou e dançou cada música. Quem também estava entregue era o baixista Gary “Mani” Mounfield que soltou o verbo para agradecer todos cariocas mais que empolgados.
Já vi muito shows na vida, mas confesso que fiquei arrepiado com esse. Para quem gosta de música não tinha outro lugar para estar naquela sexta. Desculpe Sir Elton John, mas o que o Primal fez no Circo é para guardar na retina para sempre. Emocionante, comovente, empolgante, visceral. Um puta show para apaixonados. Isso vale muito a pena.
No sábado, rumei ao Rock in Rio para me encontrar mais uma vez com Anthony Kiedis. Era o terceiro grande show dos Chili Pepers que iria assistir. As duas outras foram decepcionantes (Hollywood Rock 1993 e Rock in Rio 2001) e, sinceramente, se não tivesse ganho o ingresso não iria.
Só que dessa vez os caras me surpreenderam. Nãos e se porque dessa vez, a banda esta no começo da turnê, o Red Hot mostrou uma empolgação inexistente nas outras apresentações.
O show agradou mais a nova geração, presente em peso. O pessoal que descobriu o Chili Peperes em “Blood Sugar Sex Magik” e depois se apaixonou pro “Californication” e “By the Way”. A velha guarda, da fase mais experimental, não teve muita vez.
Com 30 anos de palco, os caras sabem fazer um bom set list, mesclando coisas novas com velhas e boas, tem também as perebices de solos de baixo e bateria, que sempre acho chato demais. A fato da banda estar fresca e com vontade de palco depois do lançamento de “I’m with you” fez com que a energia fluísse melhor. Pela primeira vez vi Anthony Kiedis animado em um palco. Flea continua sendo um baixista único. Seu toque funkeado bate forte e grave no peito e nas pernas. A entrada Josh Klinghoffer não chega a comprometer, mas é foda substituir John Frusciante. Não foi um show inesquecível, mas, pela primeira vez, foi um show que não saiu com a sensação de ser roubado pelos caras.
O domingão começou “cedo” na cidade do Rock. Foi o tempo de ver o Sepultura tocando com grupo Tambours du Bronx. O som do placo estava baixo, já que o Glória (quem diabos é Gloria?) tocava no palco principal, estava apertado para caramba, já que muita gente deixou a área principal para ver a maior banda de metal do pais e, apesar de tudo, o show foi bom demais. Teve cover do Prodigy, teve clássicos da banda – com direito a Mike Patton dividindo vocal em“Roots Bloody Roots” - e uma energia sensacional que saíram dos tambores do Tambours du Bronx. Os franceses completaram perfeitamente a cozinha do Sepultura.
Na boa, vendo a enxuta apresentação dos caras, vendo a energias da galera e o peso da cozinha, o Rock in Rio perdeu a chance de fazer história no placo principal. Teve horas que realmente desejei que o som do Glória fosse desligado só para ouvir o esporro do palco Brasil no máximo.
Depois, enquanto o Coheed and Cambria tocava, fui procurar um lugar para ouvir rock & roll da melhor qualidade. Ver Motorhead é para quem gosta de som alto, veloz e sujo. A banda de Lemmy Kilmister continua sendo perfeita. Diversão, pura energia, básica e direta como um soco no queijo, uma aula de quem tem mais de 35 anos história.
A molecada que estava esperando o Slipknot teve uma aula dos vovôs. 1, 2, 3, 4 e lá estava à velha e destruída voz de Lemmy grunindo clássico atrás de clássico. Tem como um show ser ruim com Iron fist", "Stay clean", "Back in line", "Metropolis", "Over the top", "One night stand", "Know how to die", "Chase is better", "Tragedy", "Brazil", "Killed by death", "Ace of spades", e "Overkill"? Nem a pau!
3 caras de preto, quase sem cenografia, tocando para 100 mil pessoas como se estivessem em um pub velho e sujo de Londres. Um show que prova que para fazer rock basta honestidade, vontade e culhões.
Para fechar teve Metallica. Tá bom, Slipknot fez um show agitado e levantou a molecada, mas meu lado roqueiro velho estava na pele depois do Motorhead e voltou a se emocionar quando os acordes de The Ecstasy of Gold marcaram a abertura do show de Metallica.
Se sexta, o Primal foi histórico, domingo também foi. Desde os primeiros acordes de “Creeping Death”, até o fim de “Seek & Destroy”, os californianos mostram que Trash Metal é para quem sabe tocar alto e rápido. Clássico atrás de clássico. Porrada atrás de porrada. Energia de quem tem anos de estrada e sabe ser profissional sem ser burocratas. Banquete para quem gosta.
Lars UIlrich destrói o set como poucos no mundo. Bate forte e segura com competência o peso de liderar de trás de tambores, pratos e bumbos a maior banda heavy do planeta. Para acompanhar a insanidade de Ulrich, Robert Trulijo e seu jeito de lenhador detonando no baixo. Cozinha perfeita que no impressionante som bom do Festival encontra a sua cara como um trem em máxima velocidade. Costurando no meio dessa parede de chumbo, Kirk Hammett. Virtuose, veloz, zangado e ao mesmo tempo clássico e preciso. Ex aluno de Satriani, Kirk é um dos maiores do planeta e é irritante ver a facilidade dele em construir solos complexos e belos. Não tem como não ensaiar um air guitar toda vez que Kirk brinca com sua guitarra. Para fechar a força e o carisma de James Hetfield, grande guitarrista e cantando cada vez melhor. A força de palco de James é para poucos no mundo da música. Ele sabe dominar uma multidão de 100 mil pessoas e consegue imprimir sua marca em cada canção
O show daquele domingo foi bem melhor que o de 2003. Fui para a Cidade do rock com 2 adolescentes estreando no mundo dos grandes shows e nada melhor que perder a virgindade com uma apresentação como essa. Fechou com perfeição um excelente fim de semana.